A história do crossover da Turma da Mônica com a Liga da Justiça | Judão

Batemos um papo com o diretor de licenciamento da Mauricio de Sousa Produções pra tentar saber um pouco mais sobre o encontro entre a Liga da Justiça e a Turma da Mônica

Alguns anos atrás, numa entrevista que fizemos com Mauricio de Sousa, além de nos falar sobre o projeto que um dia se tornaria a bem sucedida linha Turma da Mônica Jovem, ele também contou que, por volta de 2007, quando fechou a parceria com a Panini para distribuir os gibis da turminha, chegou a alimentar o sonho de fazer uma história do Homem-Aranha localmente, na própria MSP. Afinal, tava tudo em casa, dentro da mesma editora, né?

Porém, o foco em outros projetos, como as Graphic MSP, acabaram deixando a ideia de lado. Mas o Mauricio nunca deixou de pensar nisso. Até que enfim aconteceu — mas não com o Homem-Aranha e/ou com qualquer herói da Marvel, mas sim com a Liga da Justiça, da DC Comics. “A gente faz, por exemplo, os Clássicos do Cinema, que são essencialmente paródias, e sempre rolaram estas brincadeiras com os nomes trocados como Batmão, o Superomão, o Homem-Aranho...”, relembra Rodrigo Paiva, diretor de licenciamento da Mauricio de Sousa Produções. “Mas claro que sempre foi a vontade do Mauricio fazer uma coisa de verdade mesmo, oficial, um crossover completo e pra valer”.

Pois é: durante a 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, foi anunciada a parceria entre MSP, DC Entertainment pra um crossover oficial envolvendo os personagens da Liga da Justiça e a galera do Bairro do Limoeiro, em edições que rolarão em Dezembro de 2018 e Janeiro de 2019 — tanto com a turminha clássica quanto com a Turma da Mônica Jovem.

Rodrigo conta que, neste caso, foi a Panini que intermediou a negociação. Só que este papo já rolava com eles tem um tempo, toda vez que as comitivas da MSP e da DC se cruzavam nas principais feiras do mundo, como a de licenciamento em Bolonha, na Itália, e também na Feira do Livro em Frankfurt, na Alemanha. Mas só ficava aquele papo de ‘ah, vamos fazer alguma coisa’, tipo você e seus amigos querendo marcar uma balada. Nunca tinha rolado nada concreto... até agora.

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Parte do interesse, claro, se deveu à reação positiva do chamado público mais “geek” que cresceu lendo os gibis da turminha, migrou pros super-heróis mas pirou com produtos licenciados lançados durante a Comic Con de São Paulo, como camisetas exclusivas, nos quais o Cebolinha assumia o seu Neld Plide, por exemplo (o que, em 2018, parece bastante questionável, mas divagamos).

“A empresa faz 60 anos no ano que vem, né? Já são quatro gerações que aprenderam a ler com nossos gibis”, relembra. “E sabemos que o público nesta pegada mais nerd/geek sempre imaginou um tipo de encontro como este”. Ele reforça ainda que, claro, aqui no Brasil a gente sabe da representatividade do Mauricio, da sua criatividade, do quanto a Turma da Mônica representa pro leitor do nosso país — mas que o Mauricio também é um grande case internacional, as grandes editoras conhecem o tamanho do trabalho dele e se espantam com seus números. “Os executivos já conheciam o histórico do Mauricio, o quanto a Turma é conhecida e vende aqui no Brasil. Só juntou a fome com a vontade de comer”.

Bom, então como vai ser o negócio? As edições de dezembro das revistas mensais Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali, Chico Bento e Turma da Mônica terão estas aventuras em conjunto como a principal história da edição, além de ocupar o espaço da capa, claro. Já no caso da Turma Jovem, estamos falando de duas aventuras completas nas edições de Dezembro e Janeiro.

Todo o processo editorial tá sendo capitaneado pela MSP, os roteiros e os desenhos, tá saindo tudo daqui. “E o traço dos personagens da Liga, claro, vai mudar para acompanhar os universos nos quais cada história de passa. Mais infantil com a turminha clássica, mais o nosso tipo de mangá quando for com a Turma Jovem”.

Mas ele reforça que TUDO é aprovado lá fora. “E aprovado em muitas instâncias, é um processo bastante rigoroso. E também muito semelhante ao que fizemos com os personagens do Osamu Tezuka”. Vale lembrar, aliás, deste momento, lá em 2012, quando na edição 43 da Turma da Mônica Jovem, os personagens brasileiros se encontraram com Astro Boy, Kimba (o leão branco) e Safiri (de A Princesa e o Cavaleiro).

Neste primeiro momento, serão apenas e tão somente histórias de turmas: não teremos agora histórias individuais, tipo Cascão meets Aquaman. “Vai ser mesmo Liga da Justiça encontra o Bairro do Limoeiro”. Mas, mesmo sabendo que existe uma enorme burocracia por trás de tudo, Rodrigo demonstra bastante empolgação sobre o futuro. “Não fazemos ideia do que vai acontecer com isso daqui pra frente. Seria simplesmente incrível, claro, ter por exemplo uma camiseta que mistura os dois universos de personagens, já pensou?”.

Um gostinho vai ser sentido em dezembro, já que o lançamento oficial das revistas vai ser na Comic Con de São Paulo, no final do ano. “E é a receptividade disso é que vai definir o futuro. Vamos divulgar as capas antes, mas é lá que vamos divulgar as histórias, as tramas. E aí vamos jogar pro público. O que vocês gostariam de ver desta união?”.

O mais legal é saber também qual foi o impacto que a notícia teve LÁ DENTRO dos estúdios da Mauricio de Sousa Produções. Afinal, tem um batalhão de quadrinistas, tanto roteiristas quanto desenhistas, que são tão leitores e fãs de gibis quanto A GENTE, tendo crescido lendo as histórias da DC. “Foi muito legal. Teve gente tremendo, gente gaguejando. Porque uma coisa é você só fazer umas ilustrações de personagens que você ama. E outra é fazer oficialmente, do início ao fim, uma história com aprovação dos caras. ‘Você tá brincando que eu vou poder fazer isso?’, eles diziam”.

O executivo diz que, sim, tem um bando de nerds trabalhando lá dentro, especialistas absolutos nos personagens da DC, e às vezes são mais conservadores e rigorosos em algumas coisas do que a própria turma que aprova lá fora. “Depois de tantos anos lendo, eles sabem todas as políticas, o que pode ou não fazer com cada herói, a personalidade, o visual...”. E ele ainda conta que, no meio deste processo de produção, o trabalho dos times locais já tá sendo elogiado pelos caras lá de fora.

“Pô, este anúncio é motivo de orgulho não só pra MSP, mas pro mercado brasileiro como um todo, né?”, empolga-se ele, ainda mais. “Nossos artistas tão fazendo um trabalho que não deixa nada a dever pra nenhum outro no mundo. Já tem gente aqui do Brasil trabalhando pra Marvel, pra Disney, claro. Mas isso só prova que a gente consegue fazer de tudo, da Turma da Mônica até os heróis da DC, sempre com qualidade”.

No entanto, a gente não podia deixar de perguntar sobre ELE, o grande super-herói da turminha do Limoeiro, o Capitão Pitoco. Astro dos gibis que o Cascão sempre tá lendo, por exemplo. Será que o justiceiro mascarado oficial da MSP vai ser convidado pra este rolê com os colegas de trabalho famosos da DC? Rodrigo gargalha, mas depois responde (ou não), em tom de mistério: “Cara, isso é uma ÓTIMA pergunta. Mas esta eu não posso responder, vamos ter que esperar o final do ano”.