The Disaster Artist: conheça The Room, o monte de merda mais influente de todos os tempos | Judão

Filme dirigido por James Franco, inspirado no filme de Tommy Wiseau, vai contar essa história nos cinemas a partir de Dezembro e ganhou seu primeiro trailer

Livros que viram filmes a gente vê toda hora; filmes que viram livros tem se tornado cada vez frequentes; até músicas costumam ser capazes, ocasionalmente, de inspirar alguma história contada na tela grande. Agora, costuma ser necessário muito renome, ou ao menos uma história pra lá de ESCABROSA, para um filme gerar outro filme.

Eis que The Room tem os dois.

Para muitos o Cidadão Kane dos filmes ruins, o suposto drama erótico de 2003, idealizado pelo tão misterioso quanto bizaro Tommy Wiseau, já inspirou um jogo, estudos acadêmicos, inúmeras DISSERTAÇÕES de YouTube, livro, música e, agora, um filme de ficção baseado em FATOS chamado The Disaster Artist – por sua vez, adaptação do livro que... ENFIM. :D

O ano era 2001, quando uma figura de idade e histórico nebulosos conhecida como Tommy Wiseau, decidida a perseguir seu sonho de tornar-se um cineasta de sucesso, concluiu o roteiro de sua obra QUINTESSENCIAL. Inicialmente uma peça de teatro, The Room foi então adaptada para um livro de 500 páginas, até enfim tornar-se um roteiro que viria a ser rodado em meados de 2002.

Contando a história de um homem bem-intencionado, vivido pelo próprio Wiseau, que acaba mergulhando em uma espiral autodestrutiva ao desconfiar que a mulher de sua vida o está traindo com seu melhor amigo, The Room tinha tudo para acabar sendo mais um filme independente esquecível. Graças à figura bizarra de Wiseau, bem como uma trajetória de produção inacreditavelmente INSÓLITA, o filme tornou-se um marco cult na história do cinema, angariando mais e mais fãs a cada ano e virando meme muitos anos antes do conceito sequer existir.

A começar pelo grande braço direito de Wiseau no filme, o então modelo aspirante a ator Greg Sestero. Depois de conhecer o idealizador de The Room em um curso para atores de Los Angeles, Sestero topou participar como um membro de equipe na ambiciosa produção do bizarro colega. Só que, depois da demissão do ator que, até então, viveria o tal melhor amigo TALARICO do protagonista, sobrou para Greg viver o rapaz, chamado Mark, fixando-se como parte fundamental de uma das frases mais memoráveis da Cultura Pop.

Ao lado de Wiseau, Sestero acompanhou o diretor gastando milhões de uma fortuna previamente angariada por meio do que, contam relatos, foram anos de empreendedorismo na América — não se sabe muito sobre os anos FORMATIVOS de Tommy antes de chegar aos EUA, mas acredita-se que ele venha de algum país eslavo, tendo passado algum tempo na França, dadas suas IDIOSSINCRASIAS e sotaque indefinido. Os gastos tinham toda sorte de motivação: desde a incapacidade do diretor em escolher entre filmar em HD ou 35mm (ele decidiu fazer os dois ao mesmo tempo), às constantes demissões e trocas no elenco, até às construções de sets de filmagem absolutamente inúteis.

O resultado disso tudo acabou sendo uma bagunça maravilhosamente construída em meio à incompetência de um grupo de pessoas determinadas a fazerem um filme, e com muito dinheiro, que inspirou Sestero a escrever um livro, intitulado justamente The Disaster Artist, que em 2017 toma forma nas telas do cinema em um filme dirigido e estrelado por James Franco, que ainda traz seu irmão Dave como Greg, além de participações de gente como Seth Rogen, Zac Efron, Sharon Stone, Bryan Cranston, entre MUITOS outros ~daquela galera. :)

Apesar da estreia prevista para Dezembro nos EUA, o filme já está rodando por festivais, ANGARIANDO uma aprovação girando em torno dos 90% no Rotten Tomatoes, além de uma OVAÇÃO de pé no SXSW para chamar de sua e, nessa terça (18), ganhou seu primeiro trailer, que você pode assistir aí embaixo. :)

The Disaster Artist pode fazer o que The Room nunca fez: de fato agradar fãs de cinema ao redor do mundo todo, contando a história que Wiseau sempre quis contar, de uma certa forma.

Mas, por melhor que seja, é certo afirmar que ele nunca irá marcar tanto a história quanto o filme original, talvez o monte de merda mais influente de todos os tempos, fez.