A música-tema de 007 Contra SPECTRE é exatamente como deveria ser: cool | Judão

A tempestade se aproxima, vinda de algum lugar do passado. Ouça agora Writing’s on the Wall, de Sam Smith!

Se existe uma coisa tão importante e icônica para um filme de James Bond, do tipo que não pode faltar no checklist, além do martini batido (mas não mexido), das Bond Girls, de uma porra de um Aston Martin e da frase “nome é Bond, James Bond”, é aquela tradicional música-tema. Aquela canção que vai marcar o filme e que, desde sempre, traz um grande nome da música contemporânea da época na interpretação. Como o inglês Sam Smith, que canta Writing’s On The Wall, a canção de 007 Contra SPECTRE que foi divulgada oficialmente na madrugada dessa sexta-feira (25).

Trata-se do primeiro tema de Bond gravado por um artista solo britânico desde 1965, quando a responsa de cantar Thunderball ficou com o vozeirão de Tom Jones. Composição do próprio Smith em parceria com seu produtor costumeiro, Jimmy Napes, e contando ainda com toques do duo eletrônico Disclosure (os irmãos Guy e Howard Lawrence), a música é mais um acerto da fase Daniel Craig nos cinemas – que contou ainda com a potente e roqueira You Know My Name (Chris Cornell, do Soundgarden, em Cassino Royale), a estilosa Another Way To Die (dueto de Jack White e Alicia Keys, para Quantum of Solace) e a já clássica e premiada Skyfall (na voz de Adele, adivinha só pra qual filme?).

Aliás, a interpretação de Smith segue na linha da conterrânea Adele, uma coisa inglesa mais tradicional, respirando um pouco de jazz/soul, como já seria de se esperar do cara. Toda a parte orquestrada tem um quê de Thunderball mas também remete àquele clima meio sexy e ao mesmo tempo decadente de The World is Not Enough, a lindíssima versão do Garbage para os créditos iniciais de O Mundo Não é o Bastante (1999). O mais legal é que todo o restante da canção tem um quê bem dramático, sofrido, com Smith numa interpretação de entrega altamente emocional e que escancara a sua influência da música negra. Em resumo: linda música. E que pode significar que a tragédia se aproxima da casa de um certo agente secreto.

“I’m prepared for this / I never shoot to miss / But I feel like a storm is coming / If I’m gonna make it through the day / Then there’s no use in running / This is something I gotta face”, diz a letra, o prenúncio de uma tempestade, para completar mais à frente: “A million shards of glass / That haunt me from my past”.

O passado finalmente vai vir cobrar tributo de Bond? Tudo indica que sim.

“Este é um dos pontos altos da minha carreira”, afirmou o cantor em comunicado oficial, quando finalmente pôde revelar a verdade depois de negar os boatos insistentemente pra todo mundo que perguntasse. “Estou tão animado por fazer parte deste icônico legado britânico e integrar um incrível time de algumas das minhas maiores inspirações musicais. Espero que todos gostem da música tanto quanto eu gostei de fazer”.

Os produtores Michael G. Wilson e Barbara Broccoli se derreteram em elogios para Smith. “Sam e Jimmy escreveram a música mais inspiracional para Spectre – e, com a extraordinária performance vocal de Sam, Writing’s On The Wall vai com certeza ser considerada uma das maiores canções de Bond de todos os tempos”. Olha, melhor do que aquela da Madonna, com certeza, veja bem. ;)

Writing's on the wall... Hmmmm....

Writing’s on the wall... Hmmmm....

Por que a escolha de Smith? Que tal começar pelo fato de que ele se tornou o atual queridinho da indústria musical – levando para casa quatro estatuetas na última edição do Grammy, incluindo “artista revelação”, “álbum pop do ano” e “melhor canção do ano” (para o hit Stay With Me)? Só isso já justificaria, comercialmente falando. Mas vamos além disso? Vamos.

Smith é um sujeito que conseguiu, de maneira inusitada, fazer boa música pop com influência da soul music americana sem precisar de exageros ou malabarismos – que busca referências e reverências em nomes clássicos mas não deixa, de maneira nenhuma, de soar moderna, atual, contemporânea. Você ouve o cara cantando e já imagina ele todo estiloso, de smoking, num bar esfumaçado, com um daqueles microfones clássicos de crooners dos anos 50, soltando a voz enquanto um bando de capangas tenta matar nosso protagonista entre as mesas usando uma arma com silenciador.

Se isso não é James Bond puro, juro que não sei mais o que seria. ;)