Relembrando Labirinto | Judão
11 de Janeiro de 2016
Filmes

Relembrando Labirinto

Filme, que completa 30 anos em 2016, foi dirigido por Jim Henson, foi produzido por George Lucas e estrelado por David Bowie. Cultura pop, você é linda.

A-Arca JUDÔNICA tem como INTUITO resgatar algumas das melhores publicações dos 16 de existência do Judão... e d’A-Arca. Republicaremos por aqui algum artigo, entrevista, podcast ou qualquer coisa que tenhamos feito na nossa vida que faça algum sentido nos dias de hoje. Gotta get back in time!

Um disco recém-lançado, sessenta e nove anos recém completados. É como se tivesse sido na sexta passada que tanta gente celebrava a vida de David Bowie e o fato de que, de alguma maneira, em todo o universo, tivemos a chance de dividir um pouco dos tempos e o mesmo planeta em que ele viveu.

A cultura pop seria diferente, caso David Bowie não tivesse existido. A prova é Labirinto, filme lançado em Junho de 1986, para o qual ele não só escreveu todas as músicas como as interpretou e, ainda, atuou — e que foi produzido por George Lucas e dirigido por Jim Henson.

Por isso demos uma fuçada na nossa ARCA e voltamos com mais um texto da Srta. Ni, este lá do ano de 2005, relembrando Labirinto — pra nunca esquecermos quem foi David Bowie. Bizarro, esquisito... Gênio.

Onde é que você pode ver uma junção de George Lucas, Jim Henson, Terry Jones e... David Bowie com calças apertadas? No Labirinto, esse filme de 1986 que botou medo em nove entre dez criancinhas quando foi lançado nos cinemas. Se o que mais assustava eram os milhares de monstrengos de borracha feitos pelo Jim Henson, o criador dos Muppets, ou o David Bowie absurdamente bizarro e suas músicas sinistras, eu não sei. O fato é que Labirinto me deu medo, muito medo. Mas é um filme que conta por seu valor nostálgico-sentimental e é... interessante, no fim das contas. Nem que seja só para ver os bonecos bacanas. =)

Lucas, Bowie e Henson. Que trio.

Lucas, Bowie e Henson. Que trio.

Se aqueles nomes não te disseram nada (nada? Nada tralalá?) não seja por isso, a gente dá uma ajudinha: George Lucas, o produtor executivo de Labirinto, é apenas o criador da saga Star Wars e Indiana Jones. Jim Henson, o diretor, foi o criador dos Muppets, como eu já disse. Terry Jones, um dos roteiristas, foi um dos integrantes do Monty Python. E, por último, o David Bowie é um cantor bizarro. Não tanto quanto Marylin Manson ou Michael Jackson, mas é. Ou, ao menos, era na fatídica década de 70. E qual foi o resultado da união desses poderes em prol de um filme clássico dos anos 80?

Bem, é mais ou menos isso aí...

The baby with the power? o_O

Jim Henson, que já conhecia muito bem de Muppets e marionetes em geral e tinha até feito um filme feito inteiramente com bonecos anos antes – O Cristal Encantado – decidiu produzir outro filme com vários de seus “amiguinhos bonecos” novamente. Logo no início do desenvolvimento do roteiro, baseado em desenhos que o ilustrador Brian Froud fez de todos os personagens do filme, os roteiristas Dennis Lee, Terry Jones e o diretor, Jim Henson, já sabiam quem interpretaria um dos personagens principais, o Rei dos Duendes: David Bowie. O cantor já tinha participado de outros filmes e peças anteriormente, por isso seu papel importante – e sinistro – em Labirinto não foi nada assim tão diferente para ele.

Bowie inclusive compôs todas as canções que surgem no filme, entre elas, a bizarríssima que tem um trecho como “You remind me of the baby. What baby? Baby with the power. What Power? power of voodoo”.

Você tem 13 horas pra resolver o Labirinto, antes que seu irmãozinho se torne um de nós... PRA SEMPRE!

Sarah (Jennifer Connelly – sim, ela, a menina que fez Uma Mente Brilhante, Hulk e Réquiem para um Sonho) é uma pré-adolescente chata que vive com sua madrasta e tem que tomar conta de seu lindo irmãozinho bebê, chamado Toby. Revoltada porque a infeliz criança não para de chorar, Sarah cita um verso de um livro que está lendo, invocando o Rei dos Duendes, o chamando para que venha buscar seu irmão e o levar para seu reino. Ela diz isso sem acreditar muito, mas de repente o tempo fecha, e seu irmãozinho desaparece. Duendes malvados – que são marionetes, é claro =D – realmente atenderam ao chamado de Sarah, e a menina, que não é assim tão má, se arrepende e vai salvar Toby. Eis que surge a pavorosa figura de Jareth, o Rei dos Duendes (David Bowie), que explica a situação ruim em que Sarah se meteu, que é basicamente aquilo ali em cima.

