Relembrando o melhor das Copas | JUDAO.com.br

Futebol também é cultura pop e, aproveitando o meme das Memórias de Copas, resolvemos relembrar grandes momentos das NOSSAS Copas do Mundo. Qual o seu? :D

A internet virou essa corrida maluca por posição relevante na sua timeline, numa tentativa de que as coisas sejam lidas fora dali, o que muito raramente acontece, infelizmente.

Foi-se o tempo em que as pessoas escolhiam ler sites e blogs e sabiam exatamente quem (e por que) estava falando... Mas a gente do JUDAO.com.br não desiste e, inspirados nas /Answers do /Film, toda semana apareceremos por aqui respondendo, da maneira mais pessoal possível, alguma pergunta relacionada à cultura pop, adicionando as respostas ao nosso CANON. Assim você se lembra que somos pessoas, como você, e passa a nos conhecer um pouco melhor. :)

Nessa terceira semana, com a definição do ESQUADRÃO que o Tite vai levar para a Rússia e aproveitando aquele meme das “Memórias das Copas” que tá rolando no twitter e Facebook, resolvemos NÓS aqui do JUDAO.com.br responder à pergunta:
Quais são as suas melhores lembranças relacionadas à Copas do Mundo?

| África do Sul 2010: Uruguai VS. Gana por Júlia Gavillan
Apesar dos esforços do Seu Mariano, meu avô, nunca realmente senti qualquer conexão com a Seleção Brasileira. Como nasci em 1991, minhas primeiras lembranças envolvendo Copas são de 1998 e talvez a derrota do Brasil para a França tenha ajudado nessa falta de paixão pela Seleção. Sendo são-paulina por causa do Raí, acabei tendo uma ligação esportiva mais forte com o clube que torcia. Até que surgiu um homem chamado Lugano. Após a Libertadores e o Mundial de Clubes de 2005, o uruguaio se tornou meu ídolo e era inevitável não torcer para o Uruguai. E assim foi.

Minha maior lembrança envolvendo Copa do Mundo foi o inacreditável jogo entre Uruguai e Gana na Copa da África em 2010. Lembro que Lugano saiu machucado ainda no primeiro tempo e Gana abriu o placar. Pronto, abriu o desespero. Mas logo no retorno ao segundo tempo, Forlán empatou o jogo com um golaço. Depois disso, o jogo ficou nervoso e foi uma loucura de contra ataques para todos os lados. Mas o drama veio nos acréscimos, quando Luisito Suárez esqueceu que não era jogador de vôlei e salvou o Uruguai de tomar um gol. Como o jogo já estava no ÚLTIMO minuto, já tinha dado a classificação de Gana como certa. Mas na hora da conversão, o ganês Asamoah Gyan jogou a bola na trave. A imagem do Suárez vibrando e goleiro Muslera agradecendo a trave vai ficar gravada para sempre na minha memória. Depois disso, o jogo foi pros pênaltis e eu não lembro de mais nada, só da comemoração do Uruguai, que não classificava para a semifinal de Copa do Mundo desde 1970.

A Seleção Uruguai não ganhou aquela Copa, mas tinha uma gana (desculpa o trocadilho) que ninguém mais tinha.

| Alemanha 2006: Brasil VS. Gana por Beatriz Fiorotto
Na minha escola, existia uma coordenadora pedagógica extremamente sisuda, a Márcia. Sempre elegante e MILIMETRICAMENTE bem arrumada e muito distante. Eis que, ao final do mês de maio daquele 2006, a coordenadora passou nas salas para dar um pequeno aviso: “Pessoal, esse ano teremos uma novidade especial. Vamos transmitir todos os jogos do Brasil na Copa em telões lá no ginásio!”. A Copa do Mundo daquele ano vinha com AQUELE gostinho de vitória, já que tínhamos levado o penta na anterior. O hexa era certo. E pensei que acompanhar os jogos com todo mundo poderia ser uma boa chance de socializar. Eu só tinha uma amiga, a Ju, e estava contando com o ESPÍRITO DO ESPORTE para tentar me conectar com mais pessoas.

O jogo que escolhi ver era Brasil contra Gana. O ginásio estava TODINHO enfeitado com tecidos, meninos e meninas tinham os rostos pintados com corações e listras em verde e amarelo. Eu e Ju nos acomodamos nas cadeiras mais da frente e, faltando alguns minutos pra começar a transmissão (já tava até rolando aquele “BEM, AMIGOS DA REDE GLOOOOBO”), percebo alguém ocupando a cadeira ao meu lado. Era Márcia. Gelei. JUSTO a coordenadora estava ao meu lado. Ninguém mais chegaria perto. Meus planos de me misturar viraram cinzas. Ia ter que me controlar na hora de torcer, até. Que pesadelo adolescente era aquele.

