Quem curte Cage the Elephant tem razão | Judão

É do caralho!

“Cage the Elephant é do caralho”, ouvi um cara falar pra outro no caminho do trem ao Lollapalooza Brasil 2017. E não foi a primeira vez.

Tipo aquele filme do Truffaud, ou aquele livro do Kafka, ou até aquela série do... Netflix que seus amigos mais vivem te recomendando e você não se presta a ir atrás de conhecer, eu nunca realmente quis ver qual era a dessa tal de Cage. Talvez por falta dum “Nicolas” antes.

Só que a oportunidade surgiu e, unindo útil ao agradável, vim conhecer o som dos caras no festival. E que som!

Cage the Elephant segue a linha dum indie rock quase britânico, sem medo de ser ora mais dançante, ora mais romântico e ora mais padrão. O plot twist tá justo no fato dos caras serem americanos de raiz, do Kentucky, e colocarem elementos próprios do Tio Sam, tipo riffs de guitarra californiana do jeito que Tarantino gosta.

De resto, o vocalista Matt Shultz não tem nem vergonha de puxar umas palavras pro jeito que saem faladas na Terra da Rainha. “Vocês são loucos”, ele gritou pro público BR. “Eu amo isso”. Mas o mesmo poderia ser dito pela galera a ele.

Primeiro pela loucura. Com menos de 5 minutos de show, Matt e seu irmão, o guitarrista Brad Shultz, já tinham descido do palco para o espaço reservado à imprensa e pulado na galera. PUTAQUEPARIU devem ter pensados os seguranças, que passaram que nem tratores por cima deste que vos fala AND colegas de profissão. Acabamos expulsos do espaço, mas o show continuou.

Por mais de uma hora, o grupo levantou a galera do palco Skol. Hipsters, metaleiros e punks jogando a mão pro alto ao som de “c’mon, c’mon, c’mon” e outros versos de Matt, gritaram QUASE à altura do sistema de som do palco (que tava ESTOURANDO) quando o frontman ensandecido foi quase beijado na boca num de seus mergulhos, mais ainda quando ele tirou a camisa e quando escalou uma das colunas duma tenda de transmissão. Clichê? Sim. Mas bem eficiente.

Com a adesão da galera, os caras “se deixaram levar” e estouraram o tempo. Tranquilo. A direção do evento concedeu uma prorrogação e, rapidinho, os gringos emendaram três músicas, fizeram mais algumas várias firulas repletas de energia (e com uns probleminhas de microfonia aqui e ali, é verdade) e vazaram.

“Do caralho”, ouvi de outro cara — esse um tiozinho punk de barba grisalha que tava saindo do chão loucamente durante a saideira.

Agora, concordo.