A origem secreta de Savitar | Judão

Agora sabemos a verdadeira origem do vilão de The Flash, confirmando toda aquela história de paradoxo de predestinação

SPOILER! E agora sabemos de (quase) tudo. Depois da revelação de que o deus da velocidade Savitar é, na realidade, um Barry Allen do futuro, o episódio Cause and Effect de The Flash, que foi exibido esta semana, revelou como o herói outrora conhecido como Corredor Escarlate se tornou um vilão.

Olha, não é TÃO corajoso quanto a minha teoria, mas, ainda assim, evoca toda aquela história de paradoxo da predestinação.

Logo no começo do episódio, o Barry do mal revela que a sua origem acontece daqui quatro anos. Na luta contra Savitar, Flash cria “remanescentes no tempo” (cópias de si mesmo feitas fora do fluxo cronológico, que são meio que como redundâncias, criadas ao ir e voltar no tempo – uma técnica revelada pela primeira vez na temporada passada, pelo Zoom) para enfrentar o vilão. Essas cópias são todas mortas, exceto uma, que fica com o rosto deformado.

Visto como uma XEROX sem valor, sem importância, esse Barry é renegado por todos aqueles que ama – Joe, Iris, o pessoal do Star Labs – criando um ódio contra tudo e contra todos. Um sentimento que o Barry “verdadeiro” tem dentro de si, mas que é elevado a um novo grau pelo remanescente. Assim, com tanto ódio, ele volta no tempo, se transforma no primeiro velocista da história e assume o nome de Savitar. Tipo o Iron Man da música do Black Sabbath.

Isso mesmo, a cópia de Barry Allen, criada para derrotar o Savitar, se transforma no próprio. Mas ele só foi criado para enfrentar a si mesmo – e se ele não existisse desde o início? Como ele se criou? Bom, por isso é um PARADOXO.

Por isso que a escolha dos produtores não é tão corajosa, apesar de eu julgá-la bem interessante.

O problema com Cause and Effect é que, a partir dessas revelações nos minutos iniciais, o episódio se transforma em um grande filler – isso faltando mais dois para acabar a temporada. Barry retorna para o Star Labs e, com a ajuda de Cisco e Julian, resolve apagar as suas memórias de curto prazo. O motivo? Se ele não souber dos próprio planos, o Savitar também não saberá, já que o big bad tem todas as memórias do Flash dessa era.

Obvio que dá merda. Todas as memórias do Barry Allen são apagadas, incluindo que ele é o Flash. E o Savitar também fica com amnésia, numa treta que leva a Nevasca a se aliar novamente aos ex-companheiros para solucionar o problema.

Isso de perda de memória é um clichê super batido, usado quando se precisa ganhar tempo na história que está sendo contada. Ainda assim, os roteiristas do episódio, Judalina Neira e Lauren Certo, souberam usar o artifício para resgatar alguns dos elementos que fazem do Flash um herói interessante, além do relacionamento dele com os coadjuvantes. No final, olha só, o resultado é até bom, principalmente quando comparado com o resto da temporada.

Pois é, esse terceiro ano foi tão ruim que até um episódio sobre PERDA DE MEMÓRIA consegue se destacar.

O vespeiro, no entanto, não é esse. O que está confuso são as regras que envolvem viagem temporal e as modificações da realidade. No caso de The Flash, elas parecem até estar relativamente bem definidas na cabeça dos produtores, mas são confusas para o espectador.

Uma delas, que já deu pra sacar, é que mudanças cronológicas feitas no presente não mudam todo o universo. Exemplos: no final da primeira temporada, Eddie Thawne se matou, rompendo com a linha de descendentes que geraria Eobard Thawne, o Flash Reverso. Ainda assim, todos os efeitos da presença de Eobard no presente, como a própria criação do Flash, continuaram. Nesse último episódio, Barry ficou sem memórias, assim como o Savitar – mas o vilão continuou em 2017, com todos os efeitos dos ataques que ele fez nos últimos meses.

Já pequenas mudanças podem acontecer como efeito de cagadas cronológicas no presente. Sem memórias, Savitar não deu poderes para o Wally West, que deixou por algum tempo de ser o Kid Flash. Lá na primeira temporada, a morte do Eddie foi o suficiente para derrotar o Flash Reverso naquele momento, por mais que versões passadas dele continuem existindo.

Por fim, mudanças no passado podem cagar totalmente o presente. Foi assim quando o Barry salvou a mãe, criou o universo paralelo de Flashpoint e causou todos os problemas desta temporada.

Resumindo: uma puta confusão do caralho, pra falar o português CULTO.

Isso tudo acaba, junto com os outros problemas da temporada, enfraquecendo a série. Foi por esse motivo que, nos anos 1980, a galera dos quadrinhos resolveu matar logo o Barry Allen durante Crise nas Infinitas Terras: o personagem se tornou muito confuso para os leitores.

Faltam mais dois episódios pra acabar a temporada. Por favor, Andrew Kreisberg e Greg Berlanti, PAREM de fazer o personagem lidar com os próprios erros e foquem, finalmente, no herói.

Nunca te pedi nada.