Novo crossover do Arrowverse promete uma viagem pelo Túnel do Tempo... com uma pitada de Crise | JUDAO.com.br

O título do megaevento anual das séries DC do canal CW, claro, remete ao famoso selo da DC. Mas a confirmação de um certo outro personagem, que faz todo o sentido, pode dar um tempero diferente a esta história…

Se tem um Flash envolvido, geralmente tem uma Crise a caminho. Esta costuma ser uma regra que não falha na DC Comics desde o megacrossover Crise nas Infinitas Terras, aquele que entre 1985 e 86 tentou arrumar a zona de multiversos e realidades paralelos que pairava sobre a editora. E desde que aquela capa do jornal The Central City Citizen, datada de 2024, apareceu na primeira temporada da série atual do velocista escarlate, isso quatro longos anos atrás, uma manchete chamou bastante a atenção dos espectadores mais atentos: Flash Missing, Vanishes in Crisis.

A palavra “crise” nunca é usada de maneira leviana em qualquer parte do Universo DC — junte a isso o Barry Allen bagunçando as linhas temporais pra ter especulações sendo alimentadas sobre a possibilidade de uma Crise de verdade acontecer no Arrowverse. E como o conceito de terras paralelas já sendo amplamente usado, principalmente, nas tramas do Flash, o palco tá montado.

Tinha gente que arriscava que ia rolar na edição 2017 do já clássico crossover entre as séries DC do canal CW, justamente pelo título Crisis on Earth-X. No fim, tudo que apareceu foi só uma realidade paralela, repleta de nazistas pra levar soco na cara. Foi divertidíssimo, aliás.

Só que este ano parece que a tal crise em múltiplos planetinhas azuis parece estar se desenhando de um jeito que a gente ainda não tinha visto até agora. Até o momento, a gente só sabia que os Legends of Tomorrow foram oficialmente liberados do serviço desta vez, já que o crossover se dará apenas entre Arrow, The Flash e Supergirl. E, claro, que os produtores finalmente realizarão seu sonho molhado de trazer Gotham City pro Arrowverse com a inclusão da Batwoman, a ser vivida pela atriz Ruby Rose e já com uma série própria devidamente prometida.

Mas nesta quarta (26), quando as redes sociais dos programas publicaram o pôster abaixo, que anuncia oficialmente não apenas as datas do crossover mas também o seu título, muita coisa ficou clara e um tanto de outras gritaram whaaaaaat. Tamos falando de Elseworlds.

Conhecido por aqui como Túnel do Tempo, uma tradução bastante infeliz, basicamente o selo Elseworlds da DC, surgido como uma iniciativa editorial em 1989, foi uma forma que a editora encontrou de reagrupar debaixo de um mesmo guarda-chuva todas as histórias não-canônicas, que não fazem parte de sua cronologia oficial. A parada começou com Um Conto de Batman – Gotham City 1889 – ou, como é o título original, Gotham by Gaslight. A ideia da história foi reimaginar como seria o Batman 100 anos antes, na Era Vitoriana, com uma pegada bem steampunk e noir, enquanto o Cavaleiro das Trevas investiga ninguém menos do que Jack, o Estripador.

Até 2003, o selo publicou mais de uma centena de histórias diferentes, com ambientações futuristas, cyberpunk, no Japão feudal, em plena Guerra da Secessão ou na Segunda Guerra Mundial, brincando com livros como Frankenstein, Drácula, Guerra dos Mundos e O Médico e Monstro; com musicais como O Fantasma da Ópera, com contos mitológicos como o do Rei Arthur e a clássica galeria de monstros de Lovecraft; e até subvertendo a ordem natural das coisas ao mostrar como se seria se o Superman na verdade fosse um bebê enviado da Terra moribunda pra Krypton ou então se Bruce Wayne se tornasse o Lanterna Verde da Terra.

Mesmo clássicos como Superman: Entre a Foice e o Martelo, O Reino do Amanhã e Liga da Justiça: O Prego são de alguma forma considerados Elseworlds — o selo que chegou a ensaiar uma volta em definitivo no ano de 2009, com o logo característico e tudo, mas acabou durando pouco. De qualquer maneira, alguns dos conceitos de suas muitas histórias acabaram sendo incorporados à cronologia oficial, por mais que, pós-Novos 52, a editora tenha tentado arrumar a casa novamente com uma nova ideia de mundos paralelos que refletem fielmente algumas das publicações dos Elseworlds.

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Basicamente, o tema aqui são terras alternativas, diferentes realidades. E isso é algo com o qual o Arrowverse flerta desde sempre. Basta lembrar da quantidade de Harrison Wells de Terras diferentes que já passaram pelo #TeamFlash nos Laboratórios STAR. Ou então da Black Siren, a Canário Negro maligna da Terra-2, que passou a última temporada infernizando a vida do Arqueiro Verde. Ou ainda o fato de que a National City da Supergirl não fica na mesma Terra-1 de Star City e Central City, mas sim numa tal Terra-38. Ela mesma acaba viajando entre dimensões, graças a um aparelhinho criado pelo brilhante Cisco Ramón, para viver aventuras ao lado dos amigos heroicos.

