Han Solo - Uma História Star Wars: "Se eles querem continuar fazendo Star Wars, tem que ser bom"

Ator que trabalhou no set do filme solo (ah, isso nunca vai cansar) do Han Solo dá mais detalhes sobre o que rolou com a saída de Phil Lord & Chris Miller, a chegada de Ron Howard e as dificuldades do astro Alden Ehrenreich

“Faltam apenas OITO semanas até que estejamos todos furiosos sobre o filme do Han Solo”, sacaneou o escritor Mark Millar no Twitter, “celebrando” que a estreia de Han Solo: Uma História Star Wars se aproxima.

A piada tem graça não só porque, bom, sabemos bem a reação exaltada que os últimos filmes da franquia causaram – em particular a divisão que Os Últimos Jedis* gerou, entre fanáticos e odiadores profissionais – mas também porque a aventura solo de Han Solo (eu não consigo resistir, mil perdões) chega depois de uma enxurrada de histórias bombásticas de bastidores, incluindo troca de diretores, problemas com o protagonista, um roteiro considerado “infilmável” e até aquela boataria braba do tipo “a Disney sabe que o filme é ruim mas só vai lançar porque não tem mais opção e espera que ele seja uma bomba depois da controvérsia de Últimos Jedis*, que era um filme muito tentando ser engraçadalho”.

Bom, deixando as rocambolescas teorias da conspiração de lado, os caras do Vulture tiveram acesso a um ator que trabalhou em Solo, tanto sob a batuta de Phil Lord e Chris Miller antes dos dois saírem do projeto por conta das já lendárias “diferenças criativas” e depois, quando Ron Howard tomou conta do barco – e digamos que eles conseguiram um olhar bastante curioso sobre como se deu esta mudança e que impacto ela teve para o filme.

O ator, que por motivos óbvios pediu para não ser identificado, não era uma das estrelas principais da produção, mas estaria próximo o suficiente para poder dividir claramente o clima do set em dois momentos diferentes: um caótico e desorganizado e um bem mais controlado e eficiente.

Segundo ele, Lord e Miller são bons diretores, mas ainda não estavam preparados para encarar uma máquina tão azeitada como Star Wars, controlando firmemente um orçamento milionário. “Eles definitivamente sentiram a pressão. Com filmes tipo este, tem gente demais no seu cangote. O primeiro diretor assistente era alguém muito experimente e entrou no circuito para ajudar a dupla diretamente em diversas cenas”, afirma. Um dos pontos de atenção foi que, mais acostumados com comédias mais leves, eles não tinham certeza de que estava tudo rodando do jeito que deveria e, inseguros, chegavam a pedir que uma mesma sequência fosse rodada mais de 30 vezes, sempre em busca de algo “diferente” da tomada anterior. “Depois do take de número 25, os atores se entreolhavam e ficava aquele clima de ‘gente, isso tá ficando estranho’. Eles pareciam fora de controle”.

E então, Lord e Miller saíram do circuito – e aqueles que não eram exatamente as estrelas milionárias do rolê ficaram sabendo do acontecido exatamente como eu e você: pela internet. “Foi uma loucura. Eles demitiram os nossos chefes. Estávamos mandando mensagens uns pros outros, perguntando coisas como ‘será que eles vão refilmar algumas cenas?’. Foi uma bagunça. E foi insano como tudo vazou pra imprensa”.

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O que surpreendeu, no caso de Howard, que entrou no barco neste clima todo aí, com cerca de 3/4 das filmagens principais já finalizadas, foi a rapidez. “Quando ele chegou, tomou as rédeas da situação de deu pra sentir isso. Ele ganhou respeito imediatamente. É um cara muito confiante e experiente no que estava fazendo, mas ao mesmo tempo muito fácil de se trabalhar”.

O tal do ator conta que a maior parte das regravações rolaram no Pinewood Studios, em Londres, e, mais tarde, em plena pós-produção, nos estúdios da Disney em Burbank. O diretor, claro, é bastante econômico ao falar sobre o assunto e sobre o quanto dele e o quanto de seus antecessores tem na película. “É claro que as impressões digitais de Phil e Chris estão em todo o filme”, afirmou Howard, recentemente, ao EW. “Afinal, eles colocaram muito deles ali, incluindo seu tempo”. No fim, a dupla será creditada como “produtores executivos”, conforme Phil Lord confirmou na última edição do Vulture Fest. “Creio que todo mundo entendeu ali que nosso jeito de conduzir aquele filme era diferente do deles. Era um abismo enorme entre uma coisa e outra – e se provou grande demais para ser TRANSPOSTO”.

Mas o tal ator misterioso deixa claro que, diferente da inclusão de novos diálogos e algumas cenas que Tony Gilroy fez em Rogue One, aqui o buraco é mais embaixo, incluindo refilmagens cena a cena de praticamente tudo que já tinha sido rodado. “É exatamente o mesmo roteiro. Eles estão filmando exatamente as mesmas coisas. Não tem nada de novo”, afirma ele. “Lord e Miller usaram os sets inteiros, completos, mas Howard está usando apenas partes deles. Creio que não estejam trabalhando em grandes ângulos abertos, talvez pra economizar no orçamento”.

Outra questão que teria sido crucial na decisão de Kathleen Kennedy, da Lucasfilm, em se separar de Lord e Miller, teria sido a performance de Alden Ehrenreich como o jovem Solo, que não estaria entregando o que se esperava dele. Tanto é que surgiu no set aquele tal treinador de atuação, o popular COACH, pra tentar fazer com que ele entendesse e reproduzisse melhor o estilo do personagem que pudemos ver na trilogia original de Star Wars. “Tentar imitar Harrison Ford não é fácil. E a Lucasfilm queria algo muito específico, que é replicar outro alguém. Alden não é um ator ruim – ele só não é bom o bastante para esta tarefa”. Mas com o treinador, tudo parece ter mudado. “Você claramente o via mais relaxado, mais como o Harrison. A ideia ajudou bastante”.

No fim, o ator arremata com uma declaração no mínimo questionável: “Eles têm que fazer Han Solo ser bom depois que Os Ùltimos Jedis* não deu tanto dinheiro quanto o esperado” – e aí temos questões, porque, vamos lá, é um filme que teve quase US$ 620 milhões de bilheteria doméstica, dentro dos EUA, e outros belos US$ 710 milhões internacionalmente. “Se eles querem continuar fazendo filmes de Star Wars, eles têm que ser bons”.

Em seu Twitter, depois da repercussão da matéria, Miller comentou de maneira absolutamente sucinta: “olha, talvez você não devesse acreditar em tudo que lê”.

E o embate, sem sabres de luz, persiste. E, enquanto isso, a gente continua defendendo que este filme devia ter outro nome, sabe? ;)