O nome é Acts of Evil, mas pode chamar de Atos de Vingança 2 mesmo | JUDAO.com.br

Nova “saga” da Casa das Ideias presta tributo, ainda que não abertamente, a um crossover dos mais divertidos que rolou na editora bem no começo da década de 1990

Quando a Marvel começa com essa história de anunciar seus grandes eventos anuais com pompa e circunstância, aqueles que vão “mudar tudo que conhecemos” e percorrer boa parte de seus títulos nos quadrinhos, geralmente a editora chega com um punhado de teasers misteriosos. Fica todo mundo se perguntando o que será, criando mil teorias malucas, até que eles fazem a revelação que no fim nem é lá muito surpreendente.

Mas, definitivamente, não foi assim com Acts of Evil. Porque no exato momento em que os editores da Casa das Ideias começaram a postar, sem qualquer explicação adicional, o logo da nova iniciativa dos caras, ficou claro, principalmente pros leitores mais velhos, do que se tratava. O nome, com a palavra “Acts”, e até o logotipo bastante similar, eram uma mensagem descarada de que tava na hora de homenagear os 30 anos de Acts of Vengeance (ou Atos de Vingança, como ficou conhecido por aqui), que rolou nos gibis da editora entre Dezembro de 1989 e Fevereiro de 1990.

“Sabe o que as pessoas dizem que é pior do que o diabo? Um diabo que você não conhece”, diz, em comunicado oficial, a editora da Marvel, Kathleen Wisneski. “No caso de Acts of Evil, a Marvel está colocando seus heróis contra vilões que eles nunca imaginaram vindo em sua direção — e reunimos times que também trazem abordagens criativas e novas para estes personagens, para garantir que nossos fãs também fiquem às cegas. Então os leitores vão ter que se preparar”.

A ideia é que estes combates aconteçam, diferente de Atos de Vingança, nas edições especiais anuais dos personagens e não nos gibis mensais, de linha. As sessões de pancadaria começam em Julho e devem se estender ao longo dos meses de Agosto e Setembro também. Mas os três primeiros confrontos já tão confirmados.

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Em Ms. Marvel Annual #1, Kamala Khan vai encarar, com roteiro de Magdalene Visaggio e arte de Jon Lim, ninguém menos do que o Super Skrull, aquele que tem os poderes dos quatro integrantes do Quarteto Fantástico. Já em Punisher Annual #1, o Justiceiro vai ter que ampliar seu armamento pesado pra enfrentar a poderosa Rainha da Ninhada, líder de uma das mais letais e destrutivas raças alienígenas da cronologia Marvel, tudo sob a batuta de Karla Pacheco (roteiro) e Adam Gorham (desenhos).

Já no caso do anual do Venom, o roteirista Ryan Cady e o artista Simone Di Meo foram buscar uma vilã relativamente recente pra tentar dar uma surra no simbionte: Lady Hellbender. Surgida em 2016 no gibi Totally Awesome Hulk #1, quando Amadeus Cho ainda ocupava o cargo de Gigante Esmeralda da vez no lugar de Bruce Banner, ela é uma caçadora do planeta Seknarf Nine em busca de monstros raros em toda a galáxia para um santuário em sua terra natal. Seu primeiro alvo foi o lendário dragão Fin Fang Foom — mas dá pra perceber que uma certa criatura dentuça e de língua desproporcional podem ser uma ótima aquisição para a coleção.

Pelo que se sabe até o momento, não existe uma linha-mestra, além do conceito “heróis versus vilões que nunca enfrentaram antes”, amarrando Acts of Evil, o que é a grande e fundamental diferença para com Atos de Vingança. A ideia original surgiu porque era a hora da Marvel fazer um daqueles gigantescos crossovers centrado nos Vingadores e no Quarteto Fantástico, depois de três eventos anteriores focados em sua joia da coroa na época, os X-Men (vejam vocês a ironia do destino).

Tudo começa quando Loki, usando um disfarce misterioso, reúne um grupo de supervilões em torno de uma conspiração para derrotar os Vingadores e quem está ao seu redor — claro que o objetivo do Deus da Trapaça é se vingar de uma vez por todas do seu irmão e do supergrupo que inadvertidamente ajudou a criar. Mas o argumento dele até que tem certa lógica: vocês já tentaram de tudo contra os seus algozes. Eles sabem todos os seus planos e variações de seus esquemas. Então, que tal mudar? E jogar contra eles alguém que eles NÃO conhecem? E aí Doutor Destino, Rei do Crime, Magneto, Mandarim, Caveira Vermelha e o Mago montam um plano-mestre pra surpreender seus adversários usuais.

Pra começar, que tal promover uma fuga em massa da Gruta, a prisão governamental para criminosos superpoderosos, e direcionar os vilões “menores” para promoverem um quebra-pau com heróis que jamais enfrentaram na vida? Legal, tá hora de começar isso. Aí temos Thor encarando o Fanático, o Homem-Aranha tendo que se se virar com uns poderes cósmicos (nem pergunta, ele virou o Capitão Universo, mas o traço era do Erik Larsen então tudo bem) contra o Graviton e depois contra o Magneto, os Vingadores contra o Toupeira, o Demolidor contra o Ultron, o Wolverine contra o Tubarão Tigre e até, pasmem, o Justiceiro contra o Doutor Destino. Quanto mais esquisito, melhor.

A grande graça de Atos de Vingança é que, apesar dos bons e maus momentos, não se tornou uma saga com a pretensão de mudar o mundo. Nem o dos quadrinhos e muito menos o da Marvel. Não era uma faxina na cronologia ou algo com a intenção de mudar o status quo, ainda que temporariamente, deste ou daquele grupo de personagens. Era pura e simplesmente diversão. Funcionou como um todo? Óbvio que não, tem merda a rodo. Mas teve lá seus bons momentos.

Foi durante Atos de Vingança, por exemplo, que começou a surgir o lado mais sombrio e descontrolado da Feiticeira Escarlate, aquele mesmo que seria anos depois explorado em Dinastia M e depois no início da passagem de Brian Michael Bendis pelo título dos Vingadores/Novos Vingadores, aquela mesma que ajudaria a tornar Os Heróis Mais Poderosos da Terra novamente os queridinhos da editora. Também foi aqui que vimos um desentendimento maravilhoso entre vilões, quando o Magneto, que é um judeu que passou por um campo de concentração, resolve esfregar a cara do Caveira Vermelha no chão. Digamos que até que demorou pra isso acontecer e, sim, gostamos.

E foi ao longo desta saga, mais especificamente nas HQs do Deus do Trovão, que surgiu um dos meus grupos favoritos da Marvel: os Novos Guerreiros, com quela molecada repleta de caras novas e sem necessidade de prestar contas pra qualquer medalhão, numa formação inicial simplesmente deliciosa, que contava com Radical, Nova, Namorita, Marvel Boy, Flama e o Speedball, com aquele traço do Mark Bagley que eu simplesmente AMO. Mas a gente fala sobre eles em detalhes numa outra ocasião, tá? ;)