O Batman Steampunk vai virar filme animado | Judão

Gotham by Gaslight – ou Gotham City 1889 – uma das graphic novels mais importantes do Homem-Morcego, é o próximo filme animado da DC

Criativamente falando, a virada da década entre os anos 1980 e 1990 foi extremamente criativa para a DC Comics. Ok, rolaram sim seus erros e excessos, mas ninguém pode negar que a editora tentou. E, entre todos os acertos, está o selo Vertigo e um negócio chamado Elseworlds – ou Túnel do Tempo, como foi chamado na época aqui no Brasil. Basicamente, tamos falando de histórias fora do cânone da editora, trabalhando com os personagens em diferentes períodos históricos ou ainda mudando / brincando com a cronologia, numa pegada quase como o What If...? da Marvel.

Quase 30 anos depois, eis que a HQ que começou com toda essa história de Elseworlds vai ser adaptada para o formato animação pela DC. Estamos falando de Um Conto de Batman – Gotham City 1889 – ou, como é o título original, Gotham by Gaslight.

A confirmação foi sem nenhum ~glamour: simplesmente saiu a capa do BD de Batman and Harley Quinn, que será lançado dia no dia 29 (a versão digital já sai nesta sexta, 14, fica a dica), e alguém reparou que, na lista de extras, consta um preview da próxima animação da empresa, Gotham by Gaslight. BOOM.

E tudo isso começou no já longínquo ano de 1989. Na época, o roteirista Brian Augustyn (que era editor na DC) teve, junto com o artista Mike Mignola (o criador do Hellboy) e o arte-finalista P. Craig Russel (de Sandman), uma ideia genial: reimaginar como seria o Batman 100 anos antes, na Era Vitoriana, em 1889.

Além de ser o ano da Proclamação da República aqui no Brasil (!), esta é justamente a mesma época na qual Jack, o Estripador, pintou em Londres. Ou seja, o vilão perfeito para o Cavaleiro das Trevas. Some isso ao ar noir do herói, que casa muito com a época da Segunda Revolução Industrial, e junte com a estética steampunk pra ter o contexto perfeito.

Na HQ, tudo começa quando Bruce Wayne está na Europa. Ele chega em Viena, onde encontra ninguém menos que Sigmund Freud, o pai da psicanálise, pra ter uma sessão e relembrar da morte dos pais – eu falei que 1889 tinha o contexto PERFEITO pro herói, né? Não tava brincando.

No retorno pra Gotham, Bruce reencontra o Inspetor Gordon, que o atualiza sobre os últimos acontecimentos do mundo do crime – inclusive o surgimento da versão steampunk do Coringa. E, assim, Bruce vai para as ruas como o Batman. Quer dizer, a versão vitoriana dele, incluindo um uniforme mais simples e com costura aparente, além de TRAQUITANAS mais mecânicas a vapor.

Além disso, uma série de assassinatos começa a acontecer na cidade – e um dos suspeitos é justamente o Batman, apesar dos jornais também levantarem a hipótese de ser o próprio Jack, o Estripador, que já tinha feito fama em Londres. O Homem-Morcego então começa a caçar o assassino, enquanto a polícia encontra uma faca ensanguentada na Mansão Wayne. E eis que as datas dos assassinatos nos EUA e em Londres batem exatamente com as viagens de Bruce... Sem como ter como provar a sua inocência, o playboy é condenado à morte por enforcamento.

É aí que começa, pra mim, um dos pontos mais geniais de Gotham by Gaslight: por páginas e páginas, Bruce aguarda o seu cruel destino em uma cela do Asilo Arkham enquanto relembra as provas e investiga a verdadeira identidade do assassino, trazendo uma pitada de Sherlock Holmes (outro personagem vitoriano!) para a HQ. Até que ele descobre a verdade, foge e coloca o Cavaleiro das Trevas em ação.

Mais Batman, impossível.

Publicada em uma edição especial de 52 páginas, Gotham by Gaslight foi um marco. Não que a DC não tivesse lançado histórias em universos paralelos anteriormente, mas esta publicação fez a editora perceber o potencial desse mercado. Assim surgiu a linha Elseworlds, tanto para demonstrar que aquelas publicações não faziam parte da cronologia quanto para tirar as amarras criativas dos quadrinistas e permitir HQs com uma abordagem mais adulta. Gotham by Gaslight recebeu o selo da linha apenas quando foi republicada mas, oficialmente, é o primeiro título dela.

Esta versão do Batman voltaria a aparecer, incluindo em uma continuação chamada Master of the Future e como parte do evento Contagem Regressiva para a Crise Infinita.

Há, no entanto, uma grande questão sobre a adaptação animada: Gotham by Gaslight é um tiro curto, de 52 páginas. Exatamente o mesmo tamanho de A Piada Mortal, que acabou ficando “curta” para ser um longa-metragem e teve novos trechos (polêmicos) adicionados pelos roteiristas, o que piorou (e MUITO) o resultado final.

Vamos torcer para que a DC tenha aprendido com os seus erros, né?