Oito Mulheres e Um Segredo não tenta ser nada além de divertido. E isso é ótimo! | Judão

Sem grandes inovações narrativas, mas trazendo mulheres em papéis fora do que é tido como “tipicamente feminino”, o longa agrada demais com humor e tensão na medida certa.

Nós estamos acostumados a ver homens em papeis de ~malandros. Só eles podem ser LADINOS, espertos, habilidosos. Mulheres geralmente têm aquele apelo sexual que pode ser usado pra dar umas tapeadas nas pessoas e só. Mas o jogo mudou em Oito Mulheres e Um Segredo. Pra melhor. :D

Sandra Bullock é Debbie Ocean, irmã de Danny, protagonista dos primeiros filmes da franquia. Após sair da cadeia e descobrir sobre a morte do seu irmão, ela resolve honrar o nome da família e executar um plano de roubo de uma raríssima joia durante o MET Gala. E então ela monta seu time perfeito, bem aos moldes dos grupos criados por George Clooney anteriormente, com oito mulheres extremamente habilidosas em áreas diferentes. Assim, conhecemos Lou (Cate Blanchett), que financia o plano; Nine Ball (Rihanna), hacker assustadoramente habilidosa; Constance (Awkwafina), uma ~trombadinha cheia de truques; Amita (Mindy Kaling), especialista em diamantes; Tammy (Sarah Paulson), que ajuda a encobrir pistas; Rose (Helena Bonham Carter), estilista de moda fracassada que é contratada para vestir Daphne Kluger (Anne Hathaway), atriz mimada e bem famosa que portará a tal joia a ser roubada.

Confesso que, logo de cara, fiquei com medo de encontrar duas coisas ali: um exagero na ideia de que mulheres podem fazer tudo o que homens fazem e tentativa de “masculinizar” suas personalidades OU uma jogada pro outro lado e vê-las conquistando tudo na base de olhares, flertes e ~joguinhos de sedução, como se isso fosse uma típica “arma feminina” ou algo assim. São armadilhas fáceis de se cair, mas o roteiro soube muito bem mostrá-las sem exageros e estereótipos ofensivos. Porque mulheres são GENTE, né? E esse filme desafia o espectador a ter essa noção. Suas vidas e motivações não se resumem aos seus relacionamentos românticos; o centro do filme é MESMO o crime, como deveria ser.

O roteiro cuida para que nenhuma das oito fique apagada. A química entre elas é fortíssima, as relações são coerentes — nem frias, nem com amizades forçadas demais. Tudo desliza com grande facilidade e, quando você menos percebe, já tá se sentindo super amiga delas e torcendo pro TIMAÇO que elas compõem.

Sandra Bullock, Cate Blanchett e Sarah Paulson entregam atuações consistentes que nós já conhecemos bem. Rihanna e Helena Bonham Carter não estão ruins, mas parecem interpretar uma versão das próprias personalidades, mas mesmo isso funciona bem, assim como o alívio cômico de Mindy Kaling. Mas os destaques ficam MESMO com Anne Hathaway, que surpreende BASTANTE com as camadas que mostra ao interpretar Daphne, e Awkwafina, que é iniciante e dá um show como uma boa ladra no estilo “mãos leves”.

O visual geral é bem fiel àquilo que estamos acostumados: fotografia sem grandes ousadias, edição frenética, cheia de pequenos recortes que seria brega, se não fosse tão característica. Num placar geral, a narrativa não ousa MUITO, veja bem. Nada que vá fazer você sair gritando em êxtase ou que seja absolutamente original. Mas é SIM bem legal e faz muito bem ver um elenco feminino MUITO foda todo juntinho, contando uma história envolvente e se divertindo bastante no caminho.

Oito Mulheres e Um Segredo é uma delícia de se ver! Pra se divertir, assistir uma aventura interessante, torcer pelo sucesso da operação e sair do cinema satisfeita. <3