It: A Coisa é o filme que estávamos esperando! | Judão

Primeiro capítulo da adaptação do livro de Stephen King é o melhor filme de terror do ano, na boa!

Assim que finalmente foi dado o sinal verde para uma nova adaptação do livro A Coisa, um dos maiores clássicos de Stephen King que já havia gerado um versão qualquer nota para a TV em 1990, o medo tomou conta. E não estou falando dos COULROFÓBICOS, não/

Uma série de fatores ressabiava a galera, desde a adaptação de um livro de mais de mil páginas para o cinema, a escolha de Andy Muschietti, o mesmo de Mama, como diretor, a desconfiança de um blockbuster cheio de jumpscare seguindo os moldes dos filmes de James Wan, até a escolha de Bill Skarsgård como Pennywise, o Palhaço Dançarino, com seu visual de bufão renascentista.

Eu era um desses.

Com a chegada de It: A Coisa aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, eu, você e todo mundo pode cantar juntos de alegria porque não é só o filme que estávamos esperando, mas também — anote aí — o melhor terror do ano!

It: A Coisa é um dos melhores filmes de terror do ano!

Toda a dúvida quanto à película se esvai pelo ralo, com o perdão do trocadilho, logo na primeira sequência, quando Georgie se encontra pela primeira vez com Pennywise dentro do bueiro, ao tentar recuperar o barquinho de papel feito por seu irmão, Billy. O diálogo entre o palhaço e o garotinho já serve como um impressionante cartão de visitas de Skarsgård, mostrando logo a que veio, e ainda com direito a um violento desfecho inesperado.

Aliás, o sueco tinha um verdadeiro pepino em suas mãos, tendo que dar uma nova face a uma figura icônica do horror, imortalizada por Tim Curry, mais ou menos como aconteceu com outro palhaço nos cinemas: Heath Ledger e seu Coringa, dada suas devidas proporções. E ele conseguiu com louvor, principalmente por optar em deixar de lado a pegada camp da versão televisiva, apostando em uma interpretação cheia de trejeitos genuinamente assustadores, dando vida a um palhaço diabolicamente maligno, que definitivamente vai traumatizar muita gente.

Mas entre uma e outra aparição aterrorizante d’a Coisa, temos o coração constantemente acalentado pelo Clube dos Otários em cena, em uma química perfeita entre os INFANTES, evidenciada pela ótima direção de atores de Muschietti. O sentimento de throwback bate FORTE, aproveitando a onda Stranger Things, uma vez que a história se passa em 1989, e somos bombardeados por todos os lados de referências da cultura pop da “década que nunca acabou”, desde a trilha sonora com direito a The Cure e New Kids on the Block (responsável pelos momentos mais hilários do longa), passando por Batman e Máquina Mortífera 2 sendo exibidos no cinema, o primeiro Street Fighter fazendo sucesso no fliperama de Derry, e piadinhas com Molly Ringwald.

E sério, o Richie Tozer de Finn Wolfhard (que também está presente na nostálgica série da Netflix) e o Ben Hanscom de Jeremy Ray Taylor são muito, mas MUITO <3.

Obviamente, muita coisa acertadamente ficou de fora com relação ao CALHAMAÇO de páginas escritas por King, tipo as piadas e apelidos racistas, machistas e gordofóbicos, a constrangedora cena de sexo no esgoto e crianças fumando e portando arma de fogo, além de atualizar certos elementos com um tanto de liberdade poética, como a forma mais pé no chão e menos “mágica e simbólica” com que eles enfrentam Pennywise. Mas a essência está toda lá e tenho certeza que nem os mais xiitas ou os haters terão do que reclamar. Isso sem contar a cacetada de easter eggs do livro em cena, para deleite dos fãs.

Outro ponto positivo é a quebra de paradigma, e esse novo cinemão mainstream de terror PODE SIM ser bom, acessível ao grande público e assustador ao mesmo tempo, sem precisar ficar apenas copiando e colando uma fórmula enlatada de sustos fáceis a todo momento e que o jumpscare pode ser usado com parcimônia.

It: A Coisa nos fez flutuar da cadeira do cinema e agora o difícil mesmo vai ser segurar o tchan e esperar a volta dos Otários à Derry no segundo capítulo, enquanto ansiedade e expectativa estão às alturas.