A nada surpreendente relação entre embargos e o resultado do Rotten Tomatoes | Judão

Como toda regra, existem exceções. Mas… :D

Estivesse você acordada às 3am dessa quarta-feira, teria reparado numa certa enxurrada ao longo da sua timeline de resenhas de It – A Coisa, que estreia nesse mesmo fim de semana no Brasil e em algumas partes do mundo.

É que, às três horas do sexto dia do nono mês do doismiledezessetésimos ano de nosso senhor, acabou o tal do EMBARGO — um, vamos dizer assim, contrato que quem assiste ao filme com antecedência nas exibições para imprensa assina, sem muita opção, se comprometendo a não emitir nenhuma opinião sobre o filme até um horário pré-estabelecido.

Nesse tal de jornalismo cultural, de cinema, só um lado pensa em fazer jornalismo. O outro tá realmente vendendo um produto... Mas isso é papo pra outro dia.

O fato é que o tal do embargo, embora não seja uma ciência exata, tem algumas razões de existir. Por exemplo, com ele, o estúdio consegue controlar mais de ONDE e COMO vem as resenhas, sem precisar caçá-las ou se preocupar com elas enquanto tem alguma outra coisa pra fazer. Mas, com ele, os estúdios também costumam evitar que muita coisa seja publicada antes do lançamento do filme, ESPECIALMENTE quando há um certo medo ou a mais absoluta falta de confiança.

O Mashable fez um gráfico com 27 filmes lançados esse ano que tinham algum tipo de embargo, comparando com o resultado geral no Rotten Tomatoes, o agregador de críticas que uma galera ainda acha que é pago por estúdios ou inimigo de quem faz filmes. E adivinha só o resultado? :)

Nenhum filme cujo embargo caiu com menos de 2 dias e 7 horas para a estreia nos EUA foi considerado “Fresco” no Rotten Tomatoes (o que significa que teve mais de 60% das críticas positivas). No geral, inclusive, quanto menor o espaço entre o fim do embargo e a estreia, menor o resultado — Emoji Movie, por exemplo, cujo embargo caiu 4h antes da estreia, marca 8% no “tomatômetro”. Transformers 5, aquele enorme monte de cocô, conseguiu 15% no tomatômetro, sendo que o embargo só acabou no dia da estreia.

Claro, existem exceções. No lado de cima do gráfico, Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar, cujo embargo acabou 3 dias e 10 horas antes da estreia, marca 30% apenas no tomatômetro. Baywatch, cujas resenhas puderam ser publicadas 2 dias, 18 horas e 59mins antes da estreia, marcou apenas 18%. “Por quê?”, você talvez me pergunte... Bom, a resposta é realmente simples: os dois filmes têm respectivamente 64% e 60% de aprovação do público.

Os estúdios sabem que Piratas do Caribe é uma franquia que vai ser assistida, independente de qualquer coisa... Assim como filmes com The Rock. É como se não se importassem com isso. (Transformers 5, milagrosamente, teve “apenas” 48% de aprovação do público).

MAS, porém, contudo, entretanto, todavia, esse gráfico foi publicado ONTEM, antes do fim do embargo de It – A Coisa, que acabou 1 dia e 17 horas antes da estreia do filme lá nos EUA (aqui no Brasil, por estrear na quinta-feira, as coisas são sempre diferentes. A Múmia, por exemplo, foi exibido na noite de quarta, nem tendo tempo pra um embargo). E, bom, temos a primeira exceção na parte de baixo da tabela: ainda que não tenha sido “certificado como fresco”, no momento em que eu escrevia isso, a adaptação da história de Stephen King tinha 91% de aprovação no tomatômetro.

Só como comparação: Planeta dos Macacos – A Guerra, o filme cujo embargo acabou mais cedo, tem uma pontuação de 93%.

Nós já gravamos todo um podcast sobre o “problema” do Rotten Tomatoes e talvez fosse o caso de você ouvir pra entender um pouco melhor como é que funciona e pra que serve, inclusive o trabalho de um crítico de cinema. Mas, em resumo: não é só porque o resultado no agregador é ruim que você não deve assistir a um filme e, principalmente, não é só porque um filme é ruim que você não deve gostar dele.

Mas, quando o tempo entre o fim do embargo e a estreia do filme for muito curto, talvez seja o caso de se assustar um pouco sim... Ou torcer pra ser só uma exceção à regra. :)