Porque o universo precisa de Jessica Jones | Judão

Não só o Universo Cinematográfico da Marvel. O nosso, mesmo.

Você já deve ter lido, e ainda vai ler mais um monte de vezes — se bobear, até aqui mesmo no JUDÃO — sobre o quão pesada Jessica Jones é. Diferente de tudo o que estamos acostumados no tal do Universo Cinematográfico da Marvel (começando pelo fato de que o título da série é o nome CIVIL da personagem), Jessica seria uma mulher como muitas outras, não fosse por um acidente sobre o qual ela mal quer falar sobre.

Cagada na vida, com um emprego de merda, morando num muquifo, bebendo pra caralho e, também pela segunda vez nesse Universo, trepando (parece chocante, especialmente se você não assiste a Agents of SHIELD ou não se lembra da relação estritamente física da May com o Ward, mas é uma coisa que acontece). O fato de ser tão humana já coloca a série num lugar especial dentro do MCU, um lugar muito pouco ou nada explorado, BASTANTE parecido com os quadrinhos de onde ela saiu.

A questão é que isso dá à personagem, interpretada por Krysten Ritter, uma atriz que não tem uma beleza óbvia, fato que ajuda na construção dessa personagem, vários pesos, várias medidas. E um em específico me chamou mais à atenção, ECLIPSANDO quase tudo o que aquela história pudesse significar em termos de adaptação de quadrinhos, de como se encaixa no MCU, enfim.

Jessica Jones é uma divisora de águas nessa coisa toda de adaptações de histórias em quadrinhos assim como Homem de Ferro foi em 2008, com aquela cena pós-créditos que permitiu que, hoje, tivéssemos essa série. Jessica Jones pode não MUDAR a cultura pop, mas é um dos pontos mais importantes da sua história — especialmente pelo momento em que chega, ainda mais se olharmos pra tudo o que tem acontecido no Brasil.

Jessica Jones é uma série sobre abuso.

Jessica Jones não é só uma série num universo em “aquele cara verde” existe, em que alienígenas invadiram a Terra, uma cidade saiu voando, um robô quase dominou um mundo, um semi-deus anda entre nós. É de tudo isso, sim. Mas o mais importante é que Jessica Jones é uma série sobre abuso.

Jessica Jones

Cagada na vida, com um emprego de merda, morando num muquifo, bebendo pra caralho por conta do que ela foi, literalmente, obrigada a viver por Kilgrave — desde já, o grande vilão da Marvel fora dos quadrinhos. Porque o que Kilgrave fez com ela foi abuso, esse mesmo que tantas meninas relatam todos os dias e que tanta gente chama de mimimi ou vitimismo ou “nada de mais, só uma brincadeira”.

Kilgrave quebrou a cabeça de Jessica Jones, uma mulher que chegou a pensar em se tornar super-heroína, usando uma roupa branca e roxa. Mas, simplesmente sendo quem é, o cara a faz ter pesadelos todos os dias. Joga com a mente dela, usando ou não seus poderes. Ele a persegue, a vigia, “manda presentes”... Não a deixa seguir sua vida. De nenhum tipo de maneira.

É impossível você não ODIAR esse cara. Não enxergar o quanto ele é repugnante — ele e tudo o que ele faz. E que, veja só você, ele é um homem. E ela uma mulher. Não, não é coincidência.

Espere textões. Muitos, em tudo quanto é lugar. No dia 25 de Novembro, depois da estreia da série, teremos um PoOOoOooODCAST! especial sobre essa história, com meninas que possam falar sobre isso muito melhor do que eu, que já me senti mal com o fato de aquele personagem existir.

Porque isso vai se fazer necessário. Porque a cultura pop é mais do que diversão pura e simples. A cultura pop ajuda a mudar o mundo. E Jessica Jones tá chegando pra provar isso. Mais uma vez.