Taika Waititi: “É vital que falemos sobre nossas tradições” | JUDAO.com.br

Durante uma aula magna no TIFF, o diretor de Thor: Ragnarok mandou a real sobre a crise de criatividade em Hollywood e sobre um dos caminhos para resolvê-la

Taika Waititi é um sopro de frescor. É dele o argumento original de Moana, roteiro e direção de O Que Fazemos Nas Sombras e pode ter CERTEZA que Thor: Ragnarok não seria tão divertido e gostoso de se assistir se ele não estivesse ali. E um dos motivos pra essa inovação toda é que Taika não é mais um cara branco e americano fazendo cinema. Ele nasceu na Nova Zelândia, cresceu com uma mãe judia e um pai maori e viu muitas, mas MUITAS outras coisas que vão além da realidade dos grandes polos de produção cinematográfica hoje. E isso dá pra ele também uma visão muito interessante sobre o que anda acontecendo com o entretenimento.

Durante uma aula magna do Festival de Filmes Internacional de Toronto, o diretor falou a falta de ideias de Hollywood e como isso tem gerado um movimento de busca em lugares geralmente marginalizados pela indústria. “Onde estão vasculhando pra achar novas ideias e histórias? Em populações indígenas, etnias variadas, países como Coreia, Japão, qualquer lugar fora da América”. Pra ele, é ali que moram narrativas muito interessantes fora da zona de conforto do entretenimento feito no ocidente.

Ele afirmou também que isso é uma boa chance de novos produtores, escritores e diretores terem espaço para contarem histórias boas e bem originais “Não podemos ceder às fórmulas consolidadas, como ‘ah, vai ser tipo “Jogo de Amor em Las Vegas,” mas sem pessoas brancas’. Talvez até rendesse algo bom, mas se formos fiéis às nossas ferramentas, estaremos bem. Transmita a sua verdade.”

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Ele foi questionado sobre quem, afinal, poderia contar essas histórias com propriedade. Waititi disse que é EXTREMAMENTE importante que pessoas de uma certa cultura falem sobre ela justamente porque a conhecem como poucos: “É importante que façam parte do próprio grupo e que realmente estejam aprendendo sobre isso ao invés de deixarmos uma outra pessoa de outro contexto contar nossas histórias quando tudo o que importa pra eles é o lucro e a ideia de completar um filme. Precisa passar uma mensagem verdadeira… é vital que falemos sobre nossas tradições.”

O papo dele sobre apropriação cultural é muito lúcido. É essencial que não só vejamos mais sobre outras tradições, mas que também paremos de DISTANCIAR pessoas de sua própria história. Que não dissociemos um povo de sua cultura e que a gente pare de isolar tudo aquilo que não cabe naquele padrão chato e insosso ao qual somos expostos sempre. ;)

Apesar de Taika ter se inserido no circuitão hollywoodiano dirigindo Thor: Ragnarok, ele tem também alguns projetos super autorais chegando: Bubbles, uma animação em stop-motion que contará a história do chimpanzé do Michael Jackson (!) e JoJo Rabbit, que será um longa sobre um menino de 10 anos que, durante a Segunda Guerra Mundial encontra-se obcecado pelo nazismo e sonha em ser um dos soldados do exército alemão. O diretor, que é meio judeu e meio maori, disse que essa era a forma perfeita de mandar Hitler ir se foder. <3 Quem quiser, pode assistir à aula magna NA ÍNTEGRA aí embaixo. Só tá tudo em inglês... [fazeroque] https://www.youtube.com/watch?v=-5D_9i5Z8l0