Os Supergêmeos ativando também nos quadrinhos | JUDAO.com.br

Dupla que surgiu no icônico desenho animado dos Superamigos terá pela primeira vez na história um gibi próprio — no caso, dentro do novo selo Wonder Comics, da DC, com curadoria de ninguém menos do que Brian Michael Bendis

Quando a DC “roubou” o roteirista Brian Michael Bendis da Marvel, a gente sabia que ele provavelmente ia assumir o trampo por trás de um medalhão da editora — e acabou sendo O principal medalhão da casa, no caso o Homem de Aço. Mas como tamos falando de um dos maiores workaholics das HQs, era natural que arrumasse mais algo pra fazer além do seu selo Jinxworld, de quadrinhos autorais, e, durante a última edição da New York Comic Con, nós finalmente descobrimos.

Pois se de um lado existe o recém-lançado selo de gibis adultos DC Black Label, aquele da polêmica com do Bat-Bilau, agora teremos o Wonder Comics, iniciativa com curadoria de Bendis cujos títulos serão basicamente estrelados pelos personagens adolescentes da editora. Considerando que estamos falando do cara que criou Miles Morales e Riri Williams, dá pra dizer que a ideia, a ser lançada oficialmente no ano que vem, está mesmo nas mãos certas.

Inclusive, durante o painel em que a parada (que faz parte da continuidade oficial, é bom que se diga) toda foi anunciada, o autor deixou claro que esta é a chance de explorar temas com os quais vinham trabalhando nas suas duas criações marvetes. “Os primeiros amores, as primeiras tragédias, o quanto estes personagens significam uns para os outros... É literalmente uma lista de coisas que as pessoas tavam gritando pra que eu trouxesse de volta pra DC”. E ainda completou: “É uma celebração dos personagens maravilhosos da DC, da maravilha da vida, da maravilha que é o momento em que você percebe quem é na vida e como vai lutar por isso”.

A imagem abaixo, com a galera que deve aparecer na primeira leva de títulos, mostra um monte de rostos facilmente reconhecíveis como o Superboy Conner Kent/Kon-El, usando a roupa e o penteado da época da Morte do Superman, e uma série de outras novidades, tipo Ginny Hex, cujo sobrenome entrega se tratar de alguém cujo antepassado é o pistoleiro Jonah Hex, e o tal Teen Lantern, um jovem herói boliviano que consegue hackear a bateria dos Lanternas Verdes.

Dos quatro gibis que serão lançados, dois serão diretamente escritos por Bendis: o mais importante deles é a volta da Justiça Jovem / Young Justice, com arte de Patrick Gleason e uma formação inicial que reúne mais uma vez o trio Superboy (que, segundo consta, conviverá bem com Jon Kent, o filho biológico de Clark), Impulso e Robin (no caso, Tim Drake abandonando a identidade de Red Robin e voltando a usar seu antigo uniforme, o que deixa diversas dúvidas a respeito do futuro de Damian Wayne no cargo de Menino-Prodígio oficial). O time terá, ainda, uma interessante adição feminina: Ametista, de quem vocês devem se lembrar dos gibis clássicos da Legião dos Super-Heróis.

A outra obra escrita por Bendis, em parceria com David Walker e com traço de Jamal Campbell, será uma nova personagem chamada Naomi. Trata-se da única menina negra em uma cidade muuuuuito branca, até que Superman e o Mongul caem por lá no meio de uma sessão de pancadaria e ela faz uma viagem ao seu próprio passado graças aos pais adotivos e acaba descobrindo um canto misterioso dentro do Universo DC. Segundo Bendis, neste título será apresentada uma NOVA mitologia dentro da editora, do tipo que vai se estender por toda a cronologia atual e não apenas dentro do selo Wonder Comics.

O terceiro gibi, Dial H for Hero, terá roteiro de Sam Humphries e arte de Joe Quinones, usando um jovem menino mexicano de nome Miguel, apaixonado pelo Superman, pra retomar um conceito maluco de um título lá de 1966: uma espécie de telefone mágico que, quando discado usando a sequência H-E-R-O, dá à pessoa com o fone nas mãos um superpoder, além de um uniforme e uma identidade secreta. Mas por tempo limitado, claro.

E aí temos o quarto e último título deste lançamento. Este mesmo, que dá título a esta matéria: os Supergêmeos. Zan e Jayna, os mascotes do antigo desenho animado dos Superamigos, que pela primeira vez em sua história serão as estrelas de uma HQ própria.

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A HQ dos dois irmãos alienígenas — e do macaco Gleek, obviamente, né — será desenhada por Stephen Byrne (artista irlandês que ilustrou o Arqueiro Verde na fase escrita por Benjamin Percy), com roteiros de Mark Russell. E, claro, seus poderes permanecem intactos: Zan se torna qualquer variação de água e Jayna pode se transformar em qualquer animal. “O Mark encontrou um jeito de fazer isso acontecer de um jeito bem, BEM bizarro”, revela Bendis, sem dar mais detalhes. Sabe-se apenas que eles também terão uma espécie de link psíquico — e, pela primeira imagem liberada, sabe-se que eles estarão na escola e serão, de algum jeito, considerados uma dupla de perdedores (basta ver o que está escrito nos armários nas costas deles).

Mark Russell é meio que um especialista neste tipo de reinterpretação vinda dos desenhos animados, já que usou uma nova roupagem pros Flintstones ao fazer uma poderosa crítica aos tempos modernos e depois foi indicado a uma série de prêmios por seu trabalho com o gibi do Leão da Montanha, aquele da saída pela esquerda (ou direita) — que se tornou The Snagglepuss Chronicles, com um leão que é um escritor de teatro bem-sucedido mas também um gay forçado a ficar no armário por conta de uma sociedade bastante preconceituosa. Portanto, o que não falta aí é potencial pra estes novos Supergêmeos.

Figurinhas carimbadas nos desenhos da série dos Super Friends, produção da Hanna Barbera estrelada pelos principais heróis da DC Comics, eles são uma criação de Norman Maurer, responsável pela supervisão de roteiros da série animada. Originalmente batizados de Dick e Jane (com a presença do Mighty Monkey), eles na verdade teriam habilidades diferentes: enquanto Dick se pareceria com o Homem-Borracha, Jane poderia se transformar em literalmente qualquer coisa e não apenas animais. Mas aí os produtores preferiram torná-los menos overpower e baixaram a bola da dupla, rebatizada com base no Tarzan e em seu eterno amor, a Jane — as orelhas pontudas vieram do Spock, obviamente. E logo eles se tornaram xodós do desenho, heróis adolescentes em formação sendo treinados por Batman, Superman e companhia.

Mas, apesar de serem praticamente protagonistas nas primeiras temporadas, o papel de herói teen foi sendo gradativamente assumido por novas caras como o Nuclear — e aí os dois irmãos foram total e completamente eliminados, substituídos na temporada final pelo Cyborg, lá pelos idos de 1985.

Em outubro de 1977 eles apareceram pela primeira vez nos gibis. Mais especificamente, na edição de número 7 da HQ Super Friends, revista da dupla Nelson Bridwell e Ramona Fradon lançada para ser um complemento do que era apresentado na TV. E ali descobrimos que eles eram metas do planeta Exxor, herdeiros de uma antiga raça de exxorianos que podiam mudar de forma. Seus pais morreram quando eles ainda eram bebês, vítimas de uma praga rara, e ninguém queria adotá-los justamente porque os dois tinham estas habilidades estranhas.

Pois que ambos caíram nas mãos do dono de um circo espacial que queria usá-los como atrações do show de horrores. No fim, o palhaço local é que acabou criando ambos como um pai, sendo inclusive o responsável por lhes dar o Gleek como animal de estimação. Quando adolescentes, escaparam do circo e foram parar num planeta onde descobriram os planos do vilão Grax para destruir a Terra. Então, a dupla partiu pra cá, avisou a Liga da Justiça e foi meio que adotada pelos heróis. Logo eles passaram a viver com um velho cientista chamado Professor Carter Nichols, que lhes deu as identidades secretas de Johan e Joanna Fleming, intercambistas suecos que estudavam na Gotham City High School.

Mas aí, senhoras e senhores, vieram os anos 90. E, com eles, Zan e Jayna enfim foram introduzidos oficialmente na cronologia DC pós-Crise nas Infinitas Terras, dentro do gibi Extreme Justice #9 (1995). E como eram os anos 90, ora ora, o roteirista Ivan Velez Jr. e o saudoso desenhista brasileiro Al Rio ficaram responsáveis por dar-lhes um revival mais “radical”. Foi aí que eles se tornaram escravos fugidos de um poderoso vilão alienígena e que, sem falar inglês, chegaram na Terra e atacaram alguns cidadãos desavisados e a própria Liga da Justiça. Quando a parada toda se resolveu, ambos foram fazer parte do time liderado pelo Capitão Átomo, se envolvendo até mesmo no crossover Noite Final (afeeeeeee).

Depois disso, eles só apareceriam muito eventualmente, fosse no gibi da Justiça Jovem, fosse nas histórias dos Jovens Titãs ou mesmo como coadjuvantes de fundo de página no tão aguardado encontro entre a Liga e os Vingadores, da rival Marvel, cortesia de Kurt Busiek e George Pérez. No arco Smallville: Titans, parte da revista que fez o que seria uma espécie de temporada 11 da série Smallville, os Supergêmeos foram aproveitados justamente porque tinham aparecido em um episódio do seriado e passaram a integrar a escola especial de Jay Garrick para jovens com habilidades, ao lado de Superboy, Ricardito, Besouro Azul e Miss Marte.

Para os viciados por continuidade, no entanto, numa edição do gibi do Batman pós-Rebirth, vemos duas pessoas comuns dando as caras como cosplayers dos Supergêmeos durante uma noite especial dedicada aos super-heróis, o que poderia dar a entender que, sim, eles existem como parte da atual cronologia da editora. Agora a gente sabe que sim! ;)

Apesar dos poderes do Zan terem sido objeto de sacanagem por fontes diversas nos últimos anos, do Frango Robô ao desenho Teen Titans Go!, passando até mesmo por um maravilhoso episódio do Porta dos Fundos, vale lembrar que dava pra ele ir BEM além do que geralmente se lembra que acontecia quando eles batiam as mãos e gritavam “Supergêmeos, Ativar!”. Usualmente, a piada recorrente é que ele virava um balde de gelo, que a Jayna carregava no bico ao virar uma águia. Maldade com o moço. ;)

A ideia é que Zan possa se tornar qualquer estado da água e possa inclusive usar massa de água nos arredores para ampliar sua própria massa — por exemplo, variando desde um gelo em forma de cadeia para prender um vilão ou mesmo um gigantesco monstro gelado pra sair distribuindo porrada em todo mundo. Ele chegou até a se transformar em coisas como nitrogênio líquido ou mesmo um fenômeno meteorológico envolvendo água, como uma nevasca, uma monção, tromba d’água ou um tufão.

Certeza que Mark Russell não só vai saber explorar bem isso como também todo o bullying em torno do garoto. Que, aliás, podia bem passar por umas horas de estágio com o Aquaman pra entender como é duro passar por estas piadas, né? Força, guerreiros!