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Flintstones, Salsicha hipster, Corrida Maluca estilo Mad Max, Jonny Quest, Herculoides e Space Ghost juntos ganharão novas histórias nos quadrinhos! :D


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A bola tá solta na pequena área. O goleiro tá secando a cara, o atacante parou pra arrumar o cabelo, o zagueiro parou pra arrumar o meião... Mas ela tá lá. Paradinha, como se ninguém quisesse fazer o gol ou se preocupasse em tirar ela dali.

É mais ou menos isso o que tava acontecendo com os personagens da Hanna-Barbera: criados pelo mais importante estúdio de animação da história da televisão, propriedades como Flintstones e Jonny Quest estavam perdidas na Time Warner, sendo, aos poucos, esquecidas. Até que a DC Entertainment resolveu sair correndo e já tá com o PETARDO engatilhado. Gol certo?

Saberemos quando toda uma nova linha de gibis, estrelada pelos antigos personagens da H-B, chegar, em Maio desse ano, no que eles tão chamando de “comic book treatment” — ou seja, indo além da reprodução dos antigos desenhos animados dos anos 50 e 60 para criar algo realmente novo, no estilo dos atuais gibis do Universo DC. Pra essa linha, já foram anunciados Scooby Apocalypse, Future Quest, Wacky Raceland e The Flintstones.

“Nós não quisemos apenas repetir o que as pessoas viram no passado”, disse Dan Didio, co-publisher da DC, pra EW, lembrando que estas são franquias com 40 ou 50 anos de existência. “É realmente importante conversar com a galera que não ouviu falar dos personagens. Essa é a primeira vez que eles vão os ver, queremos que seja um material fácil de curtir. Assim, a partir do nosso ponto de vista, o nosso objetivo é fazer com que este material seja emocionante para todas as gerações, sejam eles fãs do material original ou não”.

Basicamente, a ideia é pegar aqueles conceitos originais e reinterpretá-los, pensando como eles seriam feitos hoje em dia, pro público de hoje, envolvendo alguns dos nomes importantes da DC Comics. “A Amanda Conner [de Arlequina] realmente olhou para os Flintstones e encontrou um caminho para levá-los adiante, mesmo que ainda estejam no passado”, disse Didio. Jeff Parker (de Aquaman) será o roteirista de Future Quest e Evan “Doc” Shaner (Flash Gordon) vai cuidar da arte do mesmo gibi, enquanto Howard Porter (Liga da Justiça) fará a arte de Scooby Apocalypse. E não é só isso: chamaram Mark Sexton, um dos designers de Mad Max: Estrada da Fúria, pra ajudar a reimaginar a Corrida Maluca.

Sim, vamos ter Dick Vigarista e Penélope Charmosa numa espécie de “wasteland”. Sensacional. :D

Wacky-Raceland

A grande aposta dessa nova linha é o Scooby-Doo, garante Jim Lee, que vai escrever a origem da equipe ao lado do veterano Keith Giffen. “Achamos que seria bem interessante pegar a primeira versão animada desses personagens e ver onde eles estariam se existissem nos tempos atuais”. Não por acaso, a galera da Mistérios S.A. aparece na arte do Lee com armas modernosas, tatuagens...

Se bobear tem até um vegetariano. :D

Outro título que parece ser promissor é Future Quest, que será um mix de Jonny Quest, Space Ghost e Herculoides, séries que tiveram diretamente o envolvimento do genial Alex Toth.

É bom lembrar que Flintstones e Jonny Quest não eram, originalmente, desenhos animados para os sábados de manhã. As duas séries estrearam em horário nobre, de noite, e tinham como objetivo um público mais velho – espaço que, décadas depois, foi ocupado pelos Simpsons. “Eles já foram pra um público mais velho naquele momento”, ressalta Didio.

Flintstones-promo (1)

Tá, como isso chegou na DC?

A história da Hanna-Barbera se confunde com a própria história da televisão. E que pode parecer estranho, mas a DC (ao menos na teoria) já poderia ter feito algo assim há muito tempo.

William Hanna e Joseph Barbera foram dois diretores de animação envolvidos diretamente com a Era de Ouro dos desenhos animados, ainda na época do cinema. Eles criaram Tom & Jerry na MGM e venceram sete vezes o Oscar de melhor curta animado entre 1943 e 1953. Porém, com o ADVENTO da TV, a receita dos cinemas diminuiu e o estúdio da MGM foi fechado em 1957.

