O Fantasma, aquele da Máscara, pode entrar de vez para os gibis da DC Comics | JUDAO.com.br

Vilão do cultuado longa animado de 1993 segue a trilha da Arlequina e finalmente deve fazer sua estreia na cronologia principal da editora, dentro do novo gibi Batman/Catwoman

Quando pintou esta história toda de Robert Pattinson como novo Batman/Bruce Wayne, também pintou a inevitável discussão sobre qual é, afinal de contas, o MELHOR filme do Homem-Morcego? Se a gente não considerar os serials dos anos 1940 e tampouco o longa derivado da série dos anos 1960, tamos falando de nada menos do que NOVE aparições cinematográficas do Morcegão (a ponta em Esquadrão Suicida não conta) – sete filmes solo e mais suas participações em Batman vs Superman e Liga da Justiça. Tá bom, a gente sabe que, de imediato, muita gente responderia que é O Cavaleiro das Trevas do Nolan. Mas digamos que esta aí não é a unanimidade suprema.

Porque se você for perguntar pra caras como o cineasta e quadrinista Kevin Smith, a resposta pode ser bem outra. Eles podem te dizer, como o Smith já disse, que o melhor filme do Batman EVER não tem Michael Keaton, Val Kilmer, George Clooney, Christian Bale e nem Ben Affleck como protagonistas, mas sim um sujeito chamado Kevin Conroy. O dublador que dava voz ao personagem na série animada dos anos 1990, aquela produção de Paul Dini e Bruce Timm que conquistou toda uma geração, e também o cara que viveu o vigilante de Gotham City no longa-metragem animado Batman: A Máscara do Fantasma, de 1993.

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Ok, roubamos no jogo aqui, porque você logo pensou nas versões live-action mas, ainda assim, de fato não parece exagero comparar alhos com bugalhos. A produção dirigida pela dupla Eric Radomski e Bruce Timm, primeira investida original nos cinemas vinda da Warner Bros. Animation, era planejada para sair diretamente no mercado de vídeo e não foi exatamente um grande sucesso de bilheteria. Mas ainda hoje, mais de 25 anos depois de seu lançamento, estamos falando de uma história que sabe mesclar os elementos clássicos do personagem de um jeito que nenhum dos filmes com atores conseguiu. Temos na trama um Batman que é super-herói, claro, mas principalmente um Batman que é DETETIVE. Um investigador, uma mente analítica brilhante que até agora foi pouquíssimo explorada nas telonas.

Mas, além disso, temos um ÓTIMO vilão inédito e que até o momento não tinha sido de fato explorado na cronologia corrente da DC Comics, nos gibis mesmo. Quem vai mudar este cenário é a dupla Tom King (roteiro) e Clay Mann (arte), os mesmos que a partir de 2020 saem do título principal do Morcego e vão assumir uma nova revista, Batman/Catwoman, até o momento uma série em 12 edições. Quem mandou o recado, assim, na lata, sem avisar, foi o próprio desenhista, em sua conta do Instagram.

Embora originalmente a trama do longa tenha se inspirado no arco de histórias Batman: Ano Dois, escrito por Mike W. Barr em 1987, os roteiristas do filme preferiram trazer um NOVO antagonista no lugar da segunda versão do vilão meia-boca conhecido como Ceifador (no caso, Judson Caspian, um vigilante que rondava as ruas de Gotham muitos anos antes de Bruce Wayne resolver vestir a roupa de morcego).

A história mostra Bruce Wayne reencontrando e se reconciliando com Andrea Beaumont, um antigo amor do passado, ao mesmo tempo em que seu alter-ego encara uma tremenda dor de cabeça na perseguição a um misterioso vigilante chamado de Fantasma, com uma máscara que lembra uma caveira e uma lâmina na mão direita. A treta é que o tal Fantasma anda matando os chefões do crime da cidade — e como o papo nas ruas dá conta de que o próprio Cavaleiro das Trevas estaria fazendo o trabalho sujo, eis que um dos gangsteres vai pedir ajuda a um aliado bastante instável e improvável: o Coringa.

O fato de que Andrea Beaumont é na verdade o Fantasma, numa cruzada em busca de vingança contra o mafioso Salvatore Valestra, homem responsável pela morte de seu pai, torna tudo ainda melhor. Porque se o personagem for REALMENTE usado desta forma, esta figura moralmente ambígua que já mexeu com o coração de Bruce Wayne e inclusive também quase se casou com o ricaço serve como contraponto perfeito para a Mulher-Gato.

Embora Beaumont/Fantasma nunca tenha se tornado oficialmente parte integrante da DC Comics, a anti-heroína (ou, pelo menos, versões dela) já tinha dado as caras como participação especial em diversas histórias do tipo Elseworlds, mas sem jamais pintar na continuidade “normal” da editora. Considerando o caminho feito pela Arlequina, também surgida na mesma série de desenhos dos anos 1990 e só depois incorporada aos quadrinhos, hoje tornando-se um dos ativos mais valiosos da editora, dá até pra dizer que demorou.

Vale lembrar ainda que OUTRO personagem da bat-mitologia vindo de uma mídia diferente também está se tornando CANON das HQs de maneira oficial: no caso, o Arkham Knight, vilão do joguinho de mesmo nome.