Preocupada com o "conteúdo", DC cancela reimpressões de história clássica do Shazam pelo resto da eternidade | JUDAO.com.br

Por ter conteúdo racista e xenofóbico, A Sociedade Monstruosa do Mal não será mais relançada pela DC. Mas parece que não é SÓ por isso…

Na San Diego Comic-Con desse ano, nós tivemos a chance de conhecer um novo lado da DC nos cinemas. Como dissemos aqui, parece que alguém pagou a conta de energia dos estúdios e finalmente teremos luz, com essa nova VONTADE de fazer coisas menos sombrias e mais cativantes. E, dentro disso, Shazam! parece ser o mais divertido de todos.

A história do adolescente desajustado que vira super-herói tem um carisma ENORME e o próprio diretor David F. Sandberg disse que dá até pra comparar com um filme de natal. “É sobre encontrar sua própria família, [o filme] tem órfãos e crianças abandonadas… o Natal é um feriado familiar, então acaba juntando tudo”. Tudo muito fofo, uma gracinha! Mas nem sempre foi assim.

A gente tá careca de saber que obras produzidas há décadas correm o risco de terem em sua narrativas elementos que hoje sabemos o quão problemáticos são. Racismo, misoginia, homofobia, xenofobia e tantos outros comportamentos ERRADOS eram corriqueiros e vistos como algo que não precisava de correção — como A Sociedade Monstruosa do Mal, história do Shazam! originalmente publicada nos anos 40, que terá sua reimpressão terminada JUSTAMENTE por um problema desses em sua história: o racismo.

Em Junho, surgiu a notícia de que esse arco – que faz parte das Aventuras do Capitão Marvel – seria relançado em uma versão definitiva, com seus 25 volumes em um só encadernado. A sua reprodução havia cessado lá nos anos 80 e agora seria seu ~grande retorno. SÓ QUE, de acordo com a ComicBook.com, em um e-mail enviado aos lojistas, a DC percebeu, após uma BOA olhada, que era hora de cancelar esses planos por conta de “preocupação com o seu conteúdo” — no caso, uma representação estereotipada de personagens negros, retratados ali como pessoas pouco inteligentes e preguiçosas, e japoneses, vistos como seres malévolos de pele amarela, dentes pontiagudos e olhos minúsculos dentro de óculos de armação grossa.

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Mas aí entra aquela coisa: deixar de distribuir essas histórias é negar o passado? Ou é pra não perpetuar mais essas ideias ruins? Para Erik Larsen, co-fundador da Image Comics, o negócio MESMO é não manchar a imagem do Shazam às vésperas da estreia do seu filme. “Eles não querem publicidade negativa associada ao conteúdo racista que Fawcett [Comics, publicadora original] fez para o Capitão Marvel” afirmou, em seu twitter. Ele ainda ressaltou a importância da narrativa para a história dos quadrinhos: “A Sociedade Monstruosa do Mal é um produto grande, atraente e irresistível da DC por ser uma história longa e com vários capítulos que incluem todos os maiores vilões do Capitão Marvel da época, incluindo a ÚNICA aparição do Senhor Cérebro na Era de Ouro.”

Mais tarde, ele resolveu provar em outro tweet que talvez a DC não esteja TÃO comprometida em não divulgar esse passado, falando sobre o fato de 26 volumes do classicão do Will Eisner, The Spirit, terem sido republicados MESMO com a aparição do personagem Ebony White, um personagem negro representado de uma maneira MUITO racista.

Com tudo isso, muitas pessoas defenderam que o conteúdo deveria ser republicado com um aviso aos moldes DAQUELE que aparece antes de animações antigas e controversas da Warner Bros, que afirma que “esses desenhos serão apresentados em sua forma original, porque fazer o contrário seria o mesmo que dizer que esses preconceitos nunca existiram”. Muitos se preocupam sobre justamente essa coisa toda de se negar o que já aconteceu de errado na nossa cultura e o perigo de não se aprender nada com isso. Cada vez mais, queremos fazer a coisa certa. E isso é ótimo! Mas cada vez mais, isso fica nebuloso.

Uma coisa é clara: Larsen tem razão quando aponta o medo da DC de sujar Shazam. Especialmente depois de uma SÉRIE de pessoas do entretenimento sendo demitidas e colocadas de lado por terem um passado questionável, agora DEFINITIVAMENTE não seria a hora de levantar algo assim. Por mais que estejamos em um momento em que role uma preocupação bem maior com questões sociais, estúdios e editoras se preocupam com DINHEIRO e ninguém quer viver um boicote ou algo parecido, né? ¯\_(ツ)_/¯