O Venom dos cinemas vai ter uma pegada total anos 90 | Judão

Diretor confirmou as principais inspirações que o filme vai tirar das HQs, o que já pode indicar um caminho a ser seguido

Vivemos numa época em que o tal do filme solo do Venom, aquele mesmo que o Avi Arad prometeu que rolaria láááá em 2007, quando ele forçou a barra pra colocar o simbionte alienígena e seu hospedeiro em Homem-Aranha 3, não só vai MESMO acontecer como está sendo gravado nesse exato momento.

Os planos duraram enquanto o Homem-Aranha 4 de Sam Raimi ainda existia, perduraram quando Andrew Garfield assumiu a máscara do Teioso e persistiram, firmes e fortes, ao acordo com a Marvel que fez o Cabeça de Teia renascer com De Volta ao Lar. E ainda vai ser, vejam vocês, o pontapé inicial pro tal Sony’s Marvel Universe, o universo compartilhado pra chamar de seu que a Sony enfim vai criar com um monte de personagens relacionados ao Homem-Aranha que vieram no pacotão.

Um filme do Venom, senhoras e senhores, que estreia lá fora no dia 5 de Outubro de 2018.

De acordo com Ruben Fleischer, o diretor, as principais inspirações para o longa são dois momentos que os leitores do personagem conhecem bem: Protetor Letal (1993), minissérie em seis edições com roteiro de David Michelinie e arte de Mark Bagley; e Planeta dos Simbiontes (1995), arco do gibi do Homem-Aranha que também surgiu da mente de Michelinie.

Digamos que essas informações, aparentemente inocentes, já são uma boa indicação de que caminho a trama deve seguir – sim, dizer que um filme é “baseado” numa determinada HQ não quer dizer que seja necessário seguir à risca cada quadro da história original. Não é necessário e nem a gente quer, né, porque filme é filme, gibi é gibi, aquela coisa. Mas pelo menos o CONTEXTO GERAL da coisa, o espírito, pode estar ali.

Protetor Letal, primeira série de Eddie Brock como personagem principal, marca um acordo entre ele e o Homem-Aranha: o monstrengo promete não cometer mais crimes e se muda pra São Francisco, deixando Nova York pra trás. A parte do Aranha não deve acontecer, porque por enquanto não existe qualquer confirmação de que o Escalador de Paredes apareça no filme de seu grande inimigo, mas, sim, a ação se passa em São Francisco.

Na trama do gibi, ele acaba se tornando uma espécie de vigilante, tentando fazer o bem, mas acaba se deparando com cinco vilões criados por uma organização maléfica, todos filhotes derivados da meleca simbionte, exatamente como o igualmente monstruoso Carnificina, aka Cletus Kasady, o serial killer e ex-colega de cela de Brock que acaba se juntando com uma cria do simbionte e vira um maníaco muitas vezes pior do que o original.

Planeta dos Simbiontes meio que dá continuidade à crise de consciência pela qual o Venom passa em Protetor Letal e na série seguinte, A Dor da Separação (1994). Basicamente, temos o hospedeiro humano se questionando sobre quem está no comando desta relação, preocupado que o parasita alienígena esteja mesmo influenciando-o a matar.

Da mesma forma que aconteceu com Peter Parker anos antes, então ele tenta se separar da criatura, que lança um grito telepático que se espalha pela galáxia, atraindo um exército de simbiontes da mesma raça pro nosso planeta. Aí, Eddie vai contar com a ajuda do outrora odiado Homem-Aranha pra impedir que a ameaça se espalhe por aqui.

O que dá pra gente apurar daí? Bom, pra começar, aquela história de que este vai ter um tom mais “filme de terror” inspirado em John Carpenter e David Cronenberg, conforme o CEO da Columbia Pictures, Sanford Panitch, afirmou lá atrás, faz sentido aqui. Sangue, violência, um cheirinho de abraço apertado à herança dos bons e velhos filmes B, com alienígenas e gosmas que controlam a mente da gente, querendo surfar na onda da classificação indicativa mais elevada de Deadpool, por exemplo.

Da mesma forma, o Venom questionando seu papel no mundo, de vilão a anti-herói, e mesmo a relação entre suas duas partes, cabe totalmente quando Fleischer afirma que pretende explorar o lado Jekyll e Hyde do personagem.

Mas, de uma vez por todas, esqueçam esta coisa toda de Guerras Secretas, uniforme negro do Homem-Aranha, Eddie Brock demitido do Clarim Diário, humano e ET odeiam Peter, surge Venom. A dinâmica, apesar de muito provavelmente ser meio ET, deve ser completamente outra. Da mesma forma que, ufa, ainda bem, esqueçam as teorias sobre ele se tornar o Agente Venom no fim das contas, a versão super-herói dos gibis que tinha o Flash Thompson debaixo da máscara preta.

E aí, em ambas as histórias, vem este negócio dos OUTROS simbiontes, sejam eles FILHOTES do Venom ou frutos de uma invasão alienígena – o que parece, neste caso, ser a menos provável das opções. O que pode ser, isso sim, é que de alguma forma isso sirva como a confirmação dos RUMORES de que Riz Ahmed, cujo papel ainda não foi de fato revelado, viveria mesmo o Carnificina, colocando os dois dentuços para tentar arrancar pedaços um do outro.

Um filme do Venom, que nos gibis é essencialmente um personagem bem merda, não me empolga. Saber que ele vai enfrentar o Carnificina, que é uma derivação ainda pior de um personagem bem merda, também não empolga. Ouvir que estas duas sagas vão de alguma forma inspirar o filme, rapaz, me dá calafrios, já que ambas são exemplos claríssimos do que a Marvel fazia de PIOR na década de 90.

Então, este texto todo é apenas um grande “foda-se”? Não. Por que sabe o que, de fato, passa a me dar um pouquinho de vontade de ver isso? Pegar todas estas referências aqui e saber que tem atores como Hardy, Ahmed e, dizem, Woody Harrelson envolvidos na produção. E, principalmente, com um cara como Fleischer no comando, que soube dosar bom humor e tripas em Zumbilândia, além de um bom estudo de personagens sombrios em Caça aos Gângsteres.

Porque, apesar dos pesares, não tem personagem merda que resista a uma boa história e uma equipe competente por trás. ;)