No atual mundo da música digital, é você que controla o play | Judão

As relações se inverteram, a forma (e o lugar) para se consumir música mudou e, enquanto a indústria corre atrás do próprio rabo, os fãs têm muitos motivos para comemorar! :)

1983. Um jovem quarteto de cabeludos oriundo da Califórnia atendendo pelo nome de Metallica fazia shows em tudo que é boteco que via pelo caminho. Pra incentivar que seu som se tornasse conhecido na hermética sociedade dos fãs de heavy metal pré-internet, eles faziam questão que os fãs gravassem a íntegra das apresentações e trocassem entre si em fitas-cassete que, anos depois, se tornariam verdadeiras raridades.

2000. Depois de descobrir que a versão demo da canção “I Disappear”, que faria parte da trilha sonora de Missão: Impossível II, vazou e caiu na web antes do lançamento, o baterista do Metallica, Lars Ulrich, tornou-se uma espécie de porta-voz da indústria fonográfica numa cruzada contra o MP3 e, principalmente, contra o software de compartilhamento de arquivos Napster.

2013. “Eu amo o Spotify”, afirma Lars Ulrich, em uma significativa entrevista concedida à revista inglesa NME. “Eu não sei se ele é o único futuro possível para o mundo da música, mas certamente é uma grande experiência, que está dando muito certo”. A banda liberou seus nove álbuns de estúdio, além de uma séries de singles, remixes e lados B, dentro do serviço. E detalhe: Sean Parker (interpretado por Justin Timberlake no filme A Rede Social), co-fundador do Napster, é um dos membros integrantes do conselho de diretores do Spotify.

Mais do que mostrar que o mundo, realmente, dá muitas voltas, esta pequena história em três atos é sintomática pra provar o quanto o consumo deste valioso produto chamado “música” mudou em tão pouco tempo. De um lado, Gene Simmons, o falastrão linguarudo do Kiss, soltando mais uma de suas frases de efeito ao dizer que “o rock está morto” e que a música digital – em especial os downloads e a ‘pirataria’ – teriam acabado com a indústria e com as chances de novas bandas surgirem. Do outro, os irlandeses do U2, que aproveitam um evento da Apple para lançar seu novo disco, Songs of Innocence, inteiramente de graça no iTunes (Verdade, não viu? Tá aqui, ó!).

Duas visões. Dois jeitos de enxergar o potencial da rede. E a gente, no meio, como fica?

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Sean Parker (centro) trocando uma ideia com Lars Ulrich, do Metallica, em evento da indústria musical

“Após testar o Deezer e o Rdio, por recomendação de amigos assinei o segundo em dezembro de 2013. O preço é o mesmo da Netflix: R$ 14,90 mensais, com acesso ilimitado a todo o catálogo disponibilizado pelo aplicativo – e acredite, ele é gigantesco, indo de sucessos atuais até um mergulho profundo no passado e em sons obscuros e pouco conhecidos. Desde então, não comprei mais CDs. Nenhum. Nada”, confessa Ricardo Seelig, publicitário que foi um dos fundadores Collectors Room. “E olha que eu tinha o hábito de adquirir entre 15 e 20 CDs todos os meses. Agora, não faço mais isso. O Rdio mudou a minha forma de consumir música. Ouço no iPhone, através do aplicativo para o celular, em qualquer lugar que estou. Em casa, ele está instalado no iPad”. Embora tenha em casa uma parede com mais de 1.500 títulos na sala de estar do apartamento, ele confessa que não tem mais encostado nestes discos nos últimos seis meses. “Atualmente, todo o meu consumo de música é feito através do streaming. Pode parecer radical, mas o sistema casou completamente comigo. Na rua, o celular faz a trilha no fone de ouvido. Em casa, música e descobertas via wi-fi. Não há limites, não há fronteiras, tudo é possível”.

Ricardo está longe de ser uma exceção. O último relatório anual divulgado pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (tradução livre para a sigla IFPI), referente ao ano de 2013, revela que o mercado de música digital no nosso país cresceu bons 22,39% em relação a 2012. Em nota oficial, a ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Discos) afirmou que esta fatia é referente a uma quantia bruta de R$ 136,4 milhões. “Este total se refere a receitas advindas de downloads de músicas avulsas, álbuns completos, toques de chamada de celular (master tones e principalmente ringback tones) e serviços de streaming de áudio e vídeo remunerados por subscrição e/ou publicidade, além de outras formatos e modelos de negócio que fazem parte do mercado de música digital”, explicam.

