Porque os Irmãos Russo podem ser creditados, juntos, como diretores dos seus filmes | JUDAO.com.br

É o mesmo motivo que impediu, por exemplo, que Joss Whedon e Zack Snyder fossem creditados como diretores de Liga da Justiça

Como todo sindicato, o Director’s Guild of America, doravante denominado DGA, busca sempre o melhor para os seus associados nas suas relações com os empregadores. Vai atrás de valores mínimos de salário, os tais residuais, estipula como devem ser os créditos (literalmente até, com o tamanho e momento em que devem aparecer na tela) e por aí vai. TREZE estúdios são signatários das suas regras, o que significa que eles só podem contratar pessoas que façam parte do sindicato.

Outros estúdios não signatários até podem contratar quem não faz parte mas, se por acaso resolverem fazer, precisam jogar com as mesmas regras.

Fundado em 1936, quando alguns dos principais diretores da época se reuniram secretamente pra formar uma aliança pra proteger os direitos econômicos e criativos dos diretores, o sindicato começou a perceber um grande crescimento de pessoas aleatórias tentando ganhar créditos de diretor nos filmes. Em 1978, numa renegociação de contratos, o DGA então colocou entre as suas regras a “singularidade de visão” que, em resumo, proíbe que mais de uma pessoa leve os créditos de direção de uma obra.

Como o site oficial do DGA explica, na época, muita gente envolvida na produção de filmes dava uma forçada de barra para serem incluídos como co-diretores, o que, em resumo, daria a eles todos os benefícios (monetários, especialmente) do cargo, mesmo que não tenham feito lá muita coisa nesse sentido. “Nossa preocupação era que o uso de mais de um diretor (e se dois, por que não três ou quatro e etc?) fosse transformar o produtor num super-diretor, e os diretores em mensageiros”, afirmou, na época, o responsável pela negociação. “Nós não queríamos que nossos membros se envolvessem em uma profissão limitada, padronizada, atrapalhando a visão individual, autoridade e créditos”.

Além disso, o DGA — que foi criado por diretores e, obviamente, é formado por eles — acredita que a visão de um diretor é única e não pode ser compartilhada com ninguém, até por uma questão de criatividade. A chance de as coisas ficarem perdidas e mal divididas são muito grandes, basta ver o que aconteceu com Liga da Justiça.

Se essa regra não existisse, tanto Joss Whedon quanto Zack Snyder teriam sido creditados como diretores. Mas, com ela, a Warner nem sequer pode pensar nisso, já que é uma SIGNATÁRIA das regras do DGA, assim como ambos os diretores.

Essa é, aliás, uma das razões pelas quais você nunca, jamais, em hipótese alguma verá a chamada “Snyder Cut”. :P

Hoje em dia praticamente todos os grandes portais e grupos de mídia do Brasil cobram pra que você possa ler seus conteúdos. O JUDAO.com.br continua produzindo conteúdo de graça pra todos, de forma independente, em diversas mídias, e vai fazer isso pra sempre. Mas não tá fácil pra ninguém.

Nunca o JUDAO.com.br foi tão lido em toda sua história, mas anúncios estão desaparecendo, o Facebook não deixa ninguém sair de lá e nós dependemos cada dia mais dos nossos leitores, ouvintes e espectadores pra financiar a produção de todo esse conteúdo sobre cultura pop que é bem raro na internet Brasileira. Se todo mundo que gosta, compartilha e/ou comenta contribuir, o nosso futuro estará garantido. Vamo?

Conheça nosso projeto e assine a partir de R$10 / mês. :)

As únicas maneiras de isso acontecer é como no caso de Sin City, que além de não ser produzido por nenhum estúdio signatário do DGA, teve Robert Rodriguez se desfiliando do sindicato pra que Frank Miller pudesse curtir os créditos AND a produção do filme pudesse acontecer (por conta disso, ele acabou perdendo um filme com orçamento de mais US$ 100 Milhões com a Paramount, signatária do acordo); ou quando o DGA reconhece “equipes de direção genuínas” e abre exceções, como para as Irmãs Wachowski, os Irmãos Coen, Phil Lord & Chris Miller (que não serão creditados como diretores de Han Solo – Uma História Star Wars por conta dessa regra), Anna Boden & Ryan Fleck (diretores de Capitã Marvel) e, óbvio, os Irmãos Russo.

Em entrevista ao site do DGA, Anthony Russo explicou a diferença de escrever e dirigir um filme junto com alguém. “Quando você está escrevendo, raramente tem uma experiência em que precisa tomar uma grande decisão rapidamente, e ela não pode ser mudada. Você precisa tomar várias decisões quando está dirigindo”, disse. “Isso põe muita pressão na colaboração da equipe. (...) Isso pode ter a ver com os motivos pra que tantos co-diretores sejam irmãos. Nós crescemos numa família muito unida onde dependíamos um do outro. Nós temos esse nível de confiança (...). É uma coisa muito difícil de fazer. É bem diferente de escrever junto.”

Bem, quem assistiu a Liga da Justiça sabe bem o que é que pode acontecer quando dois diretores com visões tão completamente diferentes trabalham em um filme, né? :)