Run é Foo Fighters raiz :D | Judão

Clipe engraçadinho, música com energia: mesmo depois do fraco Sonic Highways, parece que os Foos ainda conseguem agitar!

Quando os Foo Fighters trouxeram Sonic Highways ao mundo, como peça central de um gigantesco projeto audiovisual idealizado por Dave Grohl e companhia, escrevi que os caras pareciam estar se levando MUITO a sério. Faixas longas demais e desprovidas da paixão que costuma fazer os fãs se esgoelarem em seus shows não justificavam a existência do álbum, muito menos de um documentário ou toda a punhetação que rolou meses antes do lançamento, incluindo até o brilhante David Letterman.

Três anos e um EP (o quase revigorante Saint Cecilia) depois, já era hora dos Foos tomarem vergonha e retornarem à irreverência e ao rock energético que fizeram da banda uma das maiores do mundo e melhores de se ver e ouvir ao vivo. Pois eis que surge o VIDEOCLIPE de Run.

Lançado oficialmente de surpresa pela banda neste 1º de Junho de 2017, o single tinha sido tocado apenas uma vez pelo grupo, lá em fevereiro, em um show no Reino Unido. Honrando a já sacramentada dinâmica de altos e baixos das músicas dos Foos, a música abre com uma melodia suave e tranquila que logo dá lugar a versos pesados, repletos de pratos de ataque sendo espancados e guitarras distorcidas (além da voz do próprio Grohl) no último volume.

É um som até mais pesado do que se espera da banda, mas sem perder os trejeitos que fazem de uma música algo ligado intimamente aos seus integrantes. Só que é no clipe que, bom, fica a sensação de retorno dos caras à sua velha forma.

Com ares de Cocoon, do segmento mais divertido de A Viagem e até de Um Estranho no Ninho, o vídeo, dirigido pelo próprio Grohl (o cara não cansa de fazer tudo?), se passa num asilo. Numa reunião “cultural”, versões octogenárias dos músicos mandam ver no ROQUE, inspirando os constantemente sedados senhores e senhoras do local a organizar um frenético motim contra enfermeiros e enfermeiras. Rola até um SHOW YOUR BOOBS geriátrico. :D

É um resgate do típico humor NON SENSE dos grandes clipes da banda — e isso é ótimo.

Desde que sacanearam os Mentos no hilário clipe de Big Me, os Foos estabeleceram uma tradição de clipes cômicos que envolvem quase sempre fantasias tosquíssimas, paródias e participações especiais (em especial, de Jack Black e Kyle Gass). Foi uma forma encontrada por Grohl para não só fugir dos clichês de grandeza em que caíam grandes bandas dos anos 90, como também forçar a diferença entre ESSA banda e o Nirvana, que ainda jogava AQUELA sombra pra cima do cara.

Assim, sempre que um álbum dos caras pintava por aí, era certeza de ao menos um clipe bizarramente divertido na área. Foi assim com Low, Learn to Fly, Breakout, White Limo, Walk, ENTRE OUTROS, até que... mais nada. Até pelo conceito por trás da parada toda, Sonic Highways trocou a irreverência da banda nos vídeos por uma pegada mais sóbria, mais focada nos caras tocando e ponto final. Opção válida, mas sem graça AND sem a sua assinatura tradicional.

Por isso, Run é um raio belíssimo de esperança pros fãs do grupo. Quando o assunto é Foo Fighters, não podemos esquecer que todo mundo ali tá pra lá dos 40, quando não 50, e já não tem muita coisa pra provar. Ver os malucos irem com tanta sede ao pote, ainda resgatando características que ajudaram a defini-los, depois duma desviada no caminho que foi, pra muita gente, broxante, é legal demais. Em especial porque, dizem, Run pode ser o primeiro fragmento dum vindouro novo álbum.

No aguardo. ;)