Bill e Joe se movimentaram rapidamente, criando a H-B Enterprises e percebendo que a TV era o próximo grande passado para os desenhos animados – as grandes emissoras reprisavam animações curtas do cinema com certo sucesso e, em algum momento, o público ia cansar de ver as mesmas reprises. Dessa forma, a Hanna-Barbera foi o primeiro estúdio a ter sucesso na produção de animações especificamente pra essa então nova mídia.

Um dos grandes desafios é que o orçamento na TV era muito menor que no cinema. Enquanto na MGM a verba era de US$ 35 mil por episódio, na televisão isso caiu pra algo como US$ 3 mil. Por isso, a H-B criou uma série de técnicas novas, incluindo uma animação mais limitada, reutilização de backgrounds (ou até mesmo de sequências inteiras) e toda e qualquer coisa que pudesse reduzir o custo final por episódio. Até a trilha e os efeitos sonoros sofriam.

De qualquer forma, o estúdio compensava limitações técnicas com boas histórias. Os primeiros grandes sucessos, ainda nos anos 50, foram Dom Pixote, Zé Colmeia e Pepe Legal. Inicialmente, os programas da Hanna-Barbera eram programas de 30 minutos divididos em três segmentos com cerca de 6 minutos, mais ou menos no formato que os curtas de cinema eram exibidos na TV. Com o tempo esse formato foi mudando, surgindo séries com episódios completos de 30 minutos.

Bill Hanna e Joe Barbera

Bill Hanna e Joe Barbera

Os anos 1960 foram o auge criativo da Hanna-Barbera. Foram criados desenhos animados como Manda-Chuva, Jonny Quest, Flintstones, Jetsons, Maguila Gorila, Formiga Atômica, Esquilo Secreto, Space Ghost, Galaxy Trio, Os Impossíveis, Scooby-Doo, O Poderoso Mightor e até a primeira versão animada do Quarteto Fantástico. A década de 1970 também foi muito produtiva, com lançamentos como Superamigos, Josie e as Gatinhas, Speed Buggy, Hong Kong Phooey, Dinamite, o Bionicão e por aí vai.

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Só que a competição foi aumentando. Joe Ruby e Ken Spears saíram da H-B depois de vários sucessos (incluindo o Scooby) pra fundar uma empresa própria, a Ruby-Spears, além de outros estúdios terem percebido que, apesar das críticas às limitações na animação, o mercado da TV era muito interessante. Até a Warner, já em 1989, resolveu entrar nesse nicho.

No começo dos anos 90, a Hanna-Barbera não estava muito bem. Foi aí que apareceu a Turner, que comprou todo o estúdio e sua biblioteca de séries e personagens. A empresa já tinha comprado anos antes o acervo da MGM, incluindo desenhos animados clássicos (ou seja, Tom & Jerry e Droopy) e, com esse material, lançou o Cartoon Network em 1992.

O canal ajudou a trazer os personagens da H-B para toda uma nova geração e, em 1995, foi lançado o projeto What a Cartoon!, com a produção de novos desenhos animados exclusivos pro Cartoon – uma iniciativa que, no Brasil, foi chamada de Estreia Mundial de Toons. Com o novo gás, até o Jonny Quest voltou, agora um adolescente.

Ainda em 1996, Turner e Time Warner se fundiram – fazendo com que o Cartoon Network e a Hanna-Barbera se tornassem parte do mesmo grupo da DC Comics. Aos poucos, a H-B foi desaparecendo, com uma parte da sua equipe e biblioteca absorvidos pela Warner Bros. Animation, enquanto outra parte passou a se dedicar à produção de séries para o CN sob o nome de Cartoon Network Studios.

H-B

Não dá pra dizer que a DC ignorou totalmente os personagens da H-B desde os anos 90, mas de tempos em tempos eles faziam apenas o básico: lançavam gibis com os personagens em encarnações bem próximas da TV para o público infantil e com foco nas bancas. Quem talvez tenha ido mais longe nessa iniciativa foi o Space Ghost, que em 2004 ganhou uma intepretação moderna com capas de Alex Ross que durou apenas seis edições. E nem foi por falta de darem ideia, não: há alguns anos, o quadrinista brasileiro Daniel HDR chegou a desenhar uma capa de uma reinterpretação da Liga da Justiça só com os heróis da H-B.

Ou seja, finalmente a DC tá pronta pra chutar a bola. Isso 20 anos depois que a oportunidade surgiu, num momento que muitas das séries da Hanna-Barbera estão fora da TV (afinal, Cartoon Network e Boomerang praticamente não exibem mais produções antigas, e não existe Tooncast nos EUA), mas finalmente vai acontecer.

Só vamos torcer pra não isolarem a jabulani...

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