Riri Williams e seu Coração de Ferro | Judão

A Ironheart assume o título Invincible Iron Man e mostra que sim, diversidade é legal pra caralho

SPOILER! “The Invincible Avenger Iron Man is no more”. Não que se sabia exatamente o que tinha acontecido com Tony Stark, já que essa parte da história ainda será contada em Civil War II #7, que sai no final do mês. Mas é com essa frase que Riri Williams abre a nova Invincible Iron Man #1, publicada na última quarta-feira (9).

Tony Stark morreu. E agora?

E agora que é hora de seguir em frente. Isso é gibi, personagens vem e vão. Mas é, de alguma forma, uma representação da vida. Pessoas vão embora, deixam legados. Continuamos carregando a tocha por elas. Riri sabe que, desta vez, é dever dela manter um legado vivo.

Não que ela seja super brother do Tony ou algo assim. A personagem havia sido apresentada há algumas edições, no volume anterior de Invincible Iron Man. Uma menina gênio de Chicago que, com apenas 15 anos, conseguiu desenvolver na garagem de casa uma armadura. Não igual a do Homem de Ferro, mas importante o suficiente para chamar a atenção do Sr. Stark, que foi lá, conheceu a menina, deu a sua benção. E Riri ficou em choque porque ANTHONY STARK sabia o nome dela.

Nessa primeira edição, o roteirista Brian Michael Bendis e o artista Stefano Caselli mergulham na história da menina. Eles nos apresentam uma jovem Riri Williams, supergênio aos cinco anos de idade. Uma dádiva, mas ao mesmo tempo um fardo — pra ela, que pode facilmente se entediar com o mundo e se fechar dentro da sua própria casca; para os pais, afinal nenhum filho vem com manual de instruções e é ainda pior quando você tem um que possui um intelecto muito maior que o seu.

Apesar dos pesares, ambos tiveram ajuda. A mãe e o padrasto ouviram os conselhos da escola. Riri contou com pais amorosos, por mais que ela não valorizasse isso, e encontrou uma amizade grande em Natalie.

Iron Man #1Até que a tragédia veio. Riri Williams teve seu “momento Marvel”, aquele da transformação, aos 13 anos. Não foi por causa de um grande vilão, ou ataque alienígena ou algo assim. Foi a violência, tão presente em nossas vidas: num lindo dia, eles se viram no meio de uma briga de gangues. O pai adotivo de Riri morreu enquanto tentava salvar a enteada e a amiga dela. E ele falhou com Nat.

Duas vidas perdidas sem qualquer sentido, sem qualquer justificativa.

Dessa forma, Bendis aproxima Riri de cada um de nós, de forma parecida com o que ele já havia feito com o Miles Morales no Universo Ultimate. Não que sejamos todos nós, os leitores, supergênios ou algo assim. Mas, em algum momento da vida, nos sentimos como a Riri. Ou pior: perdemos amigos e pessoas que amamos de forma estúpida, banal.

Nos dois anos seguintes, Riri se dedicou à tecnologia e, agora, chegamos aqui. De alguma forma, ela sente que esse é o destino dela, que ela não pode ficar de braços cruzados após o ~fim de Tony Stark. Precisa manter a chama dele acessa. E a chama do pai adotivo, da amiga.

Essa é a história de Ironheart, a nova Homem de Ferro. Essa última frase faz sentido, sim. Riri tem um coração enorme e, mesmo com tudo o que aconteceu com ela, ela ainda ama a vida e este mundo. E o Homem de Ferro continua lá, seja no legado que ficou para ela, seja na nova Inteligência Artificial que a personagem recebe bem no final da história, que é nada menos que a essência de Tony Stark em forma digital.

“Tony usa a armadura pela primeira vez para salvar seu coração. Riri a veste por razões diferentes, mas ainda tem relação com o coração. Quando as pessoas verem a história dela, ficarão maravilhados sobre como foi simples e brilhante a sugestão [do nome] dada pelo Joe [Quesada]”, disse, em agosto, Bendis em entrevista ao Wired. Realmente, agora faz todo o sentido.

O Homem de Ferro está morto. Longa vida à Riri Williams e seu Coração de Ferro.