A partida começou e lembro de acompanhar os primeiros lances bem quietinha. O pessoal já tava na maior ALGAZARRA e eu lá, paradona. Eis que, em um momento, a bola bateu na trave. E Márcia, que eu tanto temia, leva as mãos à testa e brada: “PUTA QUE O PARIU!”. Eu me espantei. Uma adulta DAQUELAS falando palavrão? O jogo continuou e ela cada vez mais se soltava. Falava comigo, com o colega ao lado, levantava, xingava. E durante os três gols brasileiros, pulou e até me abraçou, chacoalhando aquele cabelo tão arrumadinho e apertando minha bochecha contra seus colares. Quando tudo acabou, ela se despediu de todos eufórica: “Que jogão, gente! A gente se vê amanhã, hein? Tchau!”.

O Brasil não ganhou aquela Copa. Mas eu tive, pela primeira vez, a certeza e o alívio de que alguns adultos, no final das contas, não eram tão assustadores assim. Só precisavam da oportunidade certa para mostrarem que eram tão animados e um pouco pirados como eu. :)

| Brasil 2014: Bélgica VS. Estados Unidos por Borbs
Eu até já existia em 1986, mas não lembro de nada. Minha primeira lembrança de Copa do Mundo é de 1990, com aquele mascote horrendo e meu pai construindo um balão comigo, que acabamos soltando depois da derrota pra Argentina, entre vários fogos que eram ouvidos. “Estão soltando pra não deixar guardado”, ele me disse na época.

Desde então, sempre que o Corinthians perde e eu ouço fogos, entendo que é só descarte. Não dá mesmo pra ficar guardando essas coisas em casa, vai que dá ruim?

Em 1994 eu lembro de absolutamente tudo, do Bolão que eu ganhei mas não levei (não podia repetir resultado, uma tia colocou o mesmo 1×0 contra os EUA e eu tive de dividir 90 reais com ela. Tudo bem que 45 reais em 1994 equivaliam a uns 8000 hoje, tudo devidamente torrado em chiclete. MAS ERA PRA SER 90!) à primeira vez que chorei de emoção durante os pênaltis da final.

A Copa de 1998 foi estranha, eu estava em LAMBARI, Minas Gerais, na final e não parecia clima de Copa. 2002 foi a melhor, com os jogos de Madrugada (melhor ideia possível) e eu largando o cursinho porque não iria estudar depois, e 2006 me deu uma vontade maluca de estar numa Copa, especialmente pelas fan fests.

Prometi pra mim mesmo ir em 2010 pra África do Sul, mas acabei experimentando a transmissão HD pela primeira vez na minha vida, enquanto um grande amigo me representava por lá. Veio 2014, toda aquela loucura de tentar comprar ingresso faltando dias pro início da Copa — porque quem é que diria que eu ficaria TÃO empolgado com o evento, com tudo o que tava acontecendo?

Se prepare, Copa, pois VOU-LHE USAR #BEL #USA #VaiCorinthians

A post shared by Thiago Borbolla (@borbs) on

Assisti a dois. Um foi aquele Brasil VS. Holanda pós-setchaum, em Brasília, uma das piores experiências que tive dentro de um estádio de futebol e olha que já fui assistir a jogo que não era do meu time; o outro um Bélgica VS. EUA, completamente aleatório, em Salvador. O clima era maravilhoso, o estádio uma delícia. Torci pra Bélgica porque óbvio, enquanto os americanos ali ao lado não concebiam a ideia de que alguém não torcesse por eles; levei minha bandeira do Corinthians e chorei quando começou a tocar aquela musiquinha da FIFA. Quantas vezes não ouvi aquilo na TV e, agora, estava vivendo? Pensei muito no meu pai e fiz questão de deixar aquela bandeira do Corinthians com ele depois, ainda que por algumas horas.

Mas o mais importante de toda essa história foi o que a nossa amiga, Leonor Macedo, escreveu no seu Facebook: bem ou mal, a Copa de 2014 foi a última vez que esse país teve algum tipo de felicidade. “Depois ficou todo mundo sisudo, revoltado, chato, escroto e só andamos pra trás”

| Brasil 2014: Costa Rica VS. Inglaterra por Marco Assis
Eu tava trabalhando como intérprete do lado de fora do Mineirão sem poder assistir ao fatídico Brasil VS. Alemanha. Basicamente acompanhei o jogo usando como medida de como estava lá a quantidade de gente que saía do estádio chorando.

