Netflix no cinema? Problema resolvido. Literalmente. | JUDAO.com.br

Pra quem tava reclamando, olha aí a solução à vista…

Há algum tempo, circula na indústria cinematográfica que o Netflix estaria interessado em ter um cinema para chamar de seu — pois parece que agora isso está REALMENTE prestes a acontecer.

Segundo o Deadline, o serviço de streaming está em negociações com a American Cinematheque para comprar o histórico Egyptian Theatre, um dos palácios do cinema em Hollywood e o que seria a primeira aquisição de um cinema por parte da empresa.

Inaugurado em 1922 pelo empresário Sid Grauman – também responsável pela criação do icônico Chinese Theatre anos depois -, o prestigiado cinema foi palco da primeira pré-estréia de Hollywood com o lançamento de Robin Hood, dirigido por Allan Dwan e escrito, produzido e protagonizado por Douglas Fairbanks.

Com o declínio de Hollywood em 1980 e início de 1990, o Egyptian perdeu espaço para o Chinese Theatre e caiu em desuso, sendo fechado em 1992. Em 1996, a cidade de Los Angeles vendeu o cinema para a American Cinematheque pelo simbólico valor de US$ 1, com a determinação de que o edifício histórico fosse restaurado à sua grandeza original e reaberto como um cinema.

Sendo uma organização independente sem fins lucrativos dedicada a preservar e celebrar imagens em movimento de qualquer espécie, a American Cinematheque comprometeu-se em angariar fundos para pagar pela restauração e usar o cinema como sede da sua programação de exibição pública de filmes. Após uma reforma de US$ 12,8 milhões, o Egyptian foi reaberto em 1998 com a adição de uma segunda sala com um interior mais moderno e o exterior completamente restaurado para manter sua aparência original de 1922.

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Nenhum valor oficial foi revelado, mas o site afirma que a compra estaria na “casa das dezenas de milhões de dólares” e o acordo seria benéfico para ambas as partes. Se a negociação for realmente concluída, a organização sem fins lucrativos estaria em uma posição financeira mais firme e continuaria exibindo suas programações cinematográficas de filmes raramente vistos nos EUA e no exterior, além de palestras e festivais nos finais de semana. Assim como diversas organizações, a American Cinematheque – que tem Ted Sarandos, diretor de conteúdo do Netflix, como um dos membros do conselho, olha só – ficou sem dinheiro nos últimos anos.

Já as noites de segunda a sexta estariam reservadas para uma programação completamente do Netflix, dias em que produções originais de maior destaque ganhariam exibição em tela grande, com toda a pompa e circunstância.

Essa compra dificilmente significaria uma mudança de negócio pra turma de Los Gatos, é bom dizer. Nada de achar que eles vão sair comprando cinema atrás de cinema e investindo nisso aí. Atualmente, o streamer não negocia com grandes cadeias de cinema por não seguir um modelo tradicional de distribuição cinematográfica, então suas produções são exibidas em cinemas independentes de Los Angeles, como o IPIC e o Landmark, o maior circuito independente dos EUA.

Isso, porém, daria ao Netflix um lugar muito privilegiado durante a temporada de premiações e em outras épocas do ano sem precisar entrar no mercado tradicional e reservar espaços – cada vez menores – nos cinemas. Enquanto os concorrentes se espremem em calendários, a empresa teria um cinema apenas para ela. Imagina uma grande première de The Irishman no Egyptian Theatre...?

Além de ter seu próprio espaço para suas produções sem depender de qualquer outro acordo, essa compra não deixaria de ser uma mensagem política muito clara para a comunidade cinematográfica de Hollywood, que definitivamente gosta de qualquer pessoa ou grupo que esteja envolvido na preservação e na tradição da indústria.

Entregando a opção de uma exibição cinematográfica tradicional, a empresa também ajuda a preservar um dos cinemas mais importantes de Hollywood. Mesmo representando o futuro – ou o presente -, o Netflix dá mais um passo ao mostrar que se importa com cinema... do seu jeito.