A pirataria

A grande questão ainda permanece sendo o quanto os fãs de música estão dispostos a abraçar este tipo de serviço “legalizado”, das assinaturas dos serviços de streaming à compra de arquivos musicais, em detrimento da pirataria – basta uma busca simples pela web para encontrar, com facilidade, qualquer música que se queira para download imediato. Isso se não levarmos em consideração os programas do tipo torrent e mesmo maneiras alternativas de se extrair faixas musicais de sites de vídeo como o YouTube. Um estudo publicado em 2013 pelo IPTS (Instituto de Prospecção de Estudos Tecnológicos), órgão da União Europeia, afirma que a indústria musical tem menos a temer do que imagina. “Nossas descobertas sugerem que a pirataria de música digital não deveria ser vista como uma preocupação crescente para os detentores de direitos autorais na era digital”, afirmam categoricamente os pesquisadores Luis Aguiar e Bertin Martens. E eles comprovam com números: um aumento de 10% no número de cliques em sites piratas eleva em 0,2% o número de cliques em páginas nas quais a música é ofertada de maneira legalizada. Para serviços de streaming, um crescimento de mesmo número chega a aumentar os cliques em 0,7% nas lojas virtuais.

“Desde que passei a usar os serviços de streaming, não sinto necessidade de baixar discos”, confessa o administrador Tiago Neves, responsável pelo blog especializado The Seventh Wall. “É perceptível que aos poucos, os ouvintes de música estão tomando consciência das vantagens que esse modelo traz, e deixando de baixar arquivos MP3 de qualidade duvidosa em troca de um serviço confiável e de fácil acesso em qualquer lugar. A possibilidade de sincronização com dispositivos móveis é um atrativo bastante interessante pra quem hoje faz downloads pra ouvir no celular, por exemplo”. Depois de experimentar o Rdio, atualmente Tiago vem usando o Spotify, recém-lançado oficialmente no Brasil. “Acredito que ele possui um catálogo bem mais variado e com uma interface mais completa do que o primeiro”.

Headsets hang in front of a screen displaying a Spotify logo on it, in Zenica

Com um catálogo que ultrapassa os 30 milhões de músicas disponíveis (20 mil faixas adicionadas diariamente), além de uma média de 5 milhões de diferentes playlists criadas todos os dias, o Spotify hoje responde por 70% das receitas da indústria da música da Suécia, seu país de origem, enquanto o índice de pirataria por lá caiu 30%. Gustavo Diament, diretor do Spotify para a operação brasileira, acredita que o fenômeno pode se repetir no Brasil. “O consumidor brasileiro não está na pirataria por achar isso certo. Acontece que, até então, a pirataria era o único produto que atendia suas necessidades. Por isso, criamos um serviço melhor que a pirataria, que também é grátis, mas que gera receita para os artistas e para a indústria da música como um todo”, conta ele, em entrevista exclusiva para o JUDÃO. “Inclusive, muitos usuários do nosso serviço Free acabam migrando para o Premium para ter benefícios extras como a possibilidade de ouvir offline e sem anúncios”.

Para Diament, a ideia de ofertar “acesso” ao invés de “propriedade” de conteúdo aponta não só para o futuro da música, mas para o conteúdo de mídia em geral. “Nesse cenário, o Spotify contribui oferecendo o melhor produto, além de uma alternativa melhor, legal e mais prática à pirataria”.

Digital x Analógico

Você já devia estar esperando, depois de todo este papo, algum dado a respeito da questão das vendas físicas. Sim, era óbvio que aconteceria uma queda. “Em 2013, as vendas de CDs, DVDs e Blu-Rays com conteúdo musical em áudio e audiovisual registraram redução de 15,5% no Brasil”, revela a ABPD. Aos catastrofistas, no entanto, muita calma nesta hora: mesmo com a queda, as companhias que reportam estatísticas para a ABPD, juntas, reúnem a soma faturada de R$ 237.752.707,56 em valores do atacado ao varejo.

