Quando Titia Alice roubou a cena de Jesus Cristo | JUDAO.com.br

Em nova edição da rock opera de Andrew Lloyd Webber, Alice Cooper desfila toda a sua teatralidade como o Rei Herodes e deixa o filho do cara lá de cima no chinelo. Mals aí, John Legend!

O rock sempre foi uma parada BEM teatral. Basta lembrar, por exemplo, de toda a persona de palco que um sujeito chamado Elvis Presley incorporava, com o sacolejo de sua PÉLVIS e aquela verdadeira coleção de caras, bocas e olhares. Depois dele, o rock foi agregando todos os tipos de luzes, fogos de artifício, explosões, fantasias, maquiagens, bonecos, o pacote completo. E um dos grandes mestres desta disciplina, nome absoluto e inconteste do chamado shock rock, continua sendo um certo Vincent Damon Furnier, que você deve conhecer pela alcunha de Alice Cooper.

Sem o circo roqueiro que ele repete e aprimora há décadas a cada uma de suas performances, incluindo aí guilhotinas, cadeiras elétricas e até a icônica simulação de seu enforcamento, muito possivelmente não existiram o Kiss, o Slipknot, Marilyn Manson, Gwar e até aquele camaleão britânico que inventou de ser batizar como Ziggy Stardust em certa ocasião de sua carreira.

Cooper é, portanto, um especialista em misturar música com teatro. Então, nada mais justo do que convidar o cara para um musical, não é mesmo? A NBC teve essa ideia e convidou o veterano roqueiro para interpretar ninguém menos do que o Rei Herodes, monarca da Galileia que julga Jesus Cristo em uma montagem do clássico Jesus Christ Superstar, a rock opera composta por Andrew Lloyd Webber e com letras de Tim Rice, aquela que primeiro foi um álbum conceitual antes de chegar à Broadway pela 1a vez, em 1971.

Apesar de aparecer em uma única canção, a cabaresística & meio vaudeville King Herod’s Song, Titia Alice impressionou o público norte-americano na exibição ao vivo, que foi ao ar na noite deste domingo (1/4), para celebrar a Páscoa. “Prove to me that you’re divine / Turn my water into wine”, provoca ele, diante de um filho de Deus vivido por outro músico, John Legend (aquele que deveria ter sido o protagonista de La La Land, diga-se de passagem).

“Dava pra imaginar que iam me dar o papel do vilão, né?”, brincou ele, quando recebeu o convite, em entrevista pra Rolling Stone. “Quando surgiu a oportunidade e os produtores vieram ‘Hey, você não quer participar de Jesus Christ Superstar?’, eu disse ‘bom, eu vou ser Judas ou Herodes, certo?’. E eles disseram: ‘Herodes’. E eu mandei um ‘é, imaginei que era isso que vinha mesmo'”. Cristão confesso, Alice Cooper não se incomodou em viver Herodes. “Eu olho pra isso como uma peça de arte e que é saída diretamente da Bíblia. Eu acho que teria tido mais problemas em ser o Judas. Seria difícil viver o cara que apunhala Jesus pelas costas”.

Ele explica que, pra se preparar pro papel, ficava pensando “quem é o cara mais cínico que existe?”. E aí... “Eu sempre voltava no Alan Rickman. Ele teria sido um Herodes perfeito. Então é deste jeito que quero fazer”.

Na real, o papel não era lá muita novidade para Mr.Cooper. Em 1996, numa montagem do musical produzida no Lyceum Theatre, em Londres, e ele tinha sido convidado para interpretar Herodes na versão gravada do espetáculo. A versão do músico foi inclusive chamada de “definitiva” por ninguém menos do que o próprio Lloyd Webber. “Ele foi brilhante, e vai ser muito divertido vê-los nesta versão da NBC”, contou o compositor, também para a RS. “O jeito Alice Cooper de fazer, claro, é aquele jeito do rock clássico, o que é ótimo. Ele foi incrível”.

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Mas é bom que se diga, caros fãs do rock, que Titia Alice não foi o único ídolo do gênero a integrar o elenco de Jesus Christ Superstar ao longo dos anos. Por exemplo: quem fazia a voz de Jesus Cristo, no álbum original que deu origem à peça, era ninguém menos do que Ian Gillan, a voz dourada do Deep Purple. Em 2002, numa turnê do musical pelos EUA, quem assumiu a bronca como Jesus foi Sebastian Bach, ex-Skid Row. Já Gary Cherone, do Extreme, foi Jesus em montagens locais, na região de Boston, ao longo dos anos de 1994, 1996 e 2003 — sendo que, em 2000, ele resolveu variar e assumiu o papel de Judas Iscariotes. O mesmo Judas que Corey Glover, frontman do Living Colour, interpretou em uma série de apresentações do musical pelo país, a partir de 2006 e ao longo de cinco anos.

Em 1996, uma versão do musical feita para o rádio pela BBC Radio 2 trouxe Roger Daltrey, vocalista do The Who, como o eterno traidor de Jesus Cristo.