Robin Hood - A Origem é a bomba do ano | JUDAO.com.br

Lotado de clichês ruins e atuações sofridas, nova versão da história do cara que Rouba Dos Ricos Para Dar Aos Pobres™ é o pior filme de 2018.

Eu gosto de filme ruim. Quem escuta o ASTERISCO, o programa / talk show / podcast aqui do JUDAO.com.br, já me ouviu falando sobre isso. Mas absolutamente NADA do meu gosto meio esquisito pôde conter o quão desastroso é Robin Hood – A Origem.

A sinopse é bem simples: Robin de Loxley, um jovem que acabou de voltar de uma Cruzada, começa a entender que as instituições burguesas que serve e o clero são corruptas até o último fio do cabelo. Por isso, resolve frustrar os planos de manutenção de riqueza e poder de seus soberanos e, junto com um outro guerreiro árabe que antes era seu inimigo, faz aquela velha coisa de sempre: Rouba Dos Ricos Para Dar Aos Pobres™.

Diálogos ruins

Como eles conseguiram estragar uma história SIMPLES como essa, eu não sei. Mas podemos começar falando sobre os diálogos: Jamie Foxx interpreta o mentor de Robin, John. Na verdade, seu nome é árabe, Yahya, mas por motivos de AMÉRICA DO NORTE, ele manda um “você pode me chamar de John”. E existe um sotaque do oriente médio na sua fala que vai se esvaindo durante o filme... Bizarro.

Taron Egerton, o protagonista, e sua amada Marian, vivida por Eve Hewson, são os CAMPEÕES de falas clichês. Em um certo momento, ela precisa ajudá-lo com um machucado sério, e pede para que ele “por favor, fique olhando pra mim”. E é CLARO que ele responde com um “eu jamais pensaria em fazer o contrário”. NO MEIO DE UMA BATALHA. O HOMEM ESTAVA SANGRANDO.

Em outra hora, Marian resolve incentivar Robin a fazer o que acha certo. Ela, então, diz que “se não você, quem? Se não agora, quando?” Eu juro. Uma colega ao meu lado tampou a boca e sussurrou “NUOSSA senhora, o que é isso?” depois dessa cena.

O figurino também é esquisitíssimo. Tudo se passa no início do milênio passado, com alta pobreza, escassez de recursos… mas todos os homens da trama parecem estar usando camisas Dudalina. De verdade. As moças (pouquíssimas, na real), limitam-se aos vestidões de decote profundo e trançado. Marian, inclusive, aparece pela primeira vez com o rosto coberto mas um decote GIGANTE.

É como se fosse um TCC feito por um grupo confuso.

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E os vilões… que GALERA. Todos eles AMAM falar sobre seus planos em voz alta, explicando os detalhes e rindo com AS MÃOS NA BARRIGA da cara dos pobres. Um grande clérigo chega a dizer que “Nós os controlamos pelo medo! Por que acha que a Igreja inventou o inferno?”. E um sonoro MUA-HA-HA finaliza o momento.

Nem preciso falar sobre as atuações, né? Cada um faz o que acha melhor, mas sempre com um olhar perdido pro horizonte pra dar aquele ar de “história épica”.

Você pode ir assistir Robin Hood – A Origem, se quiser — como já dissemos no ASTERISCO, também, filmes ruins ensinam muito sobre cinema. Mas eu mesma usaria essas duas horas pra fazer qualquer outra coisa. Uma voltinha na 25 de março no dia 24 de dezembro, passear num aeroporto um dia antes do Ano Novo, ir fazer um exame de sangue, provar cintas com a tia-avó… QUALQUER coisa, mesmo.

Mas essa sou eu, né? ¯\_(ツ)_/¯