Roland Grapow: a abóbora que ficou de fora da festa | Judão

Líder do Masterplan, o guitarrista não foi convocado para a turnê de reunião do Helloween, mas deu um jeito de festejar com o recém-lançado (e controverso) Pumpkings

Este lance de grupos que são spin-off de outras grandes bandas não é o que se pode chamar exatamente de novidade. Aqui no Brasil, por exemplo, o Angra é daquelas que geraram uma dezena de “filhotes” comandados por ex-integrantes. Lá fora não é muito diferente – a gente até já falou aqui sobre as muitas crias do Helloween, por exemplo. Uma delas é justamente o Masterplan, invenção do ex-guitarrista da banda da abóbora, Roland Grapow, que foi parte do Helloween entre o período de 1989 até meados de 2001, carregando nas costas a difícil tarefa de substituir Kai Hansen.

Sabe-se que a saída de Grapow, depois de problemas na turnê de The Dark Ride (2000), não foi exatamente das mais harmoniosas, tanto é que ele pouco fala a respeito – mas, mesmo assim, quando rolou o anúncio da tão aguardada turnê de reunião do maior expoente do metal melódico alemão, teve uma grande parcela dos fãs sentindo falta do seu nome, ao lado de Hansen e Michael Kiske. Pra confundir a porra toda, não apenas ele não vai tocar com os velhos amigos como acaba de lançar Pumpkings, álbum do Masterplan com o novo vocalista Rick Altzi no qual eles reinterpretam canções do Helloween escritas por Grapow. MAS HEIN?!

“Eu quis regravar esse material que escrevi durante os meus anos no Helloween e com minha banda, o Masterplan”, explicou o guitarrista, em entrevista exclusiva pro JUDÃO. “Percebi que muitas dessas músicas se perderam e não foram mais tocadas desde que saí da banda! Pra mim, era um desperdício ter gravado essas músicas e os fãs não as escutarem de novo. A ideia apareceu há dois anos atrás e comentei com a gravadora dizendo que queria gravar essas coisas com o Masterplan pra revitalizar essas canções pro futuro, já que gostamos de tocar algumas dessas faixas ao vivo”.

O líder do Masterplan afirma estar bastante feliz com o resultado, mas também ciente da opinião “controversa” de alguns fãs, que o consideram oportunista por ter lançado um álbum como este justamente NESTE momento. “Contudo, eu não me importo, pois eu trato essas canções como meus bebês! Eu as criei e as vi crescerem, sendo tocadas para milhares de fãs ao vivo e não queria simplesmente abandoná-las e deixá-las cair no esquecimento”.

Além disso, Roland desabafa e fala que já está um pouco cansado de sempre ouvir os fãs reclamando sobre os vocalistas quando o assunto é Helloween. “Ah o vocalista não soa parecido com o Michael Kiske! Ah o vocalista não é igual ao Andi Deris! Pra mim, o que importa é a composição dessas músicas; eu criei as melodias (exceto por The Time of The Oath), eu cômpus as guitarras, eu interpreto essas músicas com meu sentimento e acima de tudo escrevi as letras. Isso é sobre mim e minha vida como músico numa importante banda de heavy metal como o Helloween. Algumas pessoas não enxergam o ponto sobre esse novo disco, mas é a respeito do meu trabalho!”.

Mas... e aí? Qual foi o babado de ele ter ficado de fora da Pumpkins United Tour? Michael Kiske chegou a dizer, numa entrevista pra rádio espanhola TNT Radio Rock, que ficou sabendo que Grapow foi convidado pelos caras, mas acabou dizendo dizendo um ‘não, valeu’ e aí acabou descartado. “Esta foi a informação que me deram. Talvez ele ainda esteja machucado. E eu entendo isso”, afirmou Kiske que, bom, também não saiu do Helloween exatamente de bem com todo mundo.

No entanto, Grapow nega. “Eu acho que existe uma razão política dentro do Helloween em não me convidar pra essa turnê de reunião”, diz. “Eu andei conversando muito com o Andi Deris e o Michael Weikath durantes os últimos dois anos; a respeito de outras coisas, eu me considero amigo do Michael Kiske e Kai Hansen. Se os fãs realmente me quiserem, pra mim não seria um problema. Mas eu não fui convidado!”.

Questionado se ele se juntaria à banda lá na frente, depois de um possível convite mais tarde para alguns shows dessa turnê, Roland sem hesitar responde que SIM, adicionando que adoraria tocar à frente de tantos fãs novamente pra reviver esse material mais antigo do Helloween. Na verdade, o que ele faz é aproveitar pra apelar aos tais dos fãs, pedindo que se mobilizem pra que algo aconteça. “Sim, ia ser demais se os fãs também dessem uma forcinha e pedissem para que a banda me convidasse para essa reunião! Eu realmente não sei o real motivo por não ter sido convidado. Não sei se isso teve a ver com algumas coisas que tentei sugerir para direção musical da banda e caras como o Andi Deris e Michael Weikath não parecem ter gostado muito, mas isso foi há mais de 15 anos”, diz.

“Eu quero acreditar que já passamos por cima disso; não quero mais falar sobre esse passado. É como uma relação antiga, sabe? Nós geralmente torcemos para continuarmos amigos e não ficar brigando depois do fim do namoro. Nem mesmo gente com quem tenho amizade, como o empresário da banda, sabe dizer por que não fui convidado. Talvez eles não queiram me contar e acho que não tem nada que eu possa fazer!”.

Mesmo parecendo um pouco desapontado, Roland não perde muito tempo pensando no assunto, já que se mantém bem ocupado em seu novo quartel general na Eslováquia, no seu estúdio, gravando diversas bandas de power e thrash metal do leste europeu. “Pra mim faz muita diferença morar num país como este – pois aqui, sendo um ex-guitarrista do Helloween e o guitarrista do Masterplan, isso torna as coisas mais especiais e abre mais portas pra mim, já que existem muitos fãs do Helloween por aqui e isso atrai muitas bandas pra eu produzir e gravar no meu estúdio”.

Envolvido num projeto com o atual vocalista de Ritchie Blackmore, Ronnie Romero, e sua banda Lords of Black, além de ter alguns shows agendados pela Europa com o baterista Mike Terrana (ex-Rage e ex-Tarja Turunen), Grapow tem andado muito ocupado, mas afirma estar na expectativa de que bandas da América do Sul possam procurá-lo para produzir discos – por mais que tenha parado de ouvir coisas do Brasil ainda na era Angra e Sepultura. “Não tenho tocado mais com tanta frequência pelo Brasil como anteriormente”, afirma.

Falando em agenda agitada, a gente quis saber também como Roland vai achar tempo para o Masterplan: “Já tenho planos para um novo disco para o ano que vem, pois Pumpkings se trata de músicas regravadas da minha fase no Helloween, o que é muito especial, mas queremos fazer um novo álbum de estúdio com novas composições . Estou com meu celular recheado com ideias de melodias das novas músicas desse novo álbum, mesmo estando bem ocupado com meus outros projetos, com certeza vamos achar tempo para um novo disco do Masterplan e com planos de lançar um álbum muito em breve”.

Sobre Pumpkings, ainda que se tenha questões conceituais sobre os motivos de Roland Grapow ter inventado de fazer este disco, o fato é que não dá pra negar a nostalgia de ouvir novamente canções de uma fase pra lá de especial do Helloween, na qual a banda se reinventou depois de uma passagem bastante complicada. Mesmo assim, Roland emplacou alguns clássicos que não poderiam simplesmente passar despercebidos.

E com uma nova roupagem, algumas músicas que não passaram de um pop mequetrefe em comparação com a época dourada do Helloween, como The Chance, Someone’s Crying e Mankind do disco Pink Bubbles Go Ape, ganharam mais pegada do que nas gravações originais com a voz de Rick Altzi. Não podiam faltar outras tantas ótimas composições como Mr. Ego (que, diz a lenda, é sobre Kiske), Take Me Home e Still We Go do Master of The Rings; Music e Step Out Of Hell do Chameleon; e Time of The Oath do disco de mesmo nome. Estamos falando de um trabalho bem legal, obrigatório não apenas na prateleira de colecionadores do Masterplan, mas também dos fanáticos pelo Helloween.