Liga da Justiça conseguiu, definitivamente, corrigir o rumo dos filmes do Universo DC | Judão

Não dá mesmo pra salvar o Wundo sozinho: se a Mulher-Maravilha mostrou o caminho, foi preciso o Superman voltar pra levar a Liga da Justiça até lá.

Umas duas semanas antes da estreia de Liga da Justiça, uma revista publicou uma entrevista bastante interessante com o Henry Cavill. Muita gente se atentou ao fato de que ele citou diretamente a Marvel ao afirmar que os problemas que eles passaram não tinham exatamente a ver com a sua distinta concorrência. “Mesmo se a Marvel não existisse nós teríamos dificuldade” ele disse, com toda a razão do mundo.

O importante, porém, veio quando ele assumiu que, entre os DC Filmes, “havia um estilo que eles queriam, uma tentativa de ser diferente e olhar pras coisas com uma outra perspectiva, que não necessariamente funcionou. Sim, fez muito dinheiro mas não foi um sucesso de crítica; não deu a todo mundo aquela sensação que super-heróis deveriam dar a quem tá assistindo”.

Ele continuou. “Nós podemos começar a contar as histórias do jeito que elas precisam ser contadas” continuou. “É ainda melhor melhor voltar depois de um equívoco ou erro de estilo para o caminho correto porque vai parecer muito mais forte. ‘Mulher-Maravilha’ foi o primeiro passo correto nessa direção”.

Sabe, essas entrevistas de divulgação de filme costumam ser EXTREMAMENTE controladas. É bastante difícil extrair alguma coisa que tenha um pouco mais de substância nesses casos, já que é todo mundo bastante treinado sobre o que podem ou não falar. Aí eu sinceramente não sei dizer até que ponto o Henry Cavill falou esse tipo de coisa por ser o foco da divulgação pretendida pela Warner ou se é o que ele realmente pensa, independente de qualquer coisa.

Seja como for, Henry Cavill, com essas declarações, resumiu exata e perfeitamente Liga da Justiça.

Não se pode salvar o Wundo sozinho mesmo

Liga da Justiça é um filme EXTREMAMENTE bagunçado que durante a maioria das suas 2h de duração nos lembra, de uma maneira forte demais e pelos mais diversos motivos, Esquadrão Suicida. São muitos personagens apresentados de maneira apressada, com situações que definitivamente poderiam ter sido deixadas na sala de edição.

De uma maneira que faria Michael Bay sentir um orgulho danado, é tanta coisa exibida na tela ao mesmo tempo, de maneira tão rápida, que a invés de empolgar ou divertir, cansa. De fazer ficar se acertando na poltrona, dar aqueeeela vontade de deixar os olhos fechados mais tempo na hora de piscar.

De verdade, sem exagero: beira o insuportável.

Falta tempo de tela e motivações pra desenvolver a grande maioria dos personagens. O vilão é ridículo. RIDÍCULO. Não funciona nem ele, nem o que ele quer fazer, nem seus ASSECLAS. É tudo ruim de mais, forçado demais. O Batman é mais Bruce Wayne pela maior parte do tempo, a Mulher-Maravilha enfim foi dirigida pelo Zack Snyder, o que significa que teremos closes da sua bunda e uma Diana Prince que não chega nem aos pés daquela que conhecemos e aprendemos a amar em Junho. O Aquaman eu acho que a gente viu mais do que importava dele nos trailers do que no filme em si. O Ciborgue é aquele personagem que parece realmente não ter nenhum tipo de necessidade de existir e eu sinceramente quero ver o que o pessoal que é a favor da escuridão e seriedade vai dizer sobre o Flash, um personagem que essencialmente tá lá como alívio cômico... Até o Superman ressurgir.

Porque, bom, você sabe que o Superman vai aparecer no filme em algum momento. Sempre soube. Eu só não imaginava que seria o Superman que deveria ser desde... Sempre. Um Superman que tem um uniforme VERDADEIRAMENTE azul e vermelho. Que sorri. Que ri. O Superman de Henry Cavill, enfim, se tornou o Superman e salvou o filme.

Não pela pessoa física do Henry Cavill, que ainda é bastante difícil de EMANAR qualquer empatia que não seja, digamos assim, física. Mas é porque no exato momento em que sua presença é anunciada, Liga da Justiça começa a entrar nos trilhos, se tornando um filme que se difere tanto de Homem de Aço quanto Batman VS. Superman — algo que ele começa a fazer desde o exato primeiro segundo quando o próprio Superman, ainda antes de encontrar o Apocalypse, aparece com seu bigode muito, mas MUITO mal retirada digitalmente (lembra até aquele comercial do Baby, lembra? Com o nenê falando e tal?).

Essa imagem está aqui por um motivo que quem assistir ao filme vai entender qual é. :)

A redireção de curso, que você consegue sentir quase que fisicamente, como se tivesse mesmo alguém pegando todos os diálogos e cenas e atores e tudo mais e os colocando em uma outra direção, é o grande objetivo de Liga da Justiça. O filme passa o tempo todo RENEGANDO boa parte das coisas que foram vistas nos anteriores — a gente sabe que o Superman NÃO ERA tão importante assim pras pessoas, ou tão bom a ponto de causar uma invasão ~de outro mundo assim que morre porque “ah, agora o caminho está livre e o mundo virou uma desgraça”. Mas seu retorno, esse sim, é importante.

É a partir dele que o Flash ganha um sentido pra existir e fazer parte daquele grupo, assim como o Ciborgue, que são os meus dois personagens preferidos no fim das contas. E, mais importante, seu retorno recoloca TANTAS coisas no lugar que o grande sentimento ao final é o de quero mais. São cerca de 20 minutos que te fazem esquecer tudo o que tínhamos na cabeça e pensar em simplesmente ver mais de tudo aquilo.

Quando assisti a Mulher-Maravilha, escrevi que aquele era um filme que definiria o gênero dos super-heróis dali pra frente — um gênero que, por definição, precisava surgir a partir de personagens do Universo DC. Henry Cavill percebeu que o filme dirigido por Patty Jenkins era o modelo a ser seguido, como ele disse. E como a campanha de marketing afirma, definitivamente não dá pra salvar nem o Wundo nem um Universo sozinho. Começou com a Diana, Princesa de Themyscira, filha de Hipólita, Rainha das Amazonas.

Agora veio o Superman pra continuar o caminho que eu espero que, de verdade, seja infinitamente longo. :)