Parece que aquele filme solo do Obi-Wan vai mesmo rolar | Judão

E a julgar pelo cara que tão querendo pra direção, tem tudo para ser um capítulo ÚNICO do universo Star Wars

ACONTECEU. Depois de uma punheta quase infinita, capaz de deixar qualquer par de boletas roxo e que há anos tem obrigado Ewan McGregor a deixar de falar de seus projetos para responder se gostaria de voltar ao universo de Star Wars (spoiler: ele gostaria :D), surgiram informações respeitáveis que dão conta de que teremos um filme solo do mestre jedi tão sábio quanto Yoda e tão poderoso quanto Mace Windu, Obi-Wan Kenobi.

Quem deu o furo (e certamente adorou) foi o Hollywood Reporter, que nem cita o retorno de McGregor ao papel do “Tio Ben”, mas afirmou que a LucasFilm está num papo sério com o diretor Stephen Daldry para tirar o projeto do papel. Pra lá de experiente, o britânico é o primeiro sinal de que Kathleen Kennedy e companhia estão tomando a direção certa para contar uma história que deve se passar entre os episódios III e IV, durante o exílio de Kenobi no deserto de Tatooine.

Ainda não há roteiro, mas com esse diretor em potencial e a sua filmografia, temos motivos de sobra pra ficarmos animados. :D

Bem diferente de J.J. Abrams e Garreth Edwards (e até de Ron Howard, convenhamos), Daldry construiu um nome de respeito em Hollywood ao levar dramas repleto de nuances e muito coração às telonas. Diretor de Billy Elliot, As Horas, O Leitor, o melancólico Extremamente Alto e Incrivelmente Perto e, mais recentemente, alguns episódios da celebradíssima The Crown, o cara seria uma das últimas opções se a LucasFilm quisesse fazer um filme de ação, repleto de grandes momentos e espetáculo. Assim como está, parece muito mais provável termos um exame intimista da figura de Kenobi, em meio à imensidão do deserto e sob a sombra do império e de seu papel enquanto guardião de Luke – algo muito mais ÚNICO para a saga, tal qual os spin-offs devem buscar ser.

Ao longo dos anos em que os fãs têm clamado por uma aventura solo do mestre de Anakin e sua prole Skywalker, muita gente tem ventilado a ideia de um pseudofaroeste, focando em aventuras de Kenobi tentando auxiliar o povo de Tatooine. Seria algo bem na linha do LIVRO Kenobi, da série Legends, escrito John Jackson Miller, aliás. Mas, enquanto a ideia certamente daria pano para uma aventura divertida, com Daldry no leme é possível imaginarmos o universo Star Wars tomando um rumo muito mais ambicioso.

Especulando

Ao final do Episódio III: A Vingança dos Sith, Kenobi se vê como um dos últimos jedi vivos. Isolado em um planeta deserto, ele assiste à destruição, pedaço a pedaço, do universo em que viveu, cresceu e que ajudou a construir, enquanto tenta digerir a ideia de que, talvez, boa culpa disso tudo tenha sido dele, ao falhar com o aprendiz que ele ainda acredita ter matado e aquele que toda a sua fé na Força apontava ser O ESCOLHIDO.

Enquanto isso, em algum lugar da galáxia, o que restou desse antigo estudante se converge no braço direito de um império brutal, que passa a estender-se aos confins do universo e até ao próprio planeta onde seu o velho mestre se esconde. Assim, como um homem em ruínas, deixado à MERCÊ de sua fé num potencial novo salvador, veio a tornar-se a figura calma e centrada, pacata e focada que conhecemos no Episódio IV: Uma Nova Esperança? Certamente, não sem muito questionamento e revolta, é certo.

Se o filme solo de Kenobi de fato quiser buscar novos horizontes narrativos no universo Star Wars, o melhor caminho é destruir a figura conhecida como Obi-Wan Kenobi, o poderoso mestre jedi e general, perante os olhos do espectador, recriando-o como o Ben Kenobi que o mundo conheceu em 1977. Melhor ainda se ele se propuser a acertar algumas INCONGRUÊNCIAS entre a trilogia clássica e as prequels, como um certo diálogo entre Vader e Ben.

Ato final, interior da Estrela da Morte. Um velho Kenobi confronta o poderoso Darth Vader. Eles se conhecem, não só de suas vidas passadas antes da queda da República, mas deste momento atual. Enquanto lutam, o Lorde das Trevas provoca seu antigo tutor: “Você não deveria ter voltado”, afirma. À época, uma linha de diálogo banal escrita por um jovem George Lucas. Hoje, potencialmente a chave para mais uma dose deliciosa de fan service.

Imagine que essa nova aventura de Kenobi culmine em sua descoberta, depois de muito sofrimento, que Anakin Skywaker ainda vive. Obstinado, ele descobre uma forma de infiltrar-se na Estrela da Morte ainda em construção, onde confronta o Vader FULL POWER pela primeira vez, no intuito de tentar resgatar seu aprendiz ou simplesmente finalizar o que não conseguiu, anos antes. Se Rogue One não teve vergonha de nos dar aquele maravilhoso final, por que não poderíamos ter pelo menos mais um embate entre o velho Kenobi e Darth Vader.

Pelo menos, um que que não seja meio vergonhoso, né não? :D

O desfecho viria com uma derrota moral de Obi-Wan, que então aceitaria como sua única opção voltar sua fé à Força, aguardando em silêncio no deserto de Tatooine até que o jovem Luke pudesse começar seu treinamento. Já do lado de Vader, por respeito ao seu antigo mestre, ele deixaria o velho quieto no planeta arenoso no qual tinha 0 interesse em pisar — dando, assim, um significado ainda maior à frase “você não deveria ter voltado”, mostrando, tal qual os gibis da saga têm feito recentemente, que havia muito mais de Anakin sob o capacete preto do que imaginávamos, e de quebra silenciando aquela eterna pergunta de “como RAIOS Vader nunca se ligou que o Obi-Wan tava dando sopa num planeta embaixo do seu nariz?”.

Se a Lucasfilm seguir um caminho similar a este, ou mesmo se seguir outros rumos, mas ainda assim focar numa exploração mais profunda da PSIQUÉ de Obi-Wan, sua fé na força e sua reconstrução como Ben Kenobi, certamente teremos um filme para nos deleitarmos.

Na pior das hipóteses, pelo menos o pobre do Ewan McGregor vai poder começar a responder perguntas de outros assuntos. :D