Rodrigo Carvalho Miwa, 26 anos, é prova viva disso. Fanático por música conhecido por manter o podcast especializado em rock progressivo Progcast, tem cerca de 600 CDs em sua coleção, formada predominantemente por rock progressivo e heavy metal. Mesmo sendo usuário do Spotify em sua versão mobile (“ele consegue suprir boa parte das necessidades musicais, tanto em lançamentos quanto em materiais antigos”), Rodrigo ainda é adepto dos downloads. “Diariamente vejo os álbuns que ‘vazaram’ antes da data de lançamento e separo uma lista dos que quero baixar e conferir o quanto antes. O foco principal é sempre nos lançamentos ou nos álbuns de bandas que ainda não conheço”, revela, sem deixar de fazer, no entanto, uma mea culpa: “adquiri o hábito de excluir qualquer arquivo assim que o mesmo é disponibilizado no streaming – mantê-lo nessa situação não faz sentido”.

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Leve sua música para onde bem entender

Ainda assim, mesmo sendo completamente digital, Rodrigo continua com seu hábito mensal de compra de álbuns. “Primeiramente pelo apoio a banda. Por mais que não possamos apoiar todas elas, acredito ser importante mostrar esse retorno, seja em vendas ou na divulgação dos que merecem”. Outra coisa que atrai Rodrigo é a qualidade do material oferecido (seja em termos de embalagem ou arte da capa) e principalmente aquelas cobiçadas edições especiais. “Tenho mantido o foco na aquisição de itens em digipack ou com faixas bônus que me chamem a atenção”, concorda Tiago – que, em breve, pretende inclusive começar uma coleção de discos de vinil. “O valor nostálgico e a arte gráfica do vinil ainda são incomparáveis em relação ao CD”.

A única fábrica de LPs da América Latina, a carioca Polysom, anunciou um aumento de 126% nas vendas de discos entre março e abril deste ano, de acordo com matéria publicada pelo jornal O Globo. Em 2013, a empresa tinha vendido um total de quase 59 mil unidades – cerca de 40 mil LPs e 17 mil compactos. Se compararmos os primeiros cinco meses deste ano com o mesmo período do ano passado, o crescimento ultrapassa a casa dos 80%. Não são raras as bandas que entenderam que a chave do sucesso está em desenvolver materiais exclusivos para os colecionadores – os recentes Nheengatu, dos Titãs, e Setevidas, da baiana Pitty, estão entre os discos nacionais que ganharam disputadas versões em vinil.

“A demanda de vinis em geral está crescendo muito aqui nos Estados Unidos, ao ponto de estar maior que a oferta em muitos casos. Fábricas não estão dando conta das ordens e investindo em expansões ou terceirizando a prensagem para fora do país”, conta Henrique Landim, brasileiro que trabalha na californiana Randm Records, surgida a partir da construção do The Lost Ark Studio, um estúdio de gravação com foco em equipamentos vintage, feito com a missão de ajudar a comunidade artística local. “Desde então o estúdio foi expandido para quase o dobro de seu tamanho, e já gravamos e lançamos nove discos, com ainda mais saindo até o final do ano. Nós queremos ser uma gravadora que realmente ajude os artistas, ao invés de deixarmos nossas mentes serem poluídas por cifrões”.

Henrique conta que a internet ajuda não apenas a descobrir novos artistas (“Faça upload de seu material no SoundCloud e mande o link de sua playlist, esse é o modo mais fácil de acessarmos sua música”), mas também a divulgar seus lançamentos. Diferente do discurso das majors, ele deixa claro que a Randm faz o máximo para disponibilizar seu catálogo no maior número de plataformas digitais possíveis. “Acho que alcançamos um bom equilíbrio das duas mídias [digital e analógico] e devemos ficar assim por um tempo”.

“O artista precisa buscar todas as plataformas possíveis para lançar o seu álbum, jamais diria para evitar o processo físico. Ainda há público interessado neste tipo de material”, diz Mathieu Le Roux, diretor para a América Latina da Deezer, outro serviço de streaming musical – que, só no Brasil, tem uma base 2 milhões de usuários ativos. Diament, do Spotify, também faz coro. “A proposta do Spotify é complementar os outros formatos de consumo de música, que sempre terão seu espaço. Acreditamos que o CD, o disco de vinil (que sobreviveu à introdução do CD) e o download continuarão a ser populares entre uma parte do público por muito tempo”.

