O ano mal começou e as redes sociais já fizeram sua primeira vítima | JUDAO.com.br

Will Poulter, o Colin de Bandersnatch, resolveu abandonar as redes sociais depois de passar cerca de uma semana lendo pessoas comentarem sobre a sua aparência física.

“Masculinidade tóxica é uma descrição estreita e repressiva da masculinidade que a designa como definida por violência, sexo, status e agressão, é o ideal cultural da masculinidade, onde a força é tudo, enquanto as emoções são uma fraqueza; sexo e brutalidade são padrões pelos quais os homens são avaliados, enquanto traços supostamente ‘femininos’ – que podem variar de vulnerabilidade emocional a simplesmente não serem hipersexuais – são os meios pelos quais seu status como ‘homem’ pode ser removido” é a definição da Wikipedia replicada em diversos outros textos, pra “masculinidade tóxica“. “Alguns dos efeitos da masculinidade tóxica estão a supressão de sentimentos, encorajamento da violência, falta de incentivo em procurar ajuda, perpetuação da cultura do estupro, homofobia, misoginia, racismo e machismo”.

“Em uma meta-análise de 78 estudos, incluindo 19.453 participantes, pesquisadores da Indiana University Bloomington e a Nanyang Technological University, em Cingapura, encontraram associações modestas mas negativas entre um número de normas masculinas e resultados de saúde mental. Essas normas sociais ‘masculinas’ incluíam o desejo de ganhar, a necessidade de controle emocional, comportamentos de risco, violência, dominância, promiscuidade sexual, auto-suficiência, alta importância atribuída ao trabalho, poder sobre as mulheres, desprezo pela homossexualidade e busca por status. As três normas que os pesquisadores descobriram ter os efeitos negativos mais consistentes sobre a saúde mental dos homens foram a auto-suficiência, a busca por promiscuidade sexual e poder sobre as mulheres.”

Eu não sei o que é que veio primeiro, o machismo ou a masculinidade tóxica, mas meio que não importa. A masculinidade tóxica só existe por conta do machismo, que continua existindo por conta da masculinidade tóxica e assim vai, se espalhando e atingindo literalmente todo mundo, não importa gênero, não importa identidade, cor, orientação, muitas vezes como piada, muitas vezes como arma contra esse mesmo machismo.

Pisar em machista é bom, mas usar do machismo pra isso não faz nenhum sentido. Atinge quem não tem nada a ver, atinge quem tem problemas com o próprio corpo e ainda quebra a ideia de que não se trata de um contra o outro e sim todos a favor de um.

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No final do ano passado estreou Bandersnatch, o jogo de Black Mirror, no Netflix. Parecendo mais aquele meme do Homem-Aranha apontando pro Homem-Aranha (assistam a Homem-Aranha no Aranhaverso, por falar nisso!), a história questiona o livre arbítrio em tempos tecnológicos — o que não importa pra gente nesse momento. Um dos personagens principais, Colin Ritman, é interpretado por Will Poulter, um ator de 25 anos que, desde então, passou a ler nas redes sociais infinitas pessoas dizendo diretamente pra ele o que pensam sobre sua face.

“Como todos sabemos há um equilíbrio que precisamos encontrar nas redes sociais. Há muitas coisas positivas pra curtir, e inevitáveis coisas negativas que é melhor evitar”, disse o ator no seu tweet de despedida. “É um equilíbrio com o qual eu tenho lutado bastante e, pelo bem da minha saúde mental, eu sinto que é o momento de mudar meu relacionamento com as redes sociais”.

Muita gente citou o fato de ele ser um ser humano com consciência social que foi atacado e etc., mas meio que não importa. Qual é exatamente a necessidade de chegar pra uma pessoa, do nada, e dizer que ela é feia, que isso e aquilo? O que de bom isso traz pra quem diz? Não há nada, NADA que pudesse ser dito pro cara além disso?

Não dava só pra postar na própria timeline, se é algo que tava chegando a machucar por ficar guardado?!

Não é só porque o cara é um homem branco que ele não pode ter problemas com o corpo ou se incomodar com o que dizem sobre ele na internet. Pensar diferente disso é perpetuar a toxicidade masculina, o machismo. Por mais “reparação histórica” que seja, por mais que já tenham sofrido tanto ou mais, não dá pra ser sommelier de sofrimento alheio. Isso só faz de você um cuzão, por melhor que sejam suas intenções.

E isso é Black Mirror pra caralho.