O Guia do Mochileiro das Galáxias ganhará versão série no Hulu | JUDAO.com.br

Cultuada obra de Adams terá uma nova chance de mostrar seu potencial fora dos livros

Depois de uma dramatização para o rádio, uma série de livros, peça de teatro, quadrinhos e um filme, finalmente O Guia do Mochileiro das Galáxias ganhará uma série. Quem vai abrigar? O Hulu, agora parte do gigante império da Disney, também dona dos direitos da história.

Segundo informações do Deadline, a série apresentará uma versão atualizada e moderna da história nas mãos dos roteiristas Carlton Cuse (Jack Ryan) e Jason Fuchs (Mulher-Maravilha), que estão desenvolvendo a produção com a ABC Signature Studios e a Genre Arts. Fãs declarados do material original, Cuse e Fuchs irão escrever e produzir essa versão junto com Lindsey Springer, presidente da Gene Arts, que assumirá o papel de produtora executiva.

Nos últimos meses, o nome de Cuse se tornou recorrente em produções para serviços de streaming variados, com seu nome associado à produção executiva de Locke & Key, uma série ainda inédita do Netflix, além de assumir um grande contrato global com a ABC Studios para desenvolver dois projetos de “alto perfil” para o Disney+.

Apesar das pessoas conhecerem essa história a partir dos livros, O Guia do Mochileiro das Galáxias passou por diversas transformações ao longo dos anos. Se inspirando em uma viagem pela Europa com um guia do mochileiro do continente, o escritor Douglas Adams desenvolveu essa narrativa e ofereceu para um produtor da BBC, que gostou do material e ordenou roteiros para um programa de rádio.

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Lançados em 1978, os seis episódios escritos por Adams se tornaram um grande sucesso graças ao boca-a-boca do público. Com a popularização, uma editora ofereceu para o autor a possibilidade de escrever um livro sobre a série, que ganhou romances adicionais com o passar dos anos, novas temporadas no rádio e uma série televisiva em 1980, com seis episódios. E, claro, além da questionada adaptação cinematográfica feita pela própria Disney em 2005.

Com o passar dos anos, O Guia do Mochileiro das Galáxias foi traduzido em mais de 30 idiomas e se tornou uma leitura obrigatória para os jovens pelo mundo, gerando a chamada “trilogia de cinco livros”. A história segue um terráqueo inglês chamado Arthur Dent, o último humano sobrevivente da Terra depois que o nosso planeta é ameaçado de demolição por uma construtora Vogon, com o objetivo de dar passagem para uma ponte hiperespacial.

Recentemente, uma adaptação de OUTRA obra de Adams, chamada Dirk Gently’s Holistic Detective Agency, foi exibida na BBC America e ganhou duas temporadas, mas foi cancelada em 2018.

Nessa louca corrida dos serviços de streaming para adquirir propriedades intelectuais, o Hulu tirou da cartola uma história que já é extremamente popular para o seu nicho de fãs. Definitivamente, essa foi uma jogada inteligente, apesar do histórico comercial ligado à adaptação de comédias de ficção científica e, principalmente, ao próprio Guia, não ser tããããããããão favorável.

Quando entrevistamos o escritor e comediante Jem Roberts, biógrafo de Adams, no entanto, apesar de não acreditar mesmo que o Guia pudesse retomar sua trajetória nos cinemas e talvez tivesse mesmo que seguir outro caminho como este das séries, o cara afirmou que minimamente a produção cinematográfica cumpriu um papel. “Olha só, talvez você tenha que ter lido o livro para entrar a fundo na discussão sobre os lados positivos e negativos do filme, mas é preciso pensar que a produção da Buena Vista/Disney tinha o objetivo de atrair novos fãs para a franquia, e conseguiu. Muita gente no mundo todo viu e adorou”, relembra ele, que ainda sugere que os fãs revejam a produção com amor no coração. “Afinal, este foi aquele filme de Hollywood que o Douglas tanto queria”.

Talvez agora, quase 15 anos depois do filme, esta série pro Hulu tenha agora o papel de trazer uma NOVA geração de fãs pra obra de um autor com uma veia cômica afiadíssima — e explicar pra muita de gente, de uma vez por todas, de onde vem esta história toda de Dia da Toalha.