Os anos 90 voltaram: Rob Lielfeld criou um novo mutante pra Marvel | JUDAO.com.br

Quer dizer, a palavra NOVO talvez seja forte demais… Mas que o sujeito vem aí em Abril com direito inclusive a um novo plano de existência batizado, É CLARO, com um X no nome, ah, isso vem!

“É 1991 novamente”, diz um empolgado Rob Liefeld, durante uma entrevista para o EW na qual dá mais detalhes sobre seu novo trabalho para a Marvel, a minisssérie quinzenal em seis edições Major X, que chega às lojas gringas em Abril. O quadrinista lembra que lá no começo da década de 90, quando trampava na Casa das Ideias, ele, Jim Lee e Whilce Portacio eram os “três motores” da produção mutante dos títulos X.

Logo, quando pintou esta chance, graças a um papo que o autor teve com o editor-chefe C.B. Cebulski em dezembro de 2017, ele ligou pro Whilce e mandou o convite: “cara, tenho esta coisa divertida chamada Major X, quer entrar nessa comigo?”. Liefeld enviou a sinopse da história e então o desenhista topou. Basicamente, Rob vai escrever e desenhar a maior parte da série, que no entanto terá artes adicionais de Portacio e de Brent Peeples (que fez Titans e New Super-Man para a DC) nos “capítulos intermediários”, enquanto Liefeld fica com o começo e o final. “Estou trampando com Whilce de novo, fazendo quadrinhos dos X-Men!”, comemora ele.

A trama será estrelada pelo tal Major X do título, um novo personagem que tem rigorosamente a cara de quase tudo que Rob Liefeld já fez na vida — um visual BASTANTE genérico, inspirado num uniforme de motociclista ou algo do tipo. O herói, cuja real identidade ainda é um segredo, é descrito por ele como sendo uma mistura de tudo que é familiar no universo dos personagens X. “Ele veio de outra realidade, chamada X-istence, uma espécie de Shangri-lá mutante, um lugar seguro onde os mutantes costumavam viver em paz e harmonia. Eles fugiram para lá depois de uma tragédia que massacrou o lugar em que ele vivia e aí construíram esta comunidade. Temos alguns rostos familiares ao lado dos quais ele forjou esta sociedade”, explica Rob. “Mas um evento terrível força o Major X a cruzar a fronteira e vir parar no Universo Marvel que conhecemos”.

Mas, vejam vocês, quando o Major X chega na nossa realidade (ou, no caso, na realidade do mundo 616, mas vocês me entenderam), ele cai justamente, ORA VEJAM, na década de 90. E aí as histórias vão levando o cara progressivamente até os dias atuais, da Marvel moderna. Ou seja, em termos práticos, a nova criação de Rob Liefeld cai em termos de linha do tempo entre o surgimento do Deadpool em New Mutants #98 (fevereiro de 1991) e a reformulação dos Novos Mutantes e sua transformação no time de elite que batizava X-Force #1 (agosto de 1991), devidamente liderado pelo Cable.

Já dá pra imaginar, portanto, que Liefeld vai colocar o Major X pra tretar com suas duas maiores criações, né?

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Na entrevista, o mais engraçado é que o roteirista e desenhista diz se orgulhar dos bons designs de personagem que faz — ainda que pareça esquecer que o Mercenário Tagarela é claramente inspirado no Exterminador, da DC Comics, e o seu time próprio batizado de Youngblood é pura e simplesmente um combo de heróis de dentes rangendo claramente inspirados nos principais nomes dos X-Men e dos Vingadores. Sobre o Major, no entanto, ele afirma que ama capacetes de motoqueiros. “Eu amo capacetes e máscaras que escondam a identidade e criem mistério. A franquia dos X-Men que eu conheci enquanto criança toda girava em torno do mistério”, afirma.

Capa variante de Major X # 1 com arte de Phil Noto

Ele diz, inclusive, que a bem-sucedida fase de Chris Claremont/John Byrne, aquela mesma que o inspirou em sua obsessão pelos mutantes, tinha como principal pilar o mistério. “O mistério número 1 deles, por exemplo, era o Wolverine. Quem é ele? Eu já disse isso muitas vezes, sempre fui obcecado em criar o novo Wolverine. Quando criei Cable, Deadpool, Domino, todos eles, sempre tinha na cabeça se eu conseguiria replicar este tipo de mistério meio novelesco”.

Sim, sim, “novelesco” foi uma expressão que ELE mesmo usou, ao relembrar as soap operas gringas que sua mãe e irmãs assistiam, tipo um The Young & The Restless da vida. “Quando era moleque, fui tragado por esta coisa toda do Logan. Quantos anos ele tem? Ele parece ter 30 mas tem mais de 100? Conforme comecei a escrever os mutantes, eu dobrei o mistério e as viradas de trama. Identidades duplas e mistério, mistério, mistério”.

Assumindo nas redes sociais um papel meio de embaixador X da Marvel nos cinemas depois do sucesso do Deadpool nas telonas (lembrando só que, vamos ser JUSTOS, este Wade divertido e que quebra a quarta parede não consta da criação original do Liefeld), ele não deixa de vender suas próprias criações mas vive falando o tempo todo dos mutantes — portanto, acho que até demorou pra Marvel chamar o sujeito de novo pra baixo das suas asas.

Porque, ao contrário de outros criadores como um Roy Thomas da vida, ele não parece ter problemas em criar novos personagens pra editora, por mais que saiba claramente que eles não vão lhe pertencer em nada, não vão lhe trazer um único centavo em direitos autorais. Desde que o convidem para visitar o set de filmagem e permitam que ele saiba informações exclusivas em primeira mão, tá tudo bem. Uma participação especial também cairia bem. No fim, Liefeld ainda é o fã QUINTESSENCIAL.

“Vão ter muitos atores querendo interpretar o Major X? Isso sim”, afirmou, desta vez em entrevista pro THR. “Mas não penso muito nisso aí. Tenho meu próprio catálogo de personagens e ideias”.

Todos reciclados. MAS ENFIM. ;)