Por mais que Gotham City e demais referências similares (tipo o nome do próprio Bruce Wayne sendo mencionado, além da aparição de alguns de seus vilões clássicos) tenham sido mencionadas tanto por Oliver Queen e sua trupe quanto por Kara Danvers — dando a entender, portanto, que a cidade e seu defensor morcego podem existir tanto em uma Terra quanto na outra — será que a Batwoman que vai aparecer é da Terra-1, da Terra-38 ou de alguma OUTRA Terra que ainda não conhecemos? Talvez uma na qual Bruce nunca se tornou o Batman, por exemplo? E sim, a gente sabe que o Superman vivido por Tyler Hoechlin vai reaparecer, assim como veremos a primeira aparição da Lois Lane, a ser interpretada por Bitsie Tulloch. Mas quem garante que eles serão mesmo Lois e Clark do mesmo mundo da Supergirl?

E o que a confirmação de que a esposa de Stephen Amell em pessoa, Cassandra Jean Amell, viverá Nora Fries, o amor da vida do vilão Senhor Frio, pode querer dizer? Talvez muito, talvez nada. ;)

De qualquer forma, você deve estar se perguntando onde está a Crise nesta história toda, por mais que realidades paralelas já estejam garantidas como parte do crossover. Bom, a Crise está no anúncio de que LaMonica Garrett (o Cane de Sons of Anarchy) vai interpretar ninguém menos do que Mar Novu, o Monitor, um personagem absolutamente central de Crise nas Infinitas Terras.

Criado em 1982, ele era essencialmente uma resposta da DC ao Vigia da Marvel, um ser onisciente que observa todo o universo em seus múltiplos desdobramentos. Tudo começou bilhões de anos atrás, quando um cientista de nome Krona, do planeta Maltus (o planeta original dos Guardiões, da Tropa dos Lanternas Verdes, antes de se mudarem pra Oa), começou a fazer uma série de experimentos que lhe permitissem testemunhar o nascimento de toda a criação. Como resultado de suas ações, ele acabou sendo responsável pela criação do multiverso, desencadeando infinitos universos paralelos que foram trazidos à existência vivendo lado a lado, separados apenas por minúsculas diferenças vibracionais — mas nenhum deles tão forte quanto o original.

O Monitor nasceu aparentemente como a cristalização de toda a energia positiva destes universos — mas, ao mesmo tempo, em Qward, a contraparte de Oa no universo de antimatéria, nascia um ser conhecido como Antimonitor. Seu objetivo? Devorar toda a vida e destruir completamente o multiverso. Ambos batalharam durante milhões de anos nas barreiras entre dimensões, até que as ações de um cientista chamado Pária, tentando replicar as ações de Krona, iniciou uma reação em cadeia que destruiu seu próprio universo e acordou tanto o Monitor quanto o Antimonitor, fazendo com que os poderes do segundo se ampliassem. Conforme a onda de antimatéria do vilão começou a se aproximar das Terras do multiverso, o Monitor entrou em ação, pedindo a ajuda dos heróis terrestres para resistir à destruição que se encaminha. No fim de tudo, os universos se juntam num só, totalmente reformulado e reorganizado.

Claro, a gente sabe que esta parada toda não duraria pra sempre, já que além de termos tido outras duas crises depois (Crise Infinita, entre 2005 e 2006, e Crise Final, entre 2008 e 2009), o multiverso voltou, tivemos os Novos 52, 52 novas Terras, 52 novos Monitores funcionando como um coletivo pra tentar impedir novas Crises e até uma nova origem pro Monitor original — que era, na verdade, uma espécie de sonda, criada por uma entidade incorpórea maior chamada Overmonitor, mas que acabou se fundindo em duas partes, um ser de pura bondade e outro de pura maldade.

Um ponto importante aqui: o Monitor usava, como sua enviada, uma espécie de Surfista Prateado, uma heroína chamada Precursora. A jovem, salva da Terra como a única sobrevivente de um naufrágio, era uma espécie de assistente que ajudava a testar os heróis, preparando-os para a batalha contra o Antimonitor. E a identidade original dela é... Lyla Michaels. Pra quem acompanha o Arrowverse, claro, o nome é familiar, porque estamos falando da líder do ARGUS e esposa de John Diggle, sempre dando aquela força pro #TeamArrow quando consegue. Ela até chegou a usar na quinta temporada o codinome Harbinger, nome original da Precursora em inglês? Será que isso pode significar alguma coisa?

Aliás, a gente pode ampliar aqui a pergunta. Isso TUDO pode significar, portanto, que o Arrowverse está prestes a passar por um reboot, que todas as Terras que já apareceram nas séries serão engolidas e feitas uma só? Que, exatamente como acontece no gibi original, teremos a morte da Supergirl e do Flash? Bom, tudo leva a crer que não. Afinal, lembre-se de que a adaptação que a série do rapidinho fez pra Flashpoint/Ponto de Ignição, por exemplo, só bebeu da fonte original, mas preferiu seguir seu próprio caminho — e ainda bem por isso.

No fim, isso que parece ser um combo de Crise nas Infinitas Terras com Elseworlds é mais uma prova de que os produtores do Arrowverse, goste você ou não do trampo que eles vêm fazendo nestes últimos sete anos, sabem bem que brinquedos têm na caixinha e como podem brincar com eles, explorar possibilidades criativas sem precisar sofrer, se divertindo com elas. É sobre ISSO que a gente fala quando diz que, talvez, os cinemas da DC devessem se inspirar na TV da DC.

Pode mandar mais crise que tá pouco, galera do Berlanti! ;)