Planet of the Apes / Green Lantern é um crossover gostoso demais de ler | Judão

E no caso da primeira edição da minissérie em seis edições que reúne os personagens da DC com os ícones do cinema de ficção, pode considerar isso um elogio e tanto

Poder e controle. Segundo o roteirista Justin Jordan, em entrevista ao Comic Book Resources, é isso que une os Lanternas Verdes e o Planeta dos Macacos no crossover em seis edições que ele tá escrevendo – e cujo primeiro número acaba de ser lançado. Do lado dos Lanternas, o poder dos anéis e o controle que os heróis têm que ter para controlá-los, a sua já lendária força de vontade. Já do lado dos SÍMIOS, o poder político para controlar o estranho visitante humano e, mais tarde, manter toda uma sociedade sob controle assim que o segredo sai da caixa.

Mas, honestamente, nem precisava tanta justificativa assim. Porque a sensação de que esta é uma mistura esquisita passa já nas primeira páginas de Planet of the Apes/Green Lantern # 1, publicado pela BOOM! Studios. Fica tudo tão estranhamente bem amarrado, com uma cara de filme de ficção científica dos anos 1970, que parece até que estamos diante de uma sequência natural de projetos como Batman ’66 ou Wonder Woman ’77. É diversão gostosa, leve, descontraída, um tanto inocente até. De vez em quando é bom, viu? Um retrô bom, que não é nostalgia apenas e tão somente pela nostalgia.

A história não enrola, vai direto ao ponto, você já sabe exatamente o que te espera. Não tem ninguém fazendo propaganda enganosa por aqui. E, aliás, a sensação de que dá pra curtir isso tranquilamente, sem se preocupar em ler 52 gibis diferentes ou pelo menos 18 anos de cronologia diferente, é realmente libertadora. É só um gibi, sabe? E não uma megassaga ou algo assim.

No caso dos Lanternas, a história se passa fora da cronologia oficial da DC – mas considere que tá tudo rolando naquele momento em que a Tropa foi reformada, Hal luta ao lado de Guy Gardner (MELHOR LANTERNA) e existem todos aqueles anéis de cores diferentes, além dos verdes e amarelos e deu, isso é o que você precisa saber pra sacar o que rolou.

Já sobre Planeta dos Macacos, e isso deixa a coisa toda ainda mais PITORESCA e divertida, a história está ambientada não no universo dos filmes atuais, mas sim no que rolou nos filmes clássicos, mais especificamente entre o primeiro, de 1968, e a continuação, De Volta ao Planeta dos Macacos (1970). O astronauta George Taylor (vivido por Charlton Heston no filme original) está desaparecido, Nova (personagem de Linda Harrison) ainda rondando está por ali e o segundo astronauta, o major John Brent (James Franciscus) ainda não chegou. O cientista Dr.Cornelius está procurando pelo humano que mudou a sua percepção de vida, mas acaba encontrando, no lugar, um estranho artefato que parece ter caído do céu. Adivinha só se não é um anel? ;)

O tal anel que Cornelius acha e, eventualmente, acaba colocando no dedo quando sente que aquilo parece estar falando com ele (“uma chance para paz”, é o que o marido da Dr.Zira consegue sentir) é o tal do anel universal, uma tentativa de se criar um anel para os Lanternas Brancos. Assim sendo, ele consegue fazer uso do poder dos anéis de todo o espectro, incluindo aqueles bem perigosos. Dá pra sacar, de imediato, que: 1) o bagulho é volátil e vai dar merda; 2) a criação dos Guardiões deu errado e eles resolveram enterrá-la bem longe, muito provavelmente no futuro de uma certa linha do tempo alternativa.

Onde entra Hal Jordan nesta jogada? O anel dele percebe uma alteração estranha na linha do tempo. Os Guardiões dizem que não é nada, que é pra ele deixar pra lá. Claro, claro. Quando o sujeito descobre que o tal pepino CRONAL tá rolando justamente na sua Terra, seu planetinha de origem (ainda que ele não saiba exatamente quando...), bingo, o sujeito MAIS UMA VEZ desobedece os mestres azuis e vai investigar, dando de cara com o Sinestro, que já tá ligado na do anel universal e se prepara para ir atrás dele. Portal temporal aberto, os dois lutam, os dois caem. Tá feito o crossover.

Hal Jordan é, originalmente, um piloto. Que, quando ganha o anel de Lanterna Verde, passa a SINGRAR as estrelas, tornando-se um explorador dos astros. Ora, ora, ele também é, de alguma forma, um astronauta. E quando ele cai no Planeta dos Macacos, com o poder de seu anel verde estranhamente anulado, é bem divertido que ele saia da praia e, deitado na areia, recrie a cena clássica da Estátua da Liberdade enterrada. É icônico. Não dava pra perder esta chance. Ele vai acabar se tornando o Taylor que os macacos tavam procurando.

Assim como não dava, claro, pra perder a oportunidade de ver Cornelius, o mais famoso personagem da série clássica, usando um anel do poder, num dilema moral que o faz perder o controle (olha o tema aí de novo) e a razão.

Se na Tropa dos Lanternas Verdes já tivemos um esquilo, um cachorro falante, um cogumelo, uma planta, um planeta vivo, um vírus (!) e até uma progressão matemática abstrata (!!!) usando o diacho do anel nos gibis, tá bem longe de ser estranho que um macaco inteligente acredite que é a vez dele.

A escolha de Barnaby Bagenda para a arte, conhecido por seu trabalho recente no título dos Omega Men, foi acertadíssima. Seu traço é clássico, limpo, leve, colorido, cheio de vida. Os movimentos são ágeis e os rostos – em especial o olhar de Cornelius – repletos de expressão. O complemento ideal para uma trama que, de tão esquisita, faz imediatamente um sentido danado.

Quando o primeiro número termina, a gente fica ali, querendo mais. O que é um puta sinal positivo, certeza que vou voltar para ler os outros e entender como diabos a história termina.

Mas, mais do que isso, o legal é que você já se pega imaginando que outras misturas malucas dariam um resultado assim tão bacana. Besouro Azul & Gladiador Dourado encontram Riggs & Murtaugh? Lobo encara o Rambo? Batman dá de cara com o Darkman em Gotham City?

Eu topo todos, manda mais. ;)