Novo filme de Woody Allen tem estreia cancelada e diretor vai tirar férias (forçadas) | Judão

O diretor, que lança um filme por ano desde 1974, vai dar uma pausa (forçada) na carreira. Já tava na hora, né?

Woody Allen sempre foi um cara que lidou de maneira muito cínica com as acusações de abuso que sua filha, Dylan Farrow, fez sobre ele. A primeiríssima vez em que ela fez as acusações foi aos SETE anos, em 1992, e ele foi inocentado na época depois de algumas investigações. Mas aí, em 2014, Dylan veio a público falar sobre isso, em um artigo do New York Times. Lá, ela contou sobre quando os episódios começaram, falou sobre o local onde aconteciam e as ações do pai. Você pode ler os detalhes no artigo original, se quiser. Preferi não colocá-los aqui por serem gráficos demais.

Allen resolveu se defender e, também ao NYT, escreveu uma carta aberta. Ali, disse que tudo o que rolou nos anos 90 era uma invenção da cabeça de Mia Farrow, mãe das crianças e ex-esposa dele. Segundo Allen, seria um plano para afundar sua carreira após um término doloroso. E ele diz que foi inocentado JUSTAMENTE porque os policiais perceberam que Dylan teria sido influenciada por sua mãe. O texto inteiro tem um tom um pouco debochado, desdenhoso. Pontuou chamando a situação de “falsa e vergonhosa”. Foi difícil de engolir na época (e ainda é), mas a polêmica foi diminuindo e a mídia deixou pra lá.

Pula pra 2017. O #MeToo surgiu, começou aquela explosão ENORME de denúncias e algumas coisas que já tínhamos ouvido falar ressurgiram. Entre elas… o caso de Dylan. E enquanto o assunto esquentava, Woody Allen, ao comentar sobre o movimento, falou que até enxergava benefícios, mas que era preciso tomar cuidado para que não virasse uma CAÇA ÀS BRUXAS. “Você não quer que isso tenha uma atmosfera de Salem, onde cada homem em um escritório que pisca para uma mulher precise, de repente, ligar para o seu advogado”.

Ao mesmo tempo, Dylan voltou a falar sobre isso com tudo. Ao LA Times, escreveu sobre como o movimento parecia poupar Allen. Em Janeiro deste ano deu um passo ainda maior e foi à TV contar novamente o caso todo. Tudo de maneira muito detalhada e explicando, inclusive, que sua mãe esteve ao seu lado durante todo esse tempo. “Eu não entendo como essa história maluca sobre eu ter sido influenciada pela minha mãe poderia ser mais admissível do que as minhas denúncias de assédio sexual contra o meu pai”, afirmou.

Hoje em dia praticamente todos os grandes portais e grupos de mídia do Brasil cobram pra que você possa ler seus conteúdos. O JUDAO.com.br continua produzindo conteúdo de graça pra todos, de forma independente, em diversas mídias, e vai fazer isso pra sempre. Mas não tá fácil pra ninguém.

Nunca o JUDAO.com.br foi tão lido em toda sua história, mas anúncios estão desaparecendo, o Facebook não deixa ninguém sair de lá e nós dependemos cada dia mais dos nossos leitores, ouvintes e espectadores pra financiar a produção de todo esse conteúdo sobre cultura pop que é bem raro na internet Brasileira. Se todo mundo que gosta, compartilha e/ou comenta contribuir, o nosso futuro estará garantido. Vamo?

Conheça nosso projeto e assine a partir de R$10 / mês. :)

Só que dessa vez as pessoas começaram a ouví-la de verdade. Rebecca Hall, Griffin Newman e Timothée Chalamet contaram que doariam o cachês que ganharam no último filme de Allen, A Rainy Day In New York, para instituições que cuidam de vítimas de violência sexual. Chalamet ainda disse que “estou aprendendo que um bom papel não deve ser o único critério para aceitar um trabalho – e isso ficou muito claro nos últimos meses.”

No filme, aliás, de acordo com o Page Six, há uma cena de sexo entre uma adolescente de 15 anos (Elle Fanning) e um homem de 44 (Jude Law). Cereja no topo do bolo, né?

Aí, nessa semana, meses depois de ter perdido OUTRA chance de ficar quietinho ao dizer que, por seu histórico “perfeito” com atrizes merecia ser o garoto-propaganda do #MeToo, o diretor se viu forçado a fazer a primeira pausa na sua carreira em mais de QUATRO DÉCADAS. Segundo o Page Six, “Woody ama trabalhar. Ele nunca tira férias. Mas ele vai dar um tempo esse ano até que consiga encontrar alguém pra financiar”.

Pra acompanhar essa pausa, uma outra notícia apareceu: aquele último trabalho, A Rainy Day In New York, pode NUNCA ser lançado.

O longa foi produzido pela Amazon Studios, que já havia trabalhado com ele antes em Roda Gigante e tem um contrato para outros três filmes — ainda que, de acordo com o THR, esteja considerando rescindir tudo. A empresa está desesperada por conteúdos, mas ainda assim resolveu engavetar um filme que custou US$ 25 Milhões e, agora, o filme não tem mais previsão de estreia (inicialmente, chegaria no fim desse ano aos cinemas).

O motivo pra estreia ser cancelada? “Woody sempre conseguiu ótimos atores. Estrelas trabalhavam pra ele porque os dava prestígio, mas com o movimento #MeToo, ele é tóxico”, afirmou um produtor, que não quis se identificar, ao Page Six. É isso: Woody Allen, agora, é uma presença tóxica e, além de ver grandes astros se distanciando de alguma maneira dos seus projetos, está vendo os donos do dinheiro fazendo o mesmo.

Bem... Demorou, né?

A gente CUSTOU a fazer Allen viver consequências, mesmo que brandas como essas, porque ele tem toda essa COISA de diretor importante, lenda viva, pipipi pópópó. Eu sei, é amargo descobrir que um grande nome é na verdade alguém BEM escroto que usa a narrativa da “ex-esposa louca” pra tirar o seu da reta. Mas confia em mim: a dor, o medo de Dylan e a eterna culpabilização da vítima são coisas muito, muito piores do que deixar de ver uns filmes aí.