Stargirl: a nova heroína da DC que vai virar série é muito especial pro Geoff Johns | JUDAO.com.br

Embora já tenha aparecido duas vezes na TV, agora no papel de protagonista da quarta série live-action original do serviço de streaming da DC é que a jovem heroína deve poder realmente mostrar a que veio

Dá pra sacar claramente que este lance do Geoff Johns não ser mais o Chief Creative Officer (CCO) da DC Entertainment pra se focar apenas e tão somente em seu trampo como roteirista (e, vá lá, igualmente como produtor) é também uma forma do sujeito conversar e ficar em paz com o próprio passado e trabalhar em projetos que sejam, de fato, DO CORAÇÃO.

E, definitivamente, não tem nada mais “do coração” pro autor do que a quarta série live-action do serviço de streaming da DC que foi anunciada oficialmente nesta quinta-feira (19), durante a San Diego Comic-Con: Stargirl.

Porque a jovem super-heroína que ficou famosa como integrante da Sociedade da Justiça não apenas é o primeiro personagem original que Johns criou quando começou a trampar pra DC, lá em 1999, pra revista Stars and S.T.R.I.P.E., junto com Lee Moder. Mas também por se tratar de alguém cuja personalidade foi totalmente baseada em sua irmã, Courtney, que morreu na explosão do TWA Flight 800 que saía de NY para Paris, em 1996.

“Ter a oportunidade de contar uma história celebrando esta super-heroína foi literalmente a primeira coisa que eu quis fazer porque era muito pessoal pra mim”, disse ele, em entrevista ao Deadline. “Além disso, trabalhar uma personagem que fala com toda a coisa de ser jovem, de ter que carregar um legado nas costas e ainda seguir em frente me parece algo bastante importante nos dias de hoje”.

A série de 13 episódios, prevista para estrear em 2019, será escrita e produzida por Johns, tornando-se assim a terceira na qual ele repete, para o Netflix da DC batizado criativamente de DC Universe, a dobradinha com Greg Berlanti, o pai do #Arrowverse, e Sarah Schechter, tudo via sua nova produtora, a Mad Ghost Productions. Além de Stargirl, ele ainda está por trás de Titans e de sua série derivada, Doom Patrol (Patrulha do Destino).

E depois do trailer absolutamente sombrio e sangrento de Titans, Johns ainda fez questão de reforçar o tom leve e jovial que Stargirl vai ter, numa pegada “Mulher-Maravilha e Superman – O Filme“, traçando paralelos com a recente incursão cinematográfica da Princesa Amazona e o primeiro filme do Homem de Aço com o incomparável Christopher Reeve.

Se a gente for pensar na origem da personagem, dá pra entender exatamente a comparação do Johns. Afinal, Courtney Whitmore vivia uma vida perfeita com a mãe... até que pinta um novo homem em suas vidas. No caso, um namorado por quem sua mãe se apaixona, um tal de Pat Dugan, com quem ela se casa e que se torna seu padrasto. E que ainda tem a audácia, vejam vocês, de convencer a mãe da garota que Los Angeles é uma cidade muito louca e que eles todos bem que podiam tentar viver num lugar mais calmo, pacífico, tranquilão? É aí que os Whitmore-Dugan vão parar na pequena Blue Valley, Nebraska.

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Indignada com o tédio, Courtney tá disposta a fazer da vida do novo papai um inferno. Mexendo nas coisas antigas do sujeito, pós mudança, ela encontra uma caixa de lembranças com algo que jamais sequer imaginou: os pertences do Sideral (Star-Spangled Kid), anos mais tarde rebatizado de Celestial (Skyman), um grande herói da década de 40. E mais: Pat teria sido ninguém menos do que seu parceiro, o Listrado (Stripesy). De posse do Cinturão Cósmico do Sideral, que também estava dentro da caixa e lhe dá seus poderes, a menina costura um uniforme e, BINGO!, eis que se transformava na segunda Sideral, com o pacotão de poderes de voo, força, velocidade e agilidade ampliados.

Claro que o padrasto não aceita muito bem a ideia e sabe bem que é uma espécie de provocação da menina — de quem ele gosta como uma filha, sem restrições. Mas eventualmente Courtney ganha a permissão não apenas dele mas também da mãe dela para combater o crime (quem seria ele pra dizer que não, já que fez a mesma coisa quando era jovem?), ao provar que entendeu a responsabilidade daquilo que está propondo, muito mais do que uma aventura. Maaaaaaaaaaaaas... Dugan é um mecânico experiente e, pra tentar garantir a segurança da filha, cria um gigantesco traje robótico chamado F.A.I.X.A. (S.T.R.I.P.E.), que usa para acompanhá-la.

Algum tempo depois de iniciar suas atividades heroicas, Courtney é aceita pela SJA e acaba ganhando o Bastão Cósmico de Jack Knight, filho do Starman original. O mesmo Starman original que, aliás, ajudou o primeiro Sideral a desenvolver o Cinturão Cósmico. De posse deste novo artefato, que amplia seus poderes graças a uma habilidade de manipulação de energia, canalizando a energia das estrelas e disparando rajadas de força, ela resolve mudar de codinome e passa a se chamar oficialmente Stargirl.

A Stargirl de Legends of Tomorrow

Vale lembrar, no entanto, que esta não é a primeira vez que a Stargirl dá as caras no mundinho das séries. Entre as temporadas nove e dez de Smallville, mais especificamente nos anos de 2010 e 2011, Courtney foi interpretada em quatro episódios por Britt Irvin, com destaque para o especial de duas horas de duração batizado de Absolute Justice, no qual podiam ser vistos também diversos outros integrantes da Sociedade da Justiça.

Recentemente, ela também apareceu em Legends of Tomorrow, primeiro como integrante da SJA que luta com as Lendas na época da Segunda Guerra Mundial e, depois da aparente dissolução de seu time, reaparecendo no século 6, onde usou um fragmento da Lança do Destino (segundo o catolicismo, arma usada pelo centurião romano Longinus para perfurar o tórax de Jesus quando ele estava na cruz) para criar a corte de Camelot, aquela mesma do Rei Arthur, com ela no papel do feiticeiro Merlin.