Em contrapartida, no Costa Rica VS. Inglaterra que teve aqui em BH, tinha acabado meu turno de trabalho e um dos grupos, de ingleses, tava com 3 ingressos ultra VIP sobrando lá e deram pra mim, pro meu irmão e pra minha namorada. Assistimos ao jogo a tipo 3 metros do camarote dos príncipes brits, metemos a cara no open bar e open food (que era absolutamente horrível, aliás, contrariando 100% da lógica brasileira da existência de coxinhas) e passamos o jogo inteiro com vontade de rir do Mineirão gritando “olé” pra Inglaterra e o nosso grupo puto com a BRzada... E eu, óbvio, doido pra gritar junto.

Hoje em dia praticamente todos os grandes portais e grupos de mídia do Brasil cobram pra que você possa ler seus conteúdos. O JUDAO.com.br continua produzindo conteúdo de graça pra todos, de forma independente, em diversas mídias, e vai fazer isso pra sempre. Mas não tá fácil pra ninguém.

Nunca o JUDAO.com.br foi tão lido em toda sua história, mas anúncios estão desaparecendo, o Facebook não deixa ninguém sair de lá e nós dependemos cada dia mais dos nossos leitores, ouvintes e espectadores pra financiar a produção de todo esse conteúdo sobre cultura pop que é bem raro na internet Brasileira. Se todo mundo que gosta, compartilha e/ou comenta contribuir, o nosso futuro estará garantido. Vamo?

Conheça nosso projeto e assine a partir de R$10 / mês. :)

| México 1986 por Thiago Cardim
Eu tô bem longe de ser um fanático por futebol — sendo bem honesto, se vocês me perguntarem AGORA quem são os principais titulares do time pelo qual supostamente torço ou, quem sabe, quem foram pelo menos cinco convocados para a seleção do Tite, eu vou ter que pensar MUITO pra responder. Agora vem me perguntar a atual formação dos Vingadores, seja nos cinemas ou nos quadrinhos. Sei codinome, nome e sobrenome. ;)

Não costumo ter paciência pra jogo de futebol, o jogo pelo jogo apenas. Geralmente, quando sento pra ver o Santos jogar, em situações normais de temperatura e pressão, durmo antes de chegar o intervalo. Mas Copa do Mundo sempre me pareceu um troço diferente, que me causa uma empolgação que talvez seja similar a dos amigos ao longo do Campeonato Brasileiro. É mais do que só uma disputa, é mais do que uma sequência de jogos. É a reunião dos amigos queridos em torno da TV, a família, a gritaria, a experiência, a FUZARCA. Adoro.

Engraçado que tenho lembranças bastante vivas da Copa de 1994, por exemplo, quando vi todos os jogos junto com meu grupo de RPG, na época — junto dos quais eu saía pra celebrar na Praça da Independência, tradicional reduto celebrativo e etílico da cidade de Santos. Mas a Copa que, de fato, mais me marcou foi a de 1986. Eu tinha 7 anos de idade e fiquei absolutamente fascinado com a figura do Arakem, o Showman, torcedor símbolo criado pela RGT. Caricato e cheio de bordões, ele fazia a graça da molecada na época. Eu repetia gestos, imitava, arrancava sorrisos dos adultos da família… em especial do meu pai.

1986 foi a Copa em que mais fiquei do lado do meu velho. Sentava, vestido de Arakem (ou algo assim), chuteira e tudo, do lado dele pra ver os jogos. E a gente curtia muito estes momentos juntos. Se eu lembro dos jogos? Porra nenhuma. Mas lembro das piadas, das risadas, da festa que a gente fazia, eu e ele, ele e eu, berrando contra a TV, ele me explicando as regras, falando de impedimento (não, não entendo, mas tá tudo bem).

É isso que faz falta de verdade. Ainda mais agora, nas lembranças de 1 ano sem ele. Porque, isso eu fui entender muito depois, já com meus cabelos brancos na cabeça, que futebol é muito, mas muito mais do que aquilo que rola dentro das quatro linhas. A grande graça, aliás, tá ali na arquibancada. Ou no, meu caso, no sofá daquela casa no José Menino, em Santos.