É o caso do rádio, meio de comunicação há décadas caminhando com a corda no pescoço, nos prognósticos mais alarmistas de alguns especialistas, sempre prontos para matar o coitado. Pois de acordo com o último relatório do projeto Inter-Meios, o investimento em mídia publicitária destinado ao rádio cresceu 10,45% de 2012 para 2013. Não era o rádio que ia morrer quando surgiu o MP3 e o Napster se ergueu todo-poderoso? Pois é.

O outro lado: os músicos

Existe um outro ponto desta equação – que, obviamente, são os músicos, aqueles que fazem as canções que são disponibilizadas em streaming ou para download. O quanto eles ganham nesta nova era do conteúdo em nuvem? “Cerca de 70% de toda a receita do Spotify (com taxas de publicidade e assinaturas) vai para os detentores de direitos autorais: artistas, gravadoras, editoras e agregadores de música”, alardeia Diament, com orgulho. “Desde que foi lançado, em 2008, o Spotify já pagou um bilhão de dólares em royalties. Hoje, o Spotify já é a segunda maior fonte de receita do mercado da música digital na Europa, atrás apenas do iTunes”.

É bom que se entenda, no entanto, que o Spotify não tem relações diretas ou contratuais com os artistas. “Nosso relacionamento é com as gravadoras, que pagam o artista de acordo com os termos de seu contrato individual”. No caso de artistas independentes, conforme Diament explica, eles podem escolher trabalhar com o distribuidor que melhor lhes convier para tornar a sua música disponível na plataforma. “Tal como acontece com as gravadoras, esses distribuidores controlam os detalhes de como e quando os royalties serão repassados aos artistas”. Na prática, os músicos/bandas podem fazer upload de seus álbuns para um dos agregadores de música com os quais o Spotify trabalha, que irão negociar o licenciamento das músicas para serviços de música digital como o Spotify. Alguns destes agregadores digitais são nomes como InGrooves, Phonofile, Kontor, IODA e Pomar, cujo objetivo é formatar e entregar o conteúdo de acordo com as especificações solicitadas tanto pelas empresas de streaming quanto por lojas como o iTunes.

No caso do Deezer, o processo é praticamente o mesmo: “Os números variam de artista para artista, uma vez que o acordo é feito direto com as gravadoras. Mais ou menos 70% do nosso faturamento vai para a gravadora e eles repassam para os artistas. Os contratos são confidenciais”, conta Le Roux. Ele faz questão de ressaltar, no entanto, que “proporcionar aos usuários a descoberta de novas músicas e bandas” é uma das características primordiais da Deezer. “Para você ter uma ideia, 50% das músicas escutadas na Deezer foram lançadas há menos de 1 ano e meio, o novo é um conteúdo interessante na Deezer”, diz. Para o executivo, a intenção é que os artistas independentes encontrem na Deezer seu espaço e conquistem o seu reconhecimento. “Neste momento, a Deezer tem dentro da sua plataforma o ‘Deezer Young Guns’, uma disputa entre quatro bandas completamente desconhecidas do grande público sendo escutadas e ganhando fãs de diversas partes do mundo”.

MarceloJeneci

Marcelo Jeneci

Tudo parece muito lindo, não? Pois é. Mas estamos diante de uma realidade que está longe de ser unanimidade entre aqueles que fazem a música acontecer. “A música digital ainda nem faz cócega no meu bolso”, afirmou Marcelo Jeneci, cantor que participou inclusive da coletiva de lançamento do Spotify para a imprensa brasileira, em uma entrevista para o jornal O Estado de S.Paulo. “No momento que alguém compra uma música, o dinheiro passa por muitos bolsos até chegar no bolso do artista. (...) A maior parte do meu faturamento não vem da venda de discos, nem vem do YouTube. basicamente, vem das execuções das minhas músicas nos shows e nas rádios, e da receita que eu tenho fazendo os shows. Na execução digital, fica tanto pelo meio do caminho que eu não senti nenhuma diferença ainda”.

