Rancid: demorou, mas valeu a pena! | Judão

Misturando punk rock e ska reggae, músicos californianos se apresentam pela primeira vez no Brasil — e mostram que são tiozões TROO do roquenrou.

Se Doctor Pheabes é aquela banda de tiozões posers que passam vergonha tentando parecer legais e não sendo, Rancid é o total oposto: composta por tiozões que não conseguem não ser fodões. Mesmo que tentem MUITO.

Pegue por exemplo o guitarrista Lars Frederiksen. Mesmo de coletinho e camisa de manga curta, naquele estilo nerd que apanha do valentão no High School norte-americano, o cara impõe uma BADASSERY só dele, fazendo até funcionar uma tattoo na testa (anota aí, Leto). Isso pra não falar do frontman Tim Armstrong, com pinta de Robotinik metaleiro e uma tattoo de teia de aranha por sobre a careca toda.

Mas o que faz dos caras uns picas mesmo é seu som — um punk rock de ar juvenil e otimista que não perdeu nada disso com o tempo, polvilhado com um ska reggae que o distancia do lugar-comum no gênero — que enfim chega, pela primeira vez, aos palcos brasileiros.

“Levou 25 anos para chegarmos ao Brasil”, gritou Armstrong. “Obrigado por ficarem interessados”. Camisetas e um movimento INCESSANTE do corpo desde o primeiro soar das guitarras da banda mostravam cada um dos órfãos que, por essas duas décadas e meia, esperaram pela chegada dos caras ao Brasil. E eles não decepcionaram.

Os caras brindaram quem queria mesmo ouví-los com uma puta energia e disposição (ok que algumas línguas se esticaram depois das músicas mais puxadas), tocaram hits de mais de 20 anos atrás, falaram do álbum novo que “deve sair em breve” e dedicaram músicas a torto e a direito para amigos menos e mais conhecidos.

Pois bastou estender uma dessas dedicatórias a uns tais de James, Lars, Robert e Kirk, e o fogo da plateia reacendeu. Claro, afinal tratava-se do show seguinte naquele palco, que já acumulava o público mais uniforme que vi no primeiro dia do festival. Camiseta preta, tattoo e estampa de Rancid ou Metallica era o que mais se via, com uma minoria de outros estilos pingada aqui e ali.

Aproveitando o fogo aceso, a banda emendou mais algumas músicas e fechou com uma derradeira dedicatória, dessa vez direcionada ao saudoso Lemmy Kilmister. Se o nome da lenda ajudou a levantar ainda mais a galera na saideira, ajudou ainda mais o fato de Armstrong enfim deixar o centro do palco e, levando o microfone consigo, chegar à grade pra receber O chamado CARINHO DA TORCIDA.

Como eu disse lá em cima, os caras são fodas.