Borgs dominam episódios mais vistos de Star Trek no Netflix e isso entrega alguns dados interessantes | Judão

Pesquisa dá algumas pistas sobre o comportamento de fãs de séries clássicas no streaming, além de indicar qual vilão os fãs realmente querem ver nas novas produções

Tem gente que pagaria milhões para ter alguns números do Netflix. Afinal, o serviço de streaming tem um vasto conteúdo de produções originais e de terceiros, além de 104 milhões de assinantes em todo o mundo. Como eles abrem pouco estes dados, inclusive para parceiros, tentar ao menos adivinhar o que está nessa verdadeira caixa de pandora de comportamento é um esporte interessante. Teve até gente falhando miseravelmente nisso.

Por isso, é raro quando o próprio Netflix resolve abrir alguns destes números. E foi justamente o que o serviço de streaming fez nesta pesquisa sobre os episódios mais vistos de todas as séries da franquia Star Trek.

A pesquisa considera quase todos os 695 episódios de todas as séries de Jornada nas Estrelas (ou seja, a clássica, A Nova Geração, Voyager, Deep Space Nine e Enterprise), deixando de lado apenas o primeiro e o segundo capítulo da primeira temporada de cada uma delas – já que, como é comum começar por eles, poderia trazer uma distorção nos números.

Só que, ao ver a tabela dos dez episódios mais vistos, surge um padrão BEM interessante, que dá algumas ideias até para os concorrentes. Acompanhe comigo.

Os episódios mais vistos entre TODAS as séries da franquia foram, veja só, Fim do Jogo – Parte 1 e Parte 2, que encerram a sétima e última temporada de Voyager – e que foram exibidos como episódio duplo originalmente, mas são considerados como apenas um para o Netflix. Neste series finale, a Voyager tem o derradeiro conflito com os Borgs, finalmente matando a rainha do coletivo da espécie, que “assimila” outras raças para se perpetuar.

Em seguida estão O Melhor dos Mundos – Parte 1 e Parte 2, que, respectivamente, encerra a terceira temporada e inicia a quarta de A Nova Geração – e são aqueles nos quais Jean-Luc Picard é assimilado justamente pelos Borgs, mas consegue se libertar.

Quer mais? Os quatro episódios seguintes na lista de mais vistos são de Voyager, começando pela dobradinha Escorpião – Parte 1 e Parte 2 – e eu te dou um DOCE se você adivinhar parte dos vilões. Além disso, é quando é introduzida a interessante personagem Sete de Nove, uma humana que foi assimilada pelos aliens e que conseguiu escapar com uma série de sequelas. Aliás, Sete é a peça fundamental do episódio A Dádiva, que aparece em seguida no Top 10.

A esta altura, você já sacou que Fronteira Sombria, episódio seguinte na lista, tem os Borgs como vilões. O mesmo acontece com o oitavo colocado, Q Quem?, 16º episódio da segunda temporada de A Nova Geração – que traz a primeira aparição dos Borgs.

A monotonia temática só acaba no penúltimo episódio: Mais Uma Vez, o terceiro da primeira temporada de Voyager, que ainda estabelece diversos PRECEITOS da produção – e, pensando no comportamento NORMAL das pessoas, é até esperado que apareça em uma lista de mais vistos. Pista, da quarta temporada de A Nova Geração, fecha o Top 10. Um episódio bem divertido, sobre um fenômeno que deixa toda a tripulação da Enterprise-D inconsciente – menos o androide Data, que apronta VÁRIAS CONFUSÕES na nave.

O Netflix ressalta que, no geral, a série clássica e A Nova Geração são os mais vistos, mas repare que Kirk, Spock e companhia não aparecem na lista em nenhum momento. Além disso, cerca de 12 mil fãs já assistiram a todos os 695 episódios – o que dá 536 horas, ou 22 dias, na frente da TV.

Quais conclusões podemos tirar? A primeira é que os Borgs são os grandes vilões para os fãs de Jornada nas Estrelas. Ponto. Nenhuma outra enquete terá uma força tão grande para revelar isso quanto essa pesquisa. O pessoal responsável pelos roteiros de Star Trek: Discovery, a nova série da franquia que estreia no dia 25 deste mês, e do quarto filme devem ter achado a informação bem útil.

Os Borgs não aparecem há quase 15 anos. Talvez essa seja a deixa para eles voltarem.

Além disso, dá pra extrapolar esse comportamento com Jornada nas Estrelas para outras séries clássicas, aprendendo um pouco com isso. Veja: por mais que exista gente interessada em assistir à uma série antiga que nunca viu ou fãs que querem rever tudo desde o começo (como essas 12 mil pessoas provam), o GROSSO do público é mesmo de gente que é fã de outras épocas, que já assistiu a tudo provavelmente na primeira exibição ou nas primeiras reprises, e agora só quer rever aqueles capítulos específicos, aqueles que acreditam ser os mais memoráveis.

É um comportamento que se imaginava existir com os velhos boxes de DVD – mas não tinha como comprovar. Aliás, dá pra dizer até que o streaming por assinatura também substitui esse comportamento colecionável.

Diria que o pessoal de Los Gatos não deve ter percebido muito a importância destes dados antes de divulgá-los. Afinal, podemos perceber um segundo comportamento de maratona. Se víamos que era comum assistir a uma série em sequência, é BEM relevante a parcela dos assinantes que quer maratonar coisas específicas de uma série, como um tema, por exemplo.

Dá até para dar algumas ideias para serviços de streaming concorrentes. Por exemplo: ao ter séries clássicas, é provável que ter uma opção de montar playlists temáticas (compartilháveis, inclusive) pode ser um diferencial bem interessante. Um diferencial que, hoje, a própria Netflix não tem — você pode até mencionar o Flixtape, mas é possível selecionar apenas séries inteiras.

O ideal é fazer como os serviços de música, com listas temáticas dos anos 80 ou de uma banda específica. Já imaginou ter uma lista DENTRO da plataforma com todos os episódios dos Borgs em Star Trek, por exemplo? Os fãs que ficaram caçando os oito primeiros episódios do Top 10 iam agradecer. ;)

Em um mercado no qual informação é poder, talvez o pessoal de Los Gatos tenha entregado um pouco mais do que gostaria.