“Essa discussão vai longe!”, confessa Landim, da Randm Records. “Muitos artistas já estabelecidos na indústria reclamam desses serviços alegando que recebem uma pífia porcentagem de royalties. Para nós que somos uma gravadora indie, esses serviços são ótimos, pois colocam nosso catálogo ao lado de todos os outros catálogos dos ‘peixes grandes'”. Para ele, a descoberta musical é muito importante tanto para a gravadora quanto para os artistas, e essas plataformas “são geniais quando se trata de te sugerir um artista que você deve gostar”.

Bandas como Black Keys já manifestaram publicamente seus receios sobre colocar suas músicas em um serviço como o Spotify. Thom Yorke simplesmente pediu a retirada das canções do Radiohead da plataforma. E Sean Kinney, baterista do Alice in Chains, foi ainda mais ácido em sua reação: “Vale lembrar que certos músicos revelaram publicamente os royalties recebidos pela transmissão de suas canções e, em certos casos, a sua música é tocada 10 milhões de vezes, entretanto, o valor recebido é de apenas 111 dólares”.

Para fazer uma espécie de trollagem com o Spotify e mostrar que os questionamentos sobre esta forma de remuneração ainda devem ir longe, a banda independente Vulfpeck – um quarteto norte-americano de jazz instrumental – fez um acordo com seus fãs no começo do ano. Eles subiriam um álbum inédito no Spotify e a base de seguidores do grupo teria que ouvi-lo como se não houvesse amanhã. O dinheiro ganho com os royalties financiaria uma turnê gratuita que passaria pelas cidades que mais ouviram as músicas. Até aí, nada de muito louco? Então. O lance é que o disco se chamava Sleepify, todas faixas eram batizadas como Zzzzzzz e eram apenas e tão somente cerca de 30 segundos de puro silêncio.

“Deixando o disco rodando em modo de repetição durante a noite e tornem seu sono produtivo”, pediam os caras. Em um dado momento, o Spotify percebeu a prática e tirou as músicas do ar. Mas já era tarde. O Vulfpeck angariou cerca de US$ 20 mil. Mas, para chegar neste valor, o disco teve que ser reproduzido mais de 2 milhões de vezes.

Recentemente, em uma página criada especificamente para conversar com os artistas, o Spotify se viu obrigado a entrar em detalhes sobre esta distribuição. Considerando todas as variáveis (incluindo um percentual de popularidade que é, basicamente, a quantidade de streams de um artista sobre a quantidade de streams total de todo o Spotify), eles chegaram a uma média geral de pagamento entre US$ 0,006 e US$ 0,0084 por stream.

“Existem muitos serviços de streaming que garantem aos usuários acesso a qualquer tipo de música gravada no planeta, mas para todos envolvidos no processo de composição, é um grande roubo”, finaliza Kinney.

“O fã mudou. A música mudou. O mercado mudou. O consumo mudou. O mundo mudou. Se você não mudar também, camarada, prepare-se para virar peça de museu”, escrevi eu mesmo, certa vez, aqui no JUDÃO. “Não mudaram só os fãs de música, por sinal, mas de tudo que tem a ver com entretenimento. Os fãs de cinema, de séries de TV, de histórias em quadrinhos também mudaram demais”.

A verdade é que eu, como fã de música, também mudei bastante. Eu baixo muita música? Claro que baixo, não nego. Tenho usado muito as plataformas de streaming, mas não abandonei o MP3 no meu iPod, sorry. Só que, eis o pulo do gato: quando se trata de uma das bandas que gosto demais, aquelas que coleciono, é certeza absoluta que vou comprar o CD. Quando eu arrisco uma banda que não conheço e gosto do que ouço, olha só, lá estou eu num site de comércio eletrônico ou na Galeria do Rock (quem é de São Paulo, vai entender exatamente do que estou falando) para garantir a minha cópia física.

Dá pra fazer tudo ao mesmo tempo e conviver bem com isso. Eu arriscaria dizer, inclusive, que sou o sonho de consumo da indústria fonográfica. Mas de uma indústria que sabe o que quer. Porque eu, como fã de música, sei exatamente o que quero.