Então tá, vamos falar sobre The Flash | Judão

Série se perdeu totalmente nesta terceira temporada e precisa se reinventar para a quarta

SPOILER! Acabou. Depois de muito sofrimento – para Barry Allen e para quem assiste à série – a terceira temporada de The Flash foi encerrada esta semana com o episódio Finish Line, um dos (poucos) pontos altos de todo o ano.

Tudo começou errado com Flashpoint. A ideia era aproveitar o conceito do crossover dos quadrinhos, com o Corredor Escarlate salvando a vida da mãe e criando um (péssimo) universo paralelo como consequência. Não funcionou. Depois, numa forma de MIMETIZAR o que deu certo nas duas temporadas anteriores, introduziram um vilão misterioso, Savitar. No entanto, o BIG BAD pouco apareceu e foi mal aproveitado, se perdendo num enredo sobre viagens no tempo que ficou confuso.

Mal aproveitado também foi a PROFUSÃO de velocistas. Jay Garrick, o Flash da Terra 3, teve um episódio legal e depois foi preso na Força de Aceleração. A Jesse Quick, que parecia que ia ter uma importância maior, foi colocada de lado. Já Wally West, o Kid Flash, SUMIU e, quando estava em cena, parecia não ter utilidade alguma, inclusive sem falas em momentos importantes da temporada. Outro erro foi a Nevasca: a transformação de Caitlin Snow numa vilã foi forçada, faltando peças nesse quebra-cabeça.

E se o arco dramático deste terceiro ano foi falho, isso se deveu a duas coisas: mais uma vez a temporada foi sobre conter danos de uma cagada provocada por Barry, algo que, a meu ver, faz dele menos um herói e mais um cara que, bom, só faz cagada. Também focaram muito no relacionamento #Barryris, sempre sem sal, culminando com a previsão de que a amada do herói morreria no season finale.

Olha que, analisando os conceitos básicos dos produtores e roteiristas Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Aaron Helbing e Todd Helbing, no papel realmente parecia tudo interessante. Poxa, o vilão da temporada ser um “remanescente do tempo” criado pelo Flash para derrotar o Savitar, pirar e se transformar no próprio Savitar é um LINDO paradoxo de predestinação. Pena que as ideias não foram bem utilizadas.

Foi ótimo ver Tom Cavanagh de volta à comédia, por mais que não soubesse muito como usar esse Wells de uma terra paralela; Grant Gustin chegou numas regiões diferentes da sua atuação, seja com o vilão Savitar ou no episódio em que perde a memória, mandando muito bem — e ele ainda cantou, apesar do crossover musical não ter funcionado muito bem como aquele da primeira parte da temporada, com o resto do Arrowverse...

Ok, Finish Line foi um dos pontos altos dessa temporada, mesmo sendo um episódio fraco quando comparado com os season finales dos anos anteriores. Tivemos a morte do HR Wells e o retorno do SEGUNDO melhor Wells, um desenvolvimento interessante para o destino da Iris (que, como esperado, não morre) e mais algumas camadas na versão maligna de Barry Allen. No final, toda a explicação para o Savitar deixar de existir, já que não encaixa com as outras leis de viagens do tempo criadas pela própria série – mas, ainda assim, teve uma boa função dramática ali.

No final, Barry Allen se sacrificou (SIM, porque ele fez cagada DE NOVO) e foi ficar preso na Força de Aceleração, mais uma vez repetindo a fórmula de cliffhanger usada nos anos anteriores. Ele vai voltar, é claro, mas que tudo isso sirva de aprendizado para que a quarta temporada da série não cometa os mesmos erros. É necessário mudar a fórmula e, principalmente, fazer do Flash um herói. Menos sobre arrumar as próprias cagadas, mais sobre defender o mundo.

Não é pedir muito, né?