Parece que vai rolar spinoff de The Big Bang Theory pra contar as origens de Bazinga... | Judão

MAS. QUE. MERDA. DE. IDEIA.

Goste você ou não dos rumos que a série tomou, o fato é que The Big Bang Theory ainda é a comédia número 1 dos EUA e continua sendo uma rentável galinha dos ovos de ouro pra todo mundo. Os números de audiência são incríveis pra CBS nos EUA e pro Warner Channel tanto aqui no Brasil quanto em toda a América Latina. E ainda tem o tanto que a empresa da Caixa d’Água embolsa com venda de Blu-rays e demais produtos licenciados, as temporadas revendidas via syndication para emissoras locais dos EUA...

Mas o ponto é que, em 2017, TBBT chega à sua temporada de número 10. E é apenas até ali que estão devidamente negociados os salários dos seus atores principais. O futuro das histórias de Leonard, Sheldon, Penny, Howard e Raj é incerto, conforme te explicamos bem aqui nesta matéria. São cinco atores que custam por episódio cerca de R$ 4,5 milhões. Isso considerando APENAS o quanto se paga ao quinteto principal.

Só que o ouro dos ovos que esta galinha bota ainda faz os olhinhos dos produtores brilharem, né? E aí que, de acordo com o The Hollywood Reporter, os criadores de TBBT, Chuck Lorre e Bill Prady, em parceria com o showrunner Steve Molaro, estariam desenvolvendo um spinoff da série. Que seria do tipo single-camera, sem plateia, diferente do tradicional formato multicamera atual, bastante comum às sitcoms. E que, no caso, seria uma PREQUÊNCIA.

E é aqui que eu acho que a porca dá uma torcida no rabo desta galinha dos ovos de ouro (ficou confuso em termos biológicos, eu sei, mas a intenção era esta mesmo). Tudo porque esta nova série seria focada na infância/adolescência do Dr. Sheldon Cooper (Jim Parsons) no leste do Texas, com o próprio Parsons como produtor executivo.

A comparação que estaria rolando nos bastidores é com Malcolm in the Middle, programa sobre um moleque comum (vivido por Frankie Muniz) que demonstra uma inteligência fora do comum e vai parar no meio da classe dos gênios da escola. Além do fato de seu pai ser um Bryan Cranston imaturo e bem divertido, a série funciona ao colocá-lo como um deslocado de tudo e de todos, se sentindo rejeitado ao mesmo tempo pelos crânios e pelos atletas do campus... E tudo que ele quer é ser um carinha normal, nada especial, nada diferente, nada único.

Juro que entendo a comparação. E até entendo, vá lá, a decisão. Já tá tudo meio pronto aqui, levando em consideração todos os elementos que já foram mostrados ou ao menos mencionados em TBBT nesta última década. Uma pequena cidadezinha interiorana, a mãe bondosa mas extremamente religiosa, o pai redneck beberrão e bonachão a la Homer Simpson, o irmão mais velho cabeça-dura, a irmã-gêmea que se tornou linda e é a gata mais popular do colégio e, no meio de tudo isso, um moleque-gênio de personalidade insuportável e autista, um estudante brilhante que vai pra faculdade antes de ter espinhas na cara, um fanático por ficção científica e gibis que se sente um pária e começa a fazer experiências científicas tão complexas a ponto de ameaçar a integridade física de todo mundo na casa.

Aí vamos descobrir como surgiu a expressão Bazinga!, quando foi que Mary Cooper cantou “Soft Kitty” pela primeira vez para fazer Sheldon (no caso, “Shelly”, como ela chama carinhosamente) dormir, podemos até ver o dia em que Missy torturou Sheldon ao mentir que o Batman estava vindo para o seu aniversário ou ouvir os conselhos imbecis de George para o filhão a respeito das mulheres (que, obviamente, Sheldon prefere manter BEM longe).

Mas “entender a decisão” não significa “concordar com a decisão”. E ainda continuo achando a ideia UMA MERDA. Daquelas enormes. Fedidas. E cheias de moscas.

Bill Prady com o elenco de The Big Band Theory

Bill Prady com o elenco de The Big Band Theory

Olha só, deixa eu tirar o elefante branco da sala de uma vez e explicar que eu gosto de The Big Bang Theory, por mais que isso me faça motivo de ESCÁRNIO entre meus colegas de JUDÃO. Até escrevi um texto no qual questionava não entender o motivo desta birra toda com a série.

Tá bom que, nos últimos dois anos, eu de fato esteja achando o timing cômico da série um pouco cansado, FATIGADO, apesar de uma ou outra boa sacada, e acabei parando de assisti-la com a frequência de OUTRORA, deixando para ver um apanhadão assim que a temporada termina. Mas isso não importa, porque grande parte da minha opinião exposta naquele texto continua valendo, em especial a sensação de que a série melhorou um bocado quando as personagens femininas se tornaram mais proeminentes e, obviamente, minha oposição à utilização babaca do termo “bazingueiro”.

Comercialmente, a ideia de uma série derivada estrelada pelo próprio Sheldon faz sentido? Claro que sim. Estamos falando do personagem que virou ícone da série, seu principal símbolo, é correr atrás da audiência garantida, é jogar com a certeza de que a partida já tá ganha antes mesmo do apito inicial. Fazer TV não é caridade e ninguém dá um passo adiante só porque “é legal”. O mundinho do entretenimento é um mercado e precisa render dinheiro, dar lucro, aquela coisa. Maaaaaaaaaaaas... como a gente já disse algumas MUITAS vezes aqui no JUDÃO, se todas as decisões do mundo forem tomadas pensando apenas e tão somente na audiência e na grana, FODEU.

Lorre e companhia estão seguindo pelo caminho mais óbvio. Mais genérico. Tá tudo tão prontinho que não teremos nenhuma surpresa. Como eu escrevi antes, o personagem de Sheldon é o grande exagero da série, criado para ser o contraponto imediato dos outros três protagonistas. Mas logo ele se tornou mais protagonista do que o próprio Leonard, cujo interesse pela vizinha do outro lado do corredor norteava a trama no início. Mas se a ideia era fazer um spinoff, por que não optar por uma saída que envolvesse um dos muitos coadjuvantes mais interessantes e sobre os quais sabemos bem menos? Não haveria muito mais espaço para novidade, para criatividade, para ousar um pouco mais?

Por que não optar por uma saída que envolvesse um dos coadjuvantes? Haveria muito mais espaço para novidade, para criatividade, para ousar um pouco mais

Se é para se focar na infância de um personagem socialmente inepto, por que não colocar os holofotes na própria Amy Farrah Fowler, que começou como uma versão feminina do Sheldon mas logo evoluiu para um lado bem mais interessante? Talvez o passado de Howard ao lado de sua mãe controladora e chantagista emocional não pudesse ajudar a construir esta ideia de “comédia com família disfuncional”? A chegada de Raj aos Estados Unidos, pô, poderia render bem também. Ou, quem sabe, indo até mais longe, poderíamos brincar com o passado do problemático Stuart Bloom, o dono da loja de quadrinhos local que todo mundo frequenta (e esta é uma das ideias que mais me agradam, aliás). Opção, gente, é o que não falta.

Mas claro. Sheldon dá dinheiro, né? Então, vamos colocar um moleque esquisito pra ser uma irritante metralhadora de “Bazinga!”. Vamos fazer um spinoff com o próprio protagonista da série. Uma dica pro Chuck velho de guerra: nem sempre a opção mais fácil e mais simples é a melhor. Porque às vezes, depois de 10 anos, você entregar uma nova série que é totalmente igual à original só vai fazer as pessoas pensarem “ah, mas se for pra ver isso, eu fico lá com as reprises da original porque é bem melhor”. Joey Tribianni que o diga.

Pelo menos, esta é a minha teoria (entendeu o que eu fiz aqui?).