The Walking Dead nunca foi tão HQ quanto em No Way Out | Judão

Série está de volta, da mesma maneira que se foi: fan service aqui, fan service lá, fan service pra tudo quanto é lado

SPOILER! Da Wikipedia: “Fan service (às vezes escrito fanservice), service cut ou simplesmente service são termos, de definição de certo modo vaga, utilizados nas mídias visuais, particularmente por fãs de mangá e anime, referindo-se a elementos supérfluos à história principal, mas incluídos para divertir, entreter ou atrair a audiência”.

Não sei exatamente se dá pra definir como “vaga” a ideia de fan service, especialmente quando você assiste a esse episódio de retorno de The Walking Dead, o nono da sexta temporada, No Way Out.

Lembra dos Saviors, confiscando a van e o furico de Daryl, Sasha e Abraham, na cena pós-créditos do fim do midseason, lá em Novembro? “Tudo pertence ao Negan”? Pois serviu única e exclusivamente pra você ficar pensando que, por acaso, o Negan está mais próximo do que a última cena do último episódio da temporada — um lança-granadas resolveu toda a treta e deu o tempo que era necessário pra que o próprio Negan descubra aqueles pedaços de corpos e motocas carbonizadas e vá tirar satisfação com Alexandria, resultando em algo que, pelo que Rick e Maggie disseram, vai ser de vomitar o cu da bunda.

The Walking Dead

“Eu me senti realmente mal quando li o roteiro”, disse Andrew Lincoln em entrevista à EW sobre o season finale, que vai ao ar em 03 de Abril. “Foi a primeira vez em seis anos trabalhando na série que eu me atrasei porque acordei no meio da noite e não consegui dormir. E isso depois de só ler o roteiro”

Pra Lauren Cohan, o negócio foi bem parecido. “Foi o dia mais difícil da minha vida dentro de um set. Nunca imaginei que pudesse ter aquela experiência como atriz. Foi uma das experiências mais cruas que eu acho que qualquer um de nós já teve”, conta. “Andy falou sobre se atrasar. Eu nem queria ir trabalhar aquele dia. Demorou bastante pra todo mundo se sentir bem depois do fim”.

Nos quadrinhos, mais precisamente na edição #100, o Negan se apresentou ao pessoal de Alexandria DESTROÇANDO a cabeça do Glenn, usando nada além do que a pequena e letal Lucille, um taco de baseball enrolado com arame farpado que ele trata como a mulher da sua vida. É, de fato, uma cena de embrulhar o estômago — ainda mais por se tratar de um personagem tão querido.

Isso explicaria o retorno à vida (ele morreu, não adianta negar, gente) de Glenn, resultando aí em três fan services diretamente ligados: falar do Negan pra deixar todo mundo em polvorosa, trazer o Glenn pra acalmar as mais diversas bacurinhas e depois destruir a cabeça dele, só porque sim.

Isso se for mesmo a cabeça dele, né?
E os Wolves? Acabou, é só aquilo lá mesmo?

Por falar em cabeça, e em quadrinhos, No Way Out é o nome de um arco de histórias que começou na edição #80 e foi até a #84 (e tá no encadernado #14, já publicado no Brasil) resumidamente mostrando a invasão zumbi em Alexandria, um lugar que tanta gente pensava estar segura — o que Carl insistia que não era o caso.

No Way Out é, literalmente, um resumo de toda essa história na TV, o que é bastante raro na série. Não só em termos de história, mas até graficamente, como por exemplo aquela montagem final, sensacional, resumido na página 16 da edição #84.

The Walking Dead

Mas talvez o grande momento TV / Quadrinhos, até agora, tenha sido o tiro que Carl toma. SABÍAMOS que aquele moleque maldito não era confiável (até menos que seu irmão nojentinho), mas não imaginávamos que o momento seria o mais inoportuno. “Você”... Boom.

HEADSHOT.

Nos quadrinhos, página 20 da edição #83, um quarto da cabeça dele vai pro saco (e a intenção era, sim, matá-lo) mas as coisas mudaram e, depois, ficaram bem mais parecidas com o que se viu na série, virando “só” um tiro no olho. E aí teve aquela cena final, tão Walking Dead moleque, Walking Dead de raiz... :,(

The Walking Dead

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Mas o que TUDO isso significa agora, pra série de TV?

Fan services a parte, The Walking Dead redefiniu mais uma vez seu status quo, o que eu devo dizer que já preencheu um bom tanto os pacovás: eliminou os personagens que tavam sobrando (RIP Jessie) e voltou o núcleo pro básico, que a partir de agora deve lidar com seus problemas internos — gravidez da Maggie, a saúde do Carl, Denise & Tara, Carol & Morgan, Gabriel e a fé, entre outros — até que Negan apareça e a gente precise esperar a segunda semana de outubro pra ver o que vai acontecer depois de toda a nojeira prometida.

É uma pena, porém, que os produtores estejam querendo jogar tão pragmaticamente, mesmo com o começo completamente lelé que a sexta temporada teve. As histórias precisam ser contadas — e são elas que criam os fãs, não o contrário. Que, pelo menos, sejam bem contadas, já que deveremos lidar com fan services por toda a eternidade.

Isso ou eles começam logo a criar grandes incêndios pelo mundo, já que os zumbis são tão idiotamente atraídos por ele, mais até que som, e a série acaba rapidinho — ou vira algo sobre a recivilização do Mundo, sei lá. Porque né? :D