O melhor de Podres de Ricos é trazer novos ares às velhas narrativas | JUDAO.com.br

Com um elenco incrível e história fofa, ele consegue refrescar o drama antigo do cara rico que se apaixona por uma menina normal e ainda nos apresentar MUITOS novos elementos interessantes.

Podres de Ricos estreou nos Estados Unidos SUPER bem e fazendo barulho. O elenco todinho composto por pessoas asiáticas e a ideia de ter isso em um filmão bem blockbuster deixou muita gente animada. E, ó: ele é mesmo TUDO AQUILO! :D

A história é simples: uma garota conhece um garoto. Os dois estão super apaixonados e ele resolve que já é hora de apresentá-la para os parentes. O que ele ainda não contou pra ela, no entanto, é que ele faz parte de uma família rica. BEM rica. Mas, assim, muito rica. De verdade. Crazy rich.

O drama que segue é um que a gente já conhece bem porque viu várias vezes. Nick Young (Henry Golding) e Rachel Chu (Constance Wu) viajam até Cingapura pra celebrar o casamento do melhor amigo do rapaz e aproveitar pra ver todo mundo. A família não curte muito a garota, ela se sente deslocada, rola toda uma perseguição e um papo sobre ~o que é valioso mesmo e tal. E seria meio piegas e bem batido se não fosse o EXTREMO FRESCOR de tudo isso não ter a ver com cultura ocidental!

Podres de Ricos é a primeira produção hollywoodiana em 25 anos com um elenco TODINHO asiático — o último foi Clube da Felicidade e Da Sorte, de 1993. E é impressionante como faz uma diferença incrível MESMO. Wu e Golding, além de formarem um casal bem bonitinho, estão mandando muito bem. Awkwafina, melhor amiga da protagonista, é sempre divertidíssima. Mas o destaque vai pras grandes mulheres mais velhas da família Young. Michelle Yeoh, que dá vida à Eleanor Sung-Young, mãe de Nick, tá MUITO legal. Tem uma postura inquebrável, elegantérrima com uma pitadinha CERTA de vilã malvadona.

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O roteiro tem alguns probleminhas, não SÉRIOS, mas pequenas elipses que te deixam com aquele pensamento de “uai, mas como esse personagem fez isso?”. Na maioria das vezes o argumento DINHEIRO tapa bem o buraco, é verdade. Mas existem certos pontos que contradizem algumas personalidades estabelecidas e narrativas iniciadas. Como não é uma história que SUPER se leva a sério, dá pra deixar passar numa boa se você estiver no clima da comédia-romântica como eu estava.

Também existe o fator cultural. Muitos elementos ali são desconhecidos para a plateira em geral — ou, pelo menos, é algo com o que não estão acostumados. Alguns jogos, costumes, vícios de linguagem... e o filme não tá NEM AÍ pra isso! Não se dá ao trabalho de explicar e isso é uma escolha política. Um posicionamento. Ora, se ninguém na cultura americana fica desvendando essas coisas, por que eles deveriam? Bem bom e feito pra te deixar com uma pulguinha que diz “por que a gente não conhece isso mesmo?” atrás da orelha.

E falando em orelha: meus amigos, que trilha sonora divertida! O mais especial com certeza são as músicas SUPER icônicas tipo Money (That’s What I Want), Material Girl e Yellow (que quaaase não entrou por ter um título que lembra um xingamento a asiáticos) em chinês, cantonês e mandarim. É a afirmação definitiva de que o mundo é deles – a gente só não sacou isso ainda.

O ano é 2018 e a gente já tá cansado de ver brancos em todo lugar. Podres de Ricos é interessante, fofo e PRECISA render mais frutos! Se o cinema deve nos levar pra viajar, que comece, finalmente, a nos tirar do lugar-comum de uma vez! ;D

Podres de Ricos na Mostra

20 de Outubro, às 19h00, no Playarte Marabá – Sala 1
24 de Outubro, às 23h10, no Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 1

O filme estreia em 25 de Outubro em circuito comercial no Brasil.