Robin Wright fala sobre House of Cards e Kevin Spacey: "nossa série nunca foi suja" | Judão

A atriz falou sobre o fim da série, o que pensa sobre as consequências vividas por Kevin Spacey e sobre “segundas chances”

House of Cards foi a primeira série original Netflix. A trama pegou todo mundo, a atuação de Kevin Spacey e Robin Wright era incrível, grandes planos, escolhas pra trama, tudo muito legal e que conversa BASTANTE com o momento político de vários países. Tudo muito bom, tudo muito bem desde 2013... Até Kevin Spacey ser um das centenas de homens denunciados por abuso sexual em 2017.

Em uma entrevista para o BuzzFeed News, o ator Anthony Rapp contou, com detalhes, sobre ter sido assediado por Spacey em uma festa em 1986, quando tinha 14 anos. E conforme o caso foi ganhando atenção, outros caras resolveram denunciá-lo — ao todo, mais de VINTE homens fizeram novas denúncias. As consequências chegaram rapidinho: o ator foi completamente cortado do filme Todo o Dinheiro do Mundo que JÁ HAVIA GRAVADO, sendo substituído por Christopher Plummer, teve outros lançamentos cancelados e seu papel PRINCIPAL em House of Cards suspenso definitivamente. E a gente sabe bem que essa RAPIDEZ em puní-lo tem a ver com o fato de homens terem sido vítimas aqui, mas aí é papo pra outro dia.

Fato é que Robin Wright, a Claire Underwood de House of Cards, ficou com a responsabilidade de conduzir a última temporada da série como estrela principal. Ao programa americano Today, ela contou, em julho, que não tinha uma relação pessoal com Kevin: “Nós éramos colegas de trabalho, nunca socializamos em outros momentos”, disse. “Mas sempre trabalhamos bem e ele nunca me desrespeitou.” E em uma entrevista à Net-A-Porter, ela comentou sobre o fim da história, segundas chances e sobre dar segundas chances.

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Robin contou sobre como é sempre AGRIDOCE finalizar um projeto longo como House of Cards e que a equipe chorou LARGADA quando gravou o último episódio. “Eu amava os meus colegas. Nós éramos muito próximos, éramos como família. Foi como estivesse deixando minha casa, muito emocionante”. Ela disse também que o programa QUASE foi cancelado. “As pessoas diziam ‘precisamos acabar com tudo para que não pensem que glorificamos e honramos coisas sujas’ ”, conta. “Nossa série nunca foi suja”.

A atriz, então, passou a defender que se produzisse um final bem feito em todas as reuniões com figurões da Netflix que participou: “Acredito que deveríamos honrar nosso compromisso e o público que amava aquilo também. Por que desistir?”. Além dos espectadores, as pessoas que trabalhavam na produção também estavam morrendo de medo de ficarem sem emprego. “Além da equipe principal, se você incluir os seguranças, policiais que gravavam externas conosco em Baltimore e todo o resto, cerca de 2500 seriam demitidas. E não é justo tirar essa segurança de pessoas que não fizeram nada de errado”, conclui.

Sobre Spacey, Wright afirmou que não fala com ele desde que tudo aconteceu. “Ele vai falar quando estiver pronto, tenho certeza”. E ainda completou dizendo que sente pena de ver alguém ter sua vida pessoal exposta e que esse lado de fazer parte da indústria do entretenimento é a pior. “Acho que as vidas de todos nós deveriam ser privadas. Coisas positivas, negativas, neutras, tanto faz”. Mas ela esclarece: “Não estou falando esse movimento [#MeToo], estou falando da mídia, a superexposição, o sentimento ruim de que um estranho decide que sabem que você é… É criminoso.”

No final de tudo, ela diz que simplesmente ainda não sabe como comentar os acontecimentos que envolvem Spacey. “Acho que todas as pessoas têm a habilidade de se reformar. Nesse sentido, eu acredito em segundas chances, ou seja lá qual for o nome que você preferir. Chama-se crescimento.”

Robin também dirigiu os dois capítulos finais da trama e disse que o negócio vai terminar de um jeito OPERÍSTICO: “Aquilo é como uma ópera, né? E assim o fizemos! Eu não sei o quão mais nós poderíamos ter nos superado. Você ficará surpreso.”

A temporada final de House Of Cards estreia em Novembro, no final das contas, parece ter Robin como presidente TAMBÉM na vida real. Por ela, pelo grupo e pra dar um bom e digno final pra uma obra que, definitivamente, merece — não sem deixar sua SOMBRA, né? Olha só esse último teaser da série... :P