Labirinto

Então, pra que Toby não vire mais um daqueles estranhos duendes-marionetes, Sarah adentra o Labirinto e começa uma jornada, no melhor estilo Mágico de Oz ou Alice no País das Maravilhas. Lá no Labirinto, ela encontra criaturinhas que viram suas amigas, e outras criaturas não tão amigáveis assim. Além de fazer amizade com eles (todos, todos são bonequinhos felizes mas obscuros, no melhor estilo “Muppets do Mundo Bizarro”), Sarah passa por situações realmente surreais. Como, por exemplo, atravessar um Pântano do Fedor Eterno, uma câmara feita só de mãos humanas e, por fim, chegar em uma aldeia de duendes, cheia de galos e galinhas – que, por mais prosaicos que sejam, sempre me assustaram. As pessoas que gostam de achar metáforas em todos os filmes e situações dizem que Labirinto é uma bela alegoria da passagem da infância para a idade adulta, e que todas as peripécias enfrentadas por Sarah são os problemas da adolescência. Enfim, grande coisa.

Apesar de estar um pouquinho longe de ser um musical propriamente dito, Labirinto conta com cinco números musicais, todos eles cantados por Bowie – mas um deles inteiramente dançado por um grupo de marionetes saltitantes.

As criaturas do Labirinto

O único ser humano e, de longe, a criatura mais bizarra do Labirinto, Jareth é o Rei dos Duendes. Ele manda em todos os serezinhos do lugar e é o autor do sequestro de Toby, que fica sob sua guarda, e corre o risco de virar mais um de seus súditos, se sua irmã não surgir na hora certa. E, mais do que estranhamente, é apaixonado por Sarah, mas não consegue declarar esse amor. Dizem por aí que ele é bonito, mas eu tenho medo das pessoas que dizem isso.

Hoggle

Hoggle

O primeiro ser que aparece para Sarah dentro do labirinto é um baixinho que parece muito um hobbit – mas numa versão muito mais feia e menos serelepe. Como sempre acontece com novos seres desconhecidos, Hoggle no início é mau humorado, egoísta e não quer ajudar a menina. Mas, depois de algumas aventuras juntos, viram amiguinhos. Hoggle era um boneco que envolvia uma equipe para poder “interpretar” bem. Shari Weiser, um ator anão, é quem fazia os movimentos corporais. Ele vestia a cabeça do boneco, que era cheia de circuitos eletrônicos para as expressões faciais – imaginem só o barulho que aquilo não devia fazer nos ouvidos do pobre Weiser, que conseguia enxergar o mundo exterior através da boca do personagem. Para fazer as expressões faciais, quatro pessoas controlavam, remotamente, 20 funções diferentes. A voz de Hoggle foi feita por Brian Henson – filho de Jim Henson – que também cuidava da sincronia labial do bichinho.

Sarah e Ludo

Sarah e Ludo

Ludo é um daqueles personagens grandões, com cara de mau, mas que na verdade é bonzinho. Ele é salvo por Sarah e vira mais um de seus companheiros na jornada pelo Labirinto, tendo depois chances de retribuir o favor da garota, salvando a vida de Sarah algumas vezes. Por trás, ou melhor, por dentro de Ludo havia um operador. Lá de dentro da roupa do personagem, ele enxergava o que se passava no set através de dois monitores. Um deles mostrava o que era filmado pela câmera normal do filme, e o outro reproduzia as imagens captadas por uma camerazinha que ficava em um dos chifres do monstrengo. Enquanto isso, lá fora, três caras operavam as expressões e movimentos de Ludo.

Um ser que parece um cachorro branco, e que cavalga um outro cachorro branco não mereceria meu respeito. Mas Sir Didymus é legal, é um bravo guerreiro – já sua montaria é tão corajosa quanto o digno Sir Robin. O bichinho não tem nada de tão complexo para operar, como seus companheiros. Na verdade, Sir Didymus é um fantoche, com apenas algumas expressões movidas por controles externos.

Curiosidades

Para a estranha-mas-interessante cena das mãos, foi necessária a presença de 350 mãos. 150 delas eram reais, feitas por 75 pessoas usando luvas e enfiando as mãos em buracos na parede do túnel. O resto das mãos eram feitas de borracha.

Uma coisa que sempre me intrigou foi a razão das galinhas estarem presentes na cidade dos duendes. Encontrei uma explicação do diretor de design do filme, Elliot Scott: “queríamos dar o efeito de um vilarejo perfeito tomado há alguns anos atrás por duendes invasores e abandonado”. Pensando bem, não tem nada a ver.

Brian Froud, o cara que criou e desenhou todos os personagens era casado com uma das pessoas que fabricaram o Mestre Yoda! Toby, o bebezinho capturado pelo David “Rei dos Duendes” Bowie, é filho desse casal. <3