Para o novo Quarteto Fantástico dos cinemas funcionar, basta ele ser Incrível | Judão

ENFIM começaram os rumores a respeito de um novo filme do Quarteto Fantástico — mas antes que você MALDIGA estas informações, é bom dizer que elas trazem pelo menos um fiozinho de esperança…

Olha que até que demorou, viu. Praticamente dois anos se passaram e só agora começam as histórias a respeito de um NOVO filme do Quarteto Fantástico, depois daquele desastre de 2015, que carinhosamente apelidamos por aqui de “monte de bosta“.

De acordo com fontes do Bleeding Cool, a Fox estaria a pleno vapor para a quarta tentativa da MALFADADA trajetória da primeira família de heróis da Marvel nos cinemas até então. A parte interessante é que seria numa pegada totalmente diferente das duas anteriores.

Se Tim Story tentou (!) fazer uma mistura de ação com comédia familiar (resvalando para os piores e mais genéricos exemplares de comédia romântica em determinados momentos) nas versões de 2005 e 2007 e Josh Trank embarcou (!!) numa reimaginação dos personagens mais jovens, inspirada na versão Ultimate, com tons mais sombrios e sérios, a ideia agora é focar na molecada.

Na verdade, “molecada” não só no público, mas também no que diz respeito aos protagonistas. Reed e Sue Richards não apenas já seriam mais velhos e estariam casados como também teriam seus dois filhos, Franklin e Valeria, eles próprios o foco da história. Claro que os tiozões Ben Grimm (Coisa) e Johnny Storm (Tocha Humana) também seriam parte importante da trama, já que um é praticamente a bússola moral do casal de crianças enquanto o outro é um exemplo típico de como NÃO se comportar. Adivinha qual é qual. ;)

Nada foi dito sobre o roteiro abordar os vastos poderes de Franklin — que é um dos mutantes mais poderosos do planeta, com habilidades mentais de telepatia e telecinese, além de modificação da realidade em uma escala cósmica e de ser, bom, virtualmente imortal — ou a inteligência fora do comum de Valeria, mas que o dito cujo já estaria sendo escrito, isso o Bleeding-Cool diz que sim, já. Seth Grahame-Smith, autor de dois livros transformados em filme (Abraham Lincoln – Caçador de Vampiros e Orgulho e Preconceito e Zumbis) e que dirigiria o filme do Flash se não tivesse abandonado o barco pelas tais “diferenças criativas”, seria o responsável pelo texto.

Grahame-Smith chegou a dar uma polida no roteiro da versão de Trank para o Quarteto... o que poderia ser um sinal de alerta. E, bom, vamos lá, a gente não poderia se importar menos com o diacho do Quarteto Fantástico ganhando outro filme, quer seja ele uma espécie de continuação do de 2015, quer seja um reboot. Mas aí o Bleeding Cool me solta a expressão que eu tava esperando ouvir há mais de uma década: “a história promete ter um quê de Os Incríveis“.

AÍ SIM CARALHO PORRA BUCETA CU!

Os Incríveis, animação da Pixar lançada em 2004, é de longe o melhor filme do Quarteto Fantástico de todos os tempos

Dane-se que o filme de Brad Bird não é sobre Reed, Sue, Johnny e Ben. Mas é sim sobre Roberto, Helena, Flecha e Violeta (além do pequeno Zezé), uma família superpoderosa que ao mesmo tempo em que combate o crime discute quem tira o lixo, por que as crianças brigaram na escola ou qual vai ser o prato no jantar de hoje.

Tudo numa pegada de aventura retrô com um tom ensolarado e bem-humorado, esbanjando ótimos e inteligentes diálogos, além de explorar todo o potencial carismático dos heróis e do vilão megalomaníaco obcecado pelo patriarca da família (te lembrou um certo ditador de um certo país fictício do Leste Europeu?). E, claro, mantendo este equilíbrio obviamente sem perder aquele clima de “exploradores do desconhecido” que Stan Lee e Jack Kirby tanto prezavam no Quarteto original lá de 1961.

Tá bom que nesta história toda aí, que por enquanto a gente classifica apenas como RUMOR, entre “a história promete” e “a história vai ser” existe um abismo imenso, maior ainda se considerarmos “a história realmente é”. Mas, porra, acho que é a PRIMEIRA vez em que alguém fala sobre algo minimamente próximo das aventuras clássicas dos quatro fantásticos nos gibis.

Até os envolvidos no processo de transição das HQs pras telonas concordam. “A gente não fez um bom filme”, disse o produtor Simon Kinberg sobre a versão de Trank, em entrevista ao Den of Geek, quando ainda falava em fazer uma continuação com o mesmo elenco. “Queremos ser mais verdadeiros à essência, ao tom do Quarteto Fantástico, que é diferente dos X-Men, numa pegada mais iluminada, divertida, otimista. Tentamos fazer um Quarteto mais dark, o que pareceu uma ideia radical mas na verdade a gente estava bagunçando o DNA dos quadrinhos originais”.

É importante lembrar ainda ao Sr.Kinberg que lááááááááááááááá em 2003, antes de Josh Trank e Tim Story entrarem na jogada, um tal de Peyton Reed, diretor do filme do Homem-Formiga, estava conversando com o estúdio da raposa a respeito da adaptação do Quarteto. “Visualmente, uma coisa sobre a qual falamos muito foi sobre o Quarteto ser um grupo de super-heróis diurnos. Eles não têm identidades secretas, eles são parte da paisagem de Manhattan”, explica ele, em entrevista ao Film School Rejects. “Neste universo, se você vai até Nova York, tem que ver o Empire State, a Estátua da Liberdade e o Edifício Baxter. Falamos até em ser uma história ambientada nos anos 60, mas a Fox não tava muito no barato de filme de época”.

Corta pra 2011. X-Men: Primeira Classe. ¯\_(ツ)_/¯

A ideia de Reed (olha aí, era o cara perfeito até no sobrenome) era que eles fossem meio superstars. “Queríamos uma estrutura tipo A Hard Day’s Night (aka Os Reis do Iê, Iê, Iê, o filme dos Beatles). Manhã em Manhattan, você tá na fila do Starbucks e alguém corre gritando ‘olha, o Quarteto Fantástico está lutando ali na esquina’. A câmera segue a multidão e você vê aquela cena do Tocha voando, o Coisa socando, puro caos. Veja, o primeiro Vingadores do Joss [Whedon] tem este espírito. Eles são celebridades modernas. Eis um filme que eu queria muito ter feito”.

Me diz aí se isso não é muito Os Incríveis? ENTÃO, Fox. ENTÃO. :D