Terra, um planeta unido por um prato de frango frito

Terra, um planeta unido por um prato de frango frito

Nícolas Vargas

12 de Fevereiro de 2016

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Ou quase isso.


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Fala, juventude. Rasgaram a fantasia? Xingaram muito nas redes sociais? Transaram ou destransaram os transantes? O que eu tenho a ver com isso? Nada, a bem das verdade, vos digo. Ok, entonces, vamos ao que interessa, principalmente se barriga cheia for uma área de interesse de vossa excelência, o leitor.

Um fenômeno tem tomado conta da TV, das redes sociais, das livrarias e da publicidade há algum tempo: comida. Nunca o rango nosso de cada dia foi alvo de tanta atenção da indústria da comunicação, que cria até mesmo aquele tipo de pessoa que todo mundo conhece, que até outro dia mal sabia onde ficava a cozinha, e agora posta fotos deslumbrantes de pratos incríveis que aprendeu a fazer, aparentemente, do dia para a noite.

Pensa comigo que o Buzzfeed, até outro dia, se limitava a postar aquelas listas e groselhas que todos nós adoramos e, de um tempo pra cá, passou a investir também em conteúdos como o do vídeo abaixo.

Slow Cooker BBQ Pork RibsFULL RECIPE: http://bzfd.it/1RPqsJo

Posted by Tasty on Thursday, January 28, 2016

Essa receita de costela de porco cozida vagarosamente tem mais de 50 milhões de visualizações. Sim, é isso que você leu. Food porn, como chamam os entendidos, parece ser o novo limite a ser cruzado pelo desejo humano, isso após praticamente qualquer possibilidade de prática sexual ter sido divulgada em nossa querida e questionável rede mundial de computadores.

Se bem que, cá entre nós, eu e vocês cinco que insistem em ler esta coluna toda semana, o prazer de cozinhar é algo partilhado por toda a humanidade desde que nossos pelados corpos começaram a destoar dos nossos primos peludões lá na pré-história, quando assamos pela primeira vez as parentes distantes das costelas de porco citadas no parágrafo anterior.

Uga uga

Todas as civilizações que pisaram neste nobre planetinha afetado pelas ondas gravitacionais sugeridas por Einstein, cuja existência foi confirmada ainda outro dia, se valeram do universo particular de unir ingredientes disponíveis em suas quebradas mundo adentro para construir parte fundamental de suas identidades. Da Dinamarca ao Peru, da Mooca a Santa Teresa, da China aos Estados Unidos.

O caso é que as migrações cavalares causadas por eventos como a exploração marítima, a trágica escravidão de populações africanas, a Primeira e a Segunda Guerra, a popularização da aviação comercial, a globalização e conflitos diversos em todas as partes do planeta, tornaram comida um negócio a ser ainda mais compartilhado, agora com a mistura de ingredientes que, de outra forma, nunca se encontrariam.

A variedade de cervejas que a gente vê hoje em dia é um exemplo incrível da mistureba de sucesso que esse encontro de elementos pode proporcionar.

Cerveja

Nesse clima, acontece o documentário The Search for General Tso (2014, tem no Netflix), uma aventura em busca do tal milico do título e a origem do prato que leva seu nome, onipresente nos menus de restaurantes “chineses” nos EUA.

Além da terra de Barack Obama, o filme cruza também China e Taiwan, desatando nós que tiveram origem em correntes migratórias, leis xenófobas, ódio racial, criatividade e muita vontade de viver em paz do outro lado do mundo. Desta forma, mostra como um prato de comida pode ser o passaporte entre as culturas de dois mundos.

A real é que a comida chinesa, a não ser em território chinês, deixou de ser, enfim, chinesa, com o perdão da redundância, para ser um frankenstein diferente e delicioso em cada canto do planeta.

Saborosa e amada em lugares onde vinga a preguiça de cozinhar, esporádica ou onipresente, aliada à vontade de saborear uma boa fritura acompanhada por legumes suculentos e finalizada com biscoitos da sorte industrializados, o rango que a gente acredita ter sido criado na China, na verdade, é de todo o mundo, literalmente, e não é de lugar nenhum ao mesmo tempo. Uma fábula que só a larica humana poderia conceber.

Para finalizar esta faminta coluna, Jennifer 8. Lee, repórter do New York Times, dá uma versão reduzida, mas cheia de detalhes, desta história global e deliciosa. Vale muito o play. Até semana que vem.

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