Sobre a nova arma do Thor em Vingadores: Guerra Infinita | JUDAO.com.br

Depois da destruição do Mjolnir em Thor: Ragnarok, o Deus do Trovão terá um novo companheiro de combate pra tentar encarar o Thanos — e que parece uma mistura de dois artefatos dos quadrinhos

Então é isso: depois que a Hela destroçou o seu adorado Mjölnir — ou Miamiam, como queira chamar — em Thor: Ragnarok, o Deus do Trovão, sempre relacionado à sua arma de estimação, parece ter ficado nesse limbo de identidade, especialmente depois dos dois primeiros filmes.

E agora já sabemos, via EW, que, de alguma forma, ele terá em Vingadores: Guerra Infinita esta mistura de martelo com machado chamada Stormbreaker, nome popularmente conhecido nos quadrinhos por aqui como Rompe Tormentas.

As primeiras informações do set davam conta de que seria apenas e tão somente um machado e, portanto, logo todo mundo pensou no icônico Jarnbjorn, o machadão de batalha forjado pelos anões que ele usava antes de se tornar digno de empunhar o Mjolnir e que, recentemente, ganhou novamente destaque nas HQs depois que Jane Foster se tornou a Thor e Odinson virou o indigno. Então, ele andava por aí montado num bode (o Toothgnasher, que eu queria DEMAIS ver nos cinemas!), sem camisa, de machado em mãos, mais viking impossível.

No entanto, a arma do filme vem da incrível fase de Walt Simonson, de ninguém menos do que Bill Raio Beta, um alienígena da raça dos Korbonitas que é um dos coadjuvantes mais queridos dos gibis do Thor – seu rosto EQUINO pode ser claramente visto como uma das gigantescas homenagens na parte de fora do prédio do Grão-Mestre em Thor: Ragnarok, por exemplo.

“Ia rolar um Bill Raio Beta no filme”, chegou a admitir Kevin Feige, em entrevista pro Crave, sobre a presença do herói como um personagem DE FATO em Thor: Ragnarok. “Mas ia ser tão rápido que as pessoas reclamariam tanto quanto reclamaram de ver só a estátua. Ele apareceria só um pouquinho mais do que aquilo e não lhe faria justiça. Pra nós, o sentimento é de que se não dá pra fazer justiça a um personagem, então use depois”. Ok, entendemos a mensagem.

Thor, da Hot Toys, EMPUNHANDO o Rompe Tormentas

Depois de ter sua galáxia destruída pelas maquinações do demônio do fogo Surtur, os Korbonitas escolheram um campeão que passaria por uma transformação e os guiaria para uma nova morada. Assim, Bill Raio Beta passou por uma modificação cibernética, tornando-se um guerreiro poderoso que pilotou uma nave trazendo todos os seus conterrâneos em hibernação. Aí, Bill acabou vindo parar na Via Láctea, detectado pela SHIELD e com Thor sendo solicitado por Nick Fury para detê-lo. O pau comeu entre os dois, claro, mas depois que Thor se separou do Mjolnir, revertendo à forma do mortal Donald Blake, Bill foi lá, conseguiu erguer o martelo e BOOOOM!, assumiu a forma de Deus do Trovão.

Levados pra Asgard por Odin, para tentar resolver a questão, Bill Raio Beta e Thor chegaram num impasse, já que o alien queria manter a arma com ele como “espólio de batalha” – e o Pai de Todos, como boa entidade nórdica que é, definiu que a treta deveria ser decidida na porrada. No caso, uma batalha em uma terra de fogo chamada Skartheim. O vencedor ficaria com Mjolnir.

A fisiologia de Bill lhe deu uma ligeira vantagem nesta terra de lava fervendo e digamos que, conforme se descobriria mais tarde, Odin também deu uma “forcinha”, já que queria ver o filho derrotado como mais uma lição pra ele. Bill venceu mas se recusou a matar Thor, o que foi prova suficiente de sua honra e dignidade. Aí, o monarca de Asgard pediu aos anões que, usando o mesmo metal Uru do Mjolnir, forjassem um novo martelo. Nascia o Rompe Tormentas. E também uma amizade de muitos anos entre os dois guerreiros.

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Originalmente, ele era um martelo dourado tipo martelo MESMO, mas não quadradão dos dois lados como o Mjolnir – e sim achatado/arredondado de um lado e com umas pontinhas de outro. Mas conforme os anos foram passando, alguns desenhistas passaram a retratar claramente uma de suas faces como sendo mais cortante, com uma lâmina que lembrava um machado. Tipo este que o Thor vai usar no filme. Ou quase.

Porque, apesar do nome, visualmente o artefato que Chris Hemsworth vai tentar cravar na cabeça do Thanos se parece muito mais com OUTRA arma. Uma que foi usada por outra versão do mesmo Thor — no caso, o do Universo Ultimate (ou 1610, como queira).

Depois de Guerras Secretas, os universos alternativos da Marvel foram todos “apagados”, com seus principais personagens organizados dentro da realidade do Universo Marvel corrente, a “nossa” realidade, DORAVANTE batizado de Universo 616. Pois bem. Do universo Ultimate, vieram o Miles Morales, a versão vilão do Reed Richards... e o martelo do Thor. Esse aí, no caso. Lembra alguma coisa, não é mesmo?

A arma, no caso, apareceu na antiga Asgard, velha morada dos deuses e que se tornou parte da imensa coleção do Colecionador (AHVÁ). Foi nesta época que Thor Odinson, considerado indigno e sem o Mjolnir, saiu em busca deste novo martelo, atraído por sua energia, quase como querendo uma nova chance.

Mas logo ele desistiu, finalmente entendendo que, não, não precisaria de um martelo para definir quem ele é, afinal de contas (um pouco a lição que o Thor aprende, aliás, ao final de Thor: Ragnarok).

Só que então, ah, olha este destino nos pregando peças, um de seus melhores amigos, Volstagg, o mais fanfarrão dos Três Guerreiros, depois de presenciar um verdadeiro massacre de jovens elfos, encontra o martelo e, quando toca nele, se vê tomado pela raiva, pela sensação de impotência, pelo ressentimento. E então surge o assustador Thor da Guerra, cuja enorme barba ruiva e forma mais corpulenta lembram imediatamente a versão do Thor lá nas ilustrações da mitologia nórdica original.

A grande diferença entre este martelo do Thor Ultimate e a versão do cinema é que o que foi selecionado pra telona parece mais “rústico” — e, a julgar pela empunhadora de maneira, entrelaçada de um jeito que parece bastante artesanal, começam a fazer sentido as teorias de fãs (É, EU SEI) de que o cabo seria formado, na verdade, de um pedaço do Groot, devidamente “emprestado” para que o loirão finalize a sua arma de combate.

Por mais que o visual deste Rompe Tormentas cinematográfico seja legal, por mais que ambas as referências que ele faz às HQs sejam bacanas, aquele Thor surgido ao final do Ragnarok, confiante, honrado, com o trovão pulsando dentro de si e sem precisar do Mjolnir para ser canalizado, é MUITO legal. Tomara que o novo martelo seja apenas e tão somente isso mesmo: uma arma. Porque o poder de verdade está dentro do Deus do Trovão e não num penduricalho qualquer.

Que esta lição, no fim das contas, se mantenha.