A primeira grande assinatura musical dos filmes da Marvel | Judão

Taika Waititi vendeu sua ideia para Thor: Ragnarok usando Immigrant Song, do Led Zeppelin, música que é executada em dois dos principais e mais sensacionais momentos do filme

Provavelmente o mais conhecido dos vídeos do Every Frame a Painting (o melhor canal da história do YouTube), The Marvel Symphonic Universe, fala da absoluta falta de uma ASSINATURA SONORA dos filmes da Marvel.

Algum tipo de som que, no exato momento em que você ouve, se lembra daquele Universo. Oi? Não, “MARTHA!” não conta.

Você pode (e deve) assistir ao vídeo aqui, mas só pra resumir, direto da descrição do dito cujo: “de cabeça, você consegue cantar o tema de Star Wars? E James Bond? Ou Harry Potter? Mas aqui está a pegadinha: você consegue cantar qualquer tema de um filme da Marvel?”

...exatamente.

Guardiões da Galáxia é um filme que talvez seja tão conhecido pela música quanto pelo Groot, mas tirando Hooked on a Feeling, presente nos trailers do primeiro filme e executada uma vez durante a produção, a marca do filme é simplesmente “música”. “No primeiro filme tivemos um momento mágico, porque as músicas funcionaram tanto pra contar a história quanto como uma trilha sonora de verdade” contou, em entrevista ao JUDAO.com.br, o diretor James Gunn. “Neste segundo, sei que elas funcionam para a história. Mas como trilha? Não sei ainda. Meu principal trabalho é pensar no filme, é pensar nas canções que funcionariam melhor naquele momento, naquela cena, emocionalmente falando”.

O filme de James Gunn também marcou o início de uma mudança / liberdade criativa dentro do chamado Universo Cinemático da Marvel, oficialmente CONSOLIDADA com Thor: Ragnarok, filme que, olha só, tem sua assinatura musical — ou, pelo menos, uma canção que deverá ficar ligada a ele de alguma maneira. Não é original como talvez devesse ser, mas...

Immigrant Song, do Led Zeppelin. Se você apertou o play, vai ficar sim com o gritinho na cabeça pelo resto do dia. Se não, deveria.

Immigrant Song é a faixa que abre o álbum Led Zeppelin III e foi escrita por Robert Plant em 1970, durante uma turnê pela Islândia, Reino Unido e Alemanha — mais especificamente na cidade de Reykjavík, na Islândia. “A gente realmente veio da terra de gelo e neve. Fomos convidados pelo governo pra uma missão cultural, pra tocar num show em Reykjavik” contou Robert Plant em uma entrevista ao jornalista Chris Welch, que contou a história de todas as canções da banda no livro Led Zeppelin: Dazed and Confused. “Um dia antes os servidores públicos entraram em greve e iam cancelar, mas a Universidade preparou um palco pra nós e foi fenomenal. A resposta dos garotos foi extraordinária e a gente se divertiu muito”.

Seis dias depois, durante o Bath Festival, a música foi tocada pela primeira vez ao vivo e abriu os shows da banda até 1972, quando foi parar no chamado BIS. Um ano depois, eles pararam de tocá-la ao vivo.

“Cineastas as vezes dizem, usando clipes de outros filmes, ‘isso é o que eu tenho em mente’. E as vezes eles não são bons. Na maioria das vezes, são okay”, disse o chefão da Marvel Studios, Kevin Feige, ao ScreenRant. “[O que o Taika Waititi, diretor de Thor: Ragnarok] fez foi sensacional e tinha aquela música do Led Zeppelin. Então, desde o começo, aquela música meio que definiu o que ele faria com isso. Eka tá no trailer, tá no filme — tudo desde a primeira reunião e de um dos seus primeiros instintos sobre o filme, é bem impressionante”.

Em entrevista ao Den of Geek, o diretor contou que os executivos da Marvel Studios ficaram “‘Ah, isso é bem legal, é uma música bem legal. O que é?’ e eu fiquei tipo ‘É Immigrant Song, Led Zeppelin, uma das músicas mais famosas de todos os tempos’. E eles ‘Ah, legal, nunca ouvi antes, bem legal’. “E eu fiquei tipo, ‘ai caralho, fodeu’. Aí, bom, eu consegui o trabalho. Mas desde o início eu falo sobre usar Immigrant Song no filme, porque ela faz total sentido com o personagem, não?”

Nós viemos da terra do gelo e da neve
Do sol da meia-noite, onde as fontes quentes explodem
O martelo dos deuses vai guiar
Nossos barcos para novas terras
Para combater a horda, cantar e chorar
Valhalla, eu estou indo

Mitologia nórdica, guerra... É, essa música me parece fazer bastante sentido, NÃO SÓ pro personagem como pra Thor: Ragnarok — e, não à toa, a música é tocada em dois dos momentos mais importantes e sensacionais do filme que eu não vou dizer quais são MAS talvez não sejam assim tão difíceis de imaginar quais são. E, sim, a música encaixa direitinho com eles. :)

Não consigo sequer imaginar a música sendo tocada em quaisquer outros filmes da Marvel, especialmente aqueles que não forem só do Thor ou, sei lá, não fizerem parte daquele universo mais específico (esse sou eu sonhando com um filme da Valquíria, sim). Mas a escolha de Immigrant Song se mostrou não só mais um grande acerto da Marvel Studios com esse filme, como também mais uma prova de que Taika Waititi fez o filme que queria.

E essa é a melhor coisa que você poderia ouvir sobre esse filme. Vai por mim. :)

Thor: Ragnarok já está nos cinemas.