Uma Nova Esperança | Judão

Um filme nunca é só um filme. E uma experiência no cinema nunca é definitiva.

Um filme nunca é só um filme. Se tem algo que eu falei nesse ano de 2017, com essas ou diversas outras palavras, é que o que você assiste dentro de uma sala de cinema, num sofá ou, hoje em dia, na maldita tela de um celular, nunca é só aquilo.

Cada pessoa (e até grande corporação, por que não?) envolvida com uma produção tem algum tipo de intenção ao fazer as coisas de cada jeito. Quem produz, quem dirige, quem atua, quem inventa os figurinos, quem escolhe o elenco, quem escreve o roteiro, quem faz a fotografia. As vezes, claro, as intenções e ideias são compartilhadas, mas o fato é que a produção de um filme é uma junção gigantesca de um monte de pensamentos e experiências pessoais.

É natural, portanto, que todas as ideias, pensamentos e experiências pessoais de quem assiste a um filme também reflitam na experiência que essa pessoa teve ao assistir. Não é só uma questão de ser um filme bom ou ruim; é o que você sente, como espectador, ao ver aquilo.

La La Land, por exemplo, é um filme extremamente triste pra mim, me fazendo voltar alguns bons anos no tempo e relembrar de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças que, pra mim, funcionou como uma cura de algo que me doía bastante na época em que assisti. Logan é um outro filme que, por conta da relação complicada que tive com meu pai, bateu de uma maneira que eu sei que só eu senti.

Porque esses filmes fazem com que só a gente sinta certas coisas, mesmo que milhões de outras pessoas sintam as mesmas coisas através do universo. Naquele momento, aquele sentimento era meu e só meu.

Assisti a Star Wars: Os Últimos Jedis* no meio de uma estafa mental bastante complicada que me fez, enfim, buscar ajuda médica. Não era uma boa semana, não era um bom dia e, pra completar, eu estava extremamente cansado fisicamente — ser colocado numa sala escura, numa poltrona relativamente confortável nem duas horas depois que você acordou, nem seis horas depois que você dormiu, acredite, não costuma ser uma boa combinação.

Minha visão sobre o filme que acabou resultando nessa resenha, foi extremamente cínica e distante — uma visão que, posteriormente, lendo pessoas que confio demais sobre suas visões de cinema, acabei percebendo não que seria EQUIVOCADA, mas que poderia não ser a única.

E eis a beleza de críticas, resenhas e empatia com quem gosta das mesmas coisas que você, por mais que discorde: você recebe outros pontos de vistas, outras ideias, que só tendem a melhorar o seu senso crítico.

Assisti a Star Wars: Os Últimos Jedis* novamente nessa quarta-feira (20), agora com o tratamento médico iniciado, no meio da tarde, descansado e com algumas outras ideias de como enxergar o filme na cabeça e, embora eu não renegue absolutamente NADA do que escrevi na semana passada — aquele texto foi produto de uma momento da minha vida — eu posso dizer que mudei completamente de opinião.

Grande parte dos problemas que apontei deixaram de me incomodar. Não senti a montanha russa emocional, não odiei (tanto) os Porgs, consegui sentir (com algum esforço, confesso) a ligação entre Rey e Kylo Ren, entendi as motivações de Luke Skywalker, deixei de me incomodar com a decadência física de Carrie Fisher e, o principal, compreendi e passei a respeitar algumas decisões de Rian Johnson.

Até mesmo o Snoke.

Deixou de ser, pra mim, um filme que joga tudo o que O Despertar da Força definiu fora e passou a ser um filme que seguiu para um outro caminho, respeitando SIM o que havia sido definido anteriormente, e preparando o terreno para que tudo isso se junte no derradeiro Episódio IX, de uma maneira que, como aquele finalzinho demonstra, será extremamente bonita.

Star Wars: Os Últimos Jedis* não é só um começo. É, sem vergonha do trocadilho, uma nova esperança.

Não renego o que disse anteriormente sobre Star Wars: Os Últimos Jedis* e acredito sim que aquela seja uma visão extremamente válida sobre o filme (e, devo confessar que, surpreendentemente, muita gente conseguiu se identificar com ela). Mas, ao invés de fazer uma outra resenha (é sempre bom lembrar que eu não sou um crítico de cinema, minha maneira de enxergar os filmes e escrever sobre eles é bem diferente), com essa minha outra visão do que parecia até ser outro filme, resolvi abrir meu coração um pouco sobre a maneira que eu enxergo o cinema e como fazemos nosso trabalho aqui no JUDAO.com.brnum momento em que o site corre um sério risco de acabar.

Tal qual a Vice Almirante Holdo, não tenho pretensão alguma com esse texto. Mas achei justo, com leitores e assinantes, mostrar como AS VEZES as coisas funcionam por aqui. Não é uma questão de gostar ou não gostar de alguma coisa, receber pra escrever ou simplesmente ser chato. Nunca é. Nunca foi. E nem nunca vai ser.

Godspeed, Rebels. Que a Força esteja com vocês, sempre.

* Algumas coisas não mudam. Mas deveria ser no singular. ;D