Os melhores filmes de 2018 (até agora) | JUDAO.com.br

Aproveitando o fim do primeiro semestre nós resolvemos olhar pra tudo o que assistimos até agora pra definir Os Melhores Filmes do ano… até agora. :D

A internet virou essa corrida maluca por posição relevante na sua timeline, numa tentativa de que as coisas sejam lidas fora dali, o que muito raramente acontece, infelizmente.

Foi-se o tempo em que as pessoas escolhiam ler sites e blogs e sabiam exatamente quem (e por que) estava falando... Mas a gente do JUDAO.com.br não desiste e (quase) toda semana apareceremos por aqui respondendo, da maneira mais pessoal possível, alguma pergunta relacionada à cultura pop, adicionando as respostas ao nosso CANON. Assim você se lembra que somos pessoas, como você, e passa a nos conhecer um pouco melhor. :)

Na edição desta semana, aproveitando o fim do primeiro semestre (sim, o semestre acabou. Os primeiros seis meses de 2018 já são passado!), nós aqui do JUDAO.com.br resolvemos olhar pra tudo o que assistimos até agora pra definir Os Melhores Filmes de 2018 (até agora) no nosso Canon.

As respostas tão aí embaixo. Divirta-se! :D

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| Aniquilação por Borbs
Eu fiquei feliz DEMAIS com A Forma da Água e Guillermo Del Toro ganhando o Oscar desse ano — que foi quando o filme estreou por aqui, então ele obviamente poderia ser o meu escolhido pra entrar no Canon.

Mas, embora eu infelizmente tenha assistido a infinitamente menos filmes do que eu planejava, nenhum outro ficou TANTO na minha cabeça, nos meus textos, na minha maneira de enxergar o mundo, meus próprios problemas pessoais e, o que é o principal aqui, o significado de cinema pra mim.

Ainda fico triste que não tenha conseguido assistir ao filme numa tela grande, numa sala escura, com um som alto. Mas isso não impede que o filme tenha sido o melhor do ano (até agora e até dezembro, sendo bem sincero...) pra mim.

| Desobediência por Júlia Gavillan
Confesso que fiquei em dúvida entre Desobediência e Hereditário, mas o novo filme de Sebastian Lelio acabou ganhando por muito pouco. Baseado no livro de Naomi Alderman, o filme conta a história de Ronit (Rachel Weisz), uma fotógrafa de Nova York que retorna para sua antiga comunidade conservadora judaica ortodoxa após a morte do seu pai, um importante rabino. Depois do seu afastamento, Ronit é recebida com frieza pela comunidade e se hospeda na casa de Dovid (Alessandro Nivola), um amigo de infância que se casou com Esti, uma amiga por quem Ronit se apaixonou há anos.

Depois de Uma Mulher Fantástica, Lelio entrega outro filme delicado sobre quem realmente somos e o que realmente queremos de nossos vidas. Desobediência provoca ao explorar as escolhas desses três amigos e como os caminhos que eles escolherão a partir desse reencontro serão fundamentais para o rumo que suas vidas tomarão. O diretor não explora uma visão sexualidade da relação entre Ronit e Esti e isso é maravilhoso. Desobediência é uma história delicada, inteligente, devastadora e extremamente humana.

Ah, e você pode ver minha resenha completa aqui no JUDAO.com.br 😉

| Eu não sou um Homem Fácil por Beatriz Fiorotto
Esse filme deveria ser visto por todo mundo, na boa. É um original Netflix que narra a história de Damien, um machista NOJENTÃO. Canta mulheres nas ruas, desrespeita outras em seu local de trabalho, trata todas como objetos e acha que o mundo gira em torno do seu pinto. EIS QUE, um dia, ele sofre um acidente e acorda em um mundo onde HOMENS são oprimidos. Subestimados, reduzidos à seres “bonitinhos e frágeis” e vistos como pedaços de carne.

O filme é super bem conduzido e mostra, sem disfarce, o absurdo que mulheres ainda vivem. Ele chega a parecer caricatural em um certo momento, mas é só trocar o gênero do personagem pra perceber que a estranheza só existe JUSTAMENTE pela inversão de papéis. E não rola finalzão clichê! Mulheres vão passar o filme todo apontando pra tela e falando “Ó LÁ. É RUIM, NÉ?” e homens, espero, vão assistir e perceber o quão tóxico é o comportamento masculino em geral.

| Um Lugar Silencioso por Thiago Cardim
Alguns dos meus filmes favoritos nos últimos anos têm sido de terror — mas nenhum deles nesta pegada da música incidental aumentando no momento certo pra então te aplicar aquele susto padrão e genérico pra pular da cadeira. Na verdade, produções que passei a amar como Corra! e A Bruxa vão construindo uma base de tensão que vai te fazendo grudar na cadeira o tempo todo, te deixando desconfortável e mexendo com suas emoções ao longo do caminho inteiro da trama. É mais sutil, mais efetivo, mais sádico, até.

Tem gente que chama isso de pós-terror. :P

Um Lugar Silencioso, meu favorito disparado de 2018 até agora, é muito mais nesta linha. Só que a sua trama simples, mas criativa (como diabos ninguém tinha pensado nisso antes?), junto com um elenco econômico e eficaz, depende ainda de algo que anda bem difícil nos dias de hoje: o comprometimento com a experiência. O filme só consegue obter o objetivo esperado se você se deixar envolver — e, bom, se todo mundo ao seu redor na sala de cinema também permitir que você se envolva. Nem sempre é fácil, sabemos bem.

Não vi o filme na exibição pra imprensa e, depois de tanta gente falando, lá fui eu, ingresso em punho, pipoca na mão, conferir a parada, meio que já preparado pro pior. Mas com menos de cinco minutos de filme, o bando de adolescentes barulhentos na fileira bem na minha frente simplesmente se calou. Para meu total espanto. Eles entraram muito na proposta do filme. Aliás, a sala inteira ficou em silêncio. A tensão no ar era palpável. Ninguém dizia uma palavra. Eu até parei de comer a pipoca porque o barulho do saquinho amassando e da dita cuja sendo mastigada podia estragar AQUELE MOMENTO. E, porra, com todo mundo ARREBANHADO assim, não tinha como não entrar de maneira certeira no clima.

Um filme capaz de causar este tipo de sensação de cu na mão em uma sala inteira de espectadores não pode